Acupuntura baseada em evidências

Lin CA, Hsing WT, Pai HJ. Acupuntura: prática baseada em evidências. Rev Med (São Paulo). 2008 jul.-set.;87(3):162-5.

Prática milenar, fazendo parte da chamada Medicina Tradicional Chinesa, a Acupuntura tem experimentado um aumento expressivo de adeptos, tanto em números dos que praticam, como em número dos que se submetem ao seu tratamento.

Estudos, bem desenhados, apontam a eficácia da acupuntura.

Vickers et al (1), usando escala de escore para cefaléia e questionário de qualidade de vida SF 36, realizaram um estudo prospectivo, randomizado e controlado com 401 pacientes com queixa de cefaléia crônica (maioria enxaqueca), na rede de atenção primária na Inglaterra e no País de Gales. Ele testou a acupuntura (12 sessões em 3 meses) além de medicação consagrada para a cefaléia.

O grupo da acupuntura teve melhora mais acentuada na escala de sintomas. Acupuntura 34% de redução em sintomas e grupo controle 16% de redução em sintomas, diferença ajustada de 4,6, intervalo de confiança de 95% 2,2-7,5, p < 0,0002), teve 22 dias a menos de cefaléia (intervalo de confiança de 95% 8-38), usou 15% a menos de medicação (p=0,02), teve 25% a menos de visita a médico (p = 0,1), teve 15% a menos de ausência ao trabalho (p = 0,2).

Zhao e colaboradores (2), numa revisão, extende a indicação da acupuntura para outras cefaléias como tensional.

Witt et al (3) realizaram um estudo clínico randomizado e controlado (acupuntura versus grupo controle), com um braço de coorte não-randomizado e prospectivo, no tratamento de dor lombar.

Todos os grupos receberam medicação consagrada para dor lombar. Dos 11.600 pacientes, 1.549 foram randomizados para o grupo acupuntura, 1.544 foram para o grupo controle e 8.537 pacientes foram para o grupo não randomizado para o tratamento de acupuntura. Escala de funcionalidade da região dorsal (Hannover Functional Ability Questionnaire), escore de dor e qualidade de vida foram avaliados. Após 3 meses, a funcionalidade da região dorsal melhorou de 12,1 a 74,5, grupo controle melhorou de 2,7 a 65,1, diferença de 9,4 (intervalo de confiança 95% 8,3-10,5, p < 0,001). O grupo não randomizado começou com a funcionalidade pior, mas experimentou a melhora semelhante ao grupo da acupuntura.

Flachskampf et al(4) randomizaram 160 pacientes com hipertensão arterial sistêmica não complicada (dos quais 140 concluíram o estudo), para acupuntura real (72 pacientes) e acupuntura sham (placebo – 68 pacientes). Setenta e oito por cento tomavam medicação anti-hipertensivas, que não foram mudadas.

Foi avaliada: pressão arterial média de 24 horas, logo após o tratamento, 3 meses e 6 meses depois. A diferença de pressão arterial média de 24 horas entre os grupos acupuntura real e acupuntura sham foi 6,4 mmHg (intervalo de confiança 95% 3,5 a 9,2) e 3,7 mmHg, respectivamente sistólica e diastólica. No grupo acupuntura real, houve redução de pressão arterial média de 24 horas de 5,4 mmHg (intervalo de confiança 95% de 3,2 a 7,6) e 3,0 mmHg (intervalo de confiança 95% 1,5 a 4,6) , respectivamente sistólica e diastólica. Os níveis de pressão voltaram a níveis pré-tratamento aos 3 e 6 meses após o tratamento. Os autores concluíram que a acupuntura real e não sham, reduziam a pressão arterial média de 24 horas logo após o tratamento, cessando o efeito assim que cessa o tratamento.

Manheimer et al (5) realizaram uma metanálise, incluindo 1366 mulheres em tratamento para fertilização in vitro em 7 estudos clínicos.

Controles sem tratamento e acupuntura sham foram usados nestes estudos. A conclusão dos autores revela que a acupuntura contribui para a melhora clinicamente relevante da gravidez.

CONCLUSÃO

A breve revisão dos trabalhos recentes acima

realizada, aponta para uma direção diferente dos estudos realizados anteriormente.

É um cenário novo, a exigência no mercado de trabalho exercerá maior aperfeiçoamento dos novos médicos que exercerão a especialidade. Não obstante, os médicos de outras especialidades terão de se familiarizar com as novas indicações, contra-indicações e eficácia para tratamento de doenças que antes não faziam parte do escopo de doenças tratáveis por acupuntura.

REFERÊNCIAS

  1. Vickers AJ, Rees RW, Zollmman CE, McCarney R, Smith C, Ellis N, et al. Acupuncture for chronic headache in primary care; large, pragmatic, randomized trial. BMJ.

2004;328:744-50.

  1. Zhao CH, Stillman M, Rozen TD. Traditional and evidence-based acupuncture in headache managemente: theory, mevhanism and practice. Headache. 2005; 45(6):716-30.
  2. Witt CM, Jena S, Selim D, Brinkhaus B, Reinhold T, Wruck K, et al. Pragmatic randomized trial evaluating the clinical and economic effectiveness of acupuncture for chronic low back pain. Am J Epidemiol. 2006;164:487-96.
  3. Flachskampf FA, Gallasch J, Gefeller O, Gan J, Mao J,

Pfahlberg AB, et al. Randomized trial of acupuncture to lower

blood pressure. Circulation. 2007;115:3121-9.

  1. Manheimer E, Zhang G, Udoff L, Haramati A, Langenberg P, Berman B, et al. Effecs of acupuncture on rates of pregnancy and live birth among women undergoing in vitro

fertilization: systematic review and meta-analysis. BMJ.2008;336:545-9