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Câncer Colorretal

Nos Estados Unidos, neste mês de março, as sociedades de especialidades e grupos de apoio chamam a atenção para uma consciência sobre o CÂNCER COLORRETAL.

No Brasil a data é em setembro (para se aproximar de datas tão importantes com a da Prevenção do Câncer de Mama em outubro e do Câncer de Próstata em novembro).

Aproximadamente 35 mil casos de câncer colorretal são registrados por ano no Brasil e o diagnóstico precoce é fundamental para melhores respostas ao tratamento e chances de cura.

A preocupação maior é que em estágios iniciais, na maioria das vezes, não existem sintomas. Quando mais avançado, esses sintomas podem não ser característicos – como dores abdominais, náuseas, vômitos, perda de peso, fraqueza, vontade constante de evacuar e sangramento.

Por este motivo, é essencial manter os exames em dia, uma dieta balanceada, com uma quantidade menor de carne e gordura, e praticar atividade física regularmente.

Se apresentar algum dos sintomas citados, ou tenha um histórico da doença na família, consulte seu médico.

Autor: Dr.  Alfredo Fernando Vecchiatti Pommella – Coloproctologista e Cirurgião Geral

Hepatites Virais

No tocante às Hepatites virais temos 4 delas que causam epidemias mundo afora, sendo duas delas de transmissão oral fecal, como a A e E. A primeira, mais conhecida de características agudas, sendo na sua maioria das vezes assintomática e em menor proporção agudas e algumas fulminantes graves que levam ao transplante agudo e fígado ou ao óbito.

A hepatite E tem uma evolução mais protraída e por vezes arrastada caminhando à cronicidade.

É relativamente subestimada e não procurada e, portanto, não diagnosticada.

A hepatite A incide em cenários de baixa condição de higiene e em sub populações de HSH e moradores de rua, incluindo usuários de drogas.

Quanto às restantes, B e C, atingem milhões de pessoas mundo afora e levam à cronicidade, à cirrose e transplante, se não tratadas a tempo antes de evoluírem para tal.

Ambas tem tratamento, embora a B a cura da forma crônica se dê na ordem de 8-12% e, em alguns protocolos usados em países mais desenvolvidos economicamente, podem associando medicação oral com interferon peguilhado.  Acrescentem mais 10-12% de cura total na somatória geral. Costuma ser tratada cronicamente com supressão do vírus usando-se Tenofovir e ou Entecavir.

Quanto a Hepatite C hoje dispõe de muitas alternativas de cura com muitos novos medicamentos que atingem taxas acima de 96-98% em média de cura total e definitiva.

Importante frisar a necessidade do uso de vacinas para hepatite A e B com alta eficácia e alta taxa de soro conversão, sendo fundamental instrumento de prevenção junto com medidas higiênicas e de sexo seguro, fora orientação aos grupos de maior risco de contraí-las.

Autor: Dr. Ricardo Leite Hayden – Infectologista

Salvando Vidas

O município de Bertioga, no litoral paulista há quarenta anos era distrito de Santos, naquela época não existia neste trecho do litoral paulista a rodovia Rio Santos, portanto para chegar a Bertioga era preciso atravessar o município de Guarujá   passar por duas balsas, ou via trajeto marítimo pelo canal de Bertioga. Algumas praias de Bertioga o acesso somente ocorria pela areia da praia quando a maré permitia, como a praia de São Lourenço

O distrito de Bertioga tinha uma estrutura de saúde gerenciado por Santos com unidades básicas de saúde na periferia e um pronto socorro central com limitações ao atendimento, nenhum procedimento cirúrgico era realizado no município, todos os casos que necessitassem de procedimentos invasivos deveriam ser transferidos para o município mais próximo Guarujá, ou Santos.

Nesta época eu jovem médico lotado na prefeitura de Santos, no cargo de médico eventual sem vínculo empregatício ávido para trabalhar e necessitando dinheiro, fiquei  agradecido por ter conseguido um emprego no extremo do município de Bertioga, quase divisa com São Sebastião, litoral norte do estado de São Paulo sendo designado para atuar  semanalmente no domingo em unidade básica de saúde dentro de  sala de aula em escola pública na praia de São Lourenço onde o acesso era exclusivo pela praia em maré vazante.

A condição de atendimento era muito precária, mas a relação com a comunidade era muito boa, os médicos criavam muitos vínculos afetivos com os habitantes de região. O comércio no local era inexistente então os moradores disputavam  a honra de convidar o doutor para almoçar  em sua residência que consistia em refeições fartas e alimentos regionais como tainha com banana verde, camarão com palmito, peixe na folha de bananeira etc., existia também nesta comunidade o hábito da sesta, era imperativo, portanto após o almoço os doutores terem o direito a um cochilo antes do turno da tarde.

Certa vez no fim do dia já próximo de voltar a Santos aguardando a maré baixar tivemos a informação que uma égua estava em trabalho de parto e tudo corria bem. Como de hábito ao voltar para casa levávamos os presentes ofertados por pacientes como bananas, mandioca, peixes, caranguejos etc. tudo dentro do transporte oferecido pela prefeitura que era uma ambulância geralmente com paciente e familiares que porventura necessitasse de remoção a outro município.

Chegando em casa domingo à noite, após mais um dia de aventura recebi um telefonema de Bertioga  de um paciente solicitando que retornasse na praia de São Lourenço pois a égua ainda estava em trabalho de parto, e na  avaliação  dos moradores com grande possibilidade de risco de morte durante o parto, os habitantes da região já tinham esgotado todas as possibilidades de atendimento adequado, com tentativas infrutíferas de contato com veterinário, serviço de atendimento a animais da polícia militar etc. não conseguido nenhuma forma de assistência eles deduziram que meus préstimos poderiam ser úteis sabedores que eu era cirurgião de mamas.

Disse a ele que eu não era a pessoa adequada a realizar o atendimento pois não entendia nada de veterinária muito menos de égua, mesmo assim ele insistiu muito porem fiquei firme em minha decisão, de não me aventurar.

Quando desligo o telefone minha esposa inicia uma batalha verbal

— Como pode ser tão frio em deixar a égua morrer, o animal morrerá de todo o jeito sua tentativa oferecerá uma oportunidade.

Tentei explicar que se eu fosse atuar no caso seria o suficiente para a égua morrer.

Mesmo com decisão já definida de não me envolver aonde não entendo confesso que fiquei desconfortável com o clima criado e provável desfecho ruim para a pobre da égua, na verdade foi a primeira vez como mastologista não conseguia dormir por causa de uma égua. Neste momento ao deitar para descansar de um dia agitado minha mulher perguntou a ultima vez “você não vai mesmo”, por alguns minutos de grande silencio, tomado por um turbilhão de reflexões conflitantes sobre vida, morte, por impulso tomei outra decisão,  iniciei uma maratona para achar um veterinário em Santos no domingo início da madrugada que se dispusesse a ir até Bertioga.

Após vários telefonemas dentre os quais a um amigo ginecologista que estava de plantão no PS central de Bertioga, imaginem a situação ao ligar para este amigo, no meio do plantão solicitando ajuda no trabalho de parto de uma égua, foram várias tentativas de expor a situação e todas seguidas de interrupção do telefone, “ele bateu o telefone na minha cara várias vezes” aí tive que usar uma estratégia que funcionou liguei para sua esposa  Dra. Leila que residia em Santos e expliquei a situação da pobre égua, como todos já podem calcular a interseção de sua esposa resolveu a situação e o amigo foi convencido que poderia escutar o telefonema até o final, após ouvir algumas queixas, agressões verbais e muitos palavrões, consegui que concordasse com a utilização da estrutura do pronto socorro oferecendo o apoio logístico necessário, ao veterinário.

Com objetivo de convencer o veterinário de Santos a ir a outro município planejei meticulosamente a seguinte tática, liguei ao Dr. Valmir, que era compadre do meu amigo de Bertioga e Dra. Leila sua esposa que neste momento já era militante da causa, ele se prontificou imediatamente a atender o caso

Lá rumamos com destino Bertioga Dr. Valmir eu, minha esposa, que pelo interesse demonstrado no caso, sugeri que participasse pessoalmente, mesmo ela tendo usado o argumento que sua presença não iria modificar em nada o andamento do caso, já que não era da área de saúde, meu contra  argumento foi devastador “se você não for ninguém vai, pois tudo foi iniciado por você”.

Após atravessarmos duas balsas na madrugada com muito frio, chuva e vento forte que vinha do mar, chegamos ao Pronto Socorro meu amigo, nos aguardava com humor não muito amigável porem por influência e proteção da Dra. Leila sua esposa, que participava e monitorava toda nossa aventura por telefone a  ambulância estava preparada pois era o único meio de transporte que poderia passar pela praia com chuva e maré alta para chegarmos ao estábulo.

Confesso que fiquei muito emocionado ao chegar ao estábulo de ambulância, o motorista posicionou o veículo com os faróis direcionado a égua  já que a iluminação do estabulo era precária, frio de inverno, várias pessoas em silencio ao redor da égua que sofria em trabalho de parto obstruído fomos calorosamente recebidos com aplausos e vivas pelas pessoas presentes no local, o clima era de alívio pois a oportunidade de solução e esperança da égua viver estava chegando de ambulância iluminada da prefeitura, com veterinário

Meu amigo com uniforme branco do plantão foi o primeiro a descer e de imediato pisou na lama do estábulo, com chuva, vento imaginem o estrago, ficou todo respingado com grandes manchas em seu vestuário, confesso que seu cheiro após a aventura não era dos melhores, uma mistura de terra, maresia, cheiro de estabulo Em alguns momentos, nossos olhares se cruzaram e percebi seu olhar fixo e firme em minha direção, mas preventivamente desviei o olhar várias vezes e prudentemente nunca perguntei a ele sobre o que estava pensando naquele momento.

Dr Valmir prontamente após examinar o animal e realizar algumas manobras obstétricas resolveu a situação retirou a cria salvando a égua com uma habilidade que impressionou a todos os presentes, orientou os caiçáras sobre cuidados que deveriam adotar com o animal, e considerou um sucesso. Pelo seu empenho, dedicação e competência não cobrou nada, hoje este anjo, na forma de veterinário, já não está entre nós teve morte prematura ainda jovem.

Quando retornamos a Santos já era dia e cada um seguiu seu destino  minha esposa foi dar aula na universidade, Dra. Leila em paz com sua atuação, Dr. Valmir continuou a usar o talento destinado a ele por Deus que foi a missão de salvar vidas de animais, meu amigo de plantão em Bertioga não inclui na pesquisa, pois sei qual era sua opinião. Fui ao refeitório do hospital que trabalho  alguns plantonistas comentavam os casos vivenciados durante a noite, quantos procedimentos cirúrgicos e partos ocorreram, etc., quando alguém me perguntou o que eu estava fazendo naquela hora no hospital pois não estava na escala de plantão, falei pausadamente com ar pensativo, devaneando, olhar vago e leve sorriso nos lábios, “ajudei a salvar uma égua pangaré” levantei e fui embora.

Autor: Vicente Tarricone Junior (Mastologista)

Diagnóstico clínico e sorológico de pacientes com suspeita clínica de arboviroses

VI Seminário Anual Científico e Tecnológico | Bio-Manguinhos

OTR.25 – Diagnóstico clínico e sorológico de pacientes com suspeita clínica de arboviroses (Dengue, Zika vírus e Chikungunya)

Raphael Rangel das Chagas”; Viviane Camara Maniero’; Paulo Sergio Cerqueira Rangel’; Clarisse Salgado Benvido da Silva’; Renato Santana de Aguiar”; Viveca Giongo?; Sergian Vianna Cardozo.

1UNIGRANRIO; 2UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro; 3Fiocruz/CDTS.

Introdução:

Dentre os vírus que apresentam maior circulação atualmente no Brasil estão o dengue (DENV), o chikungunya (CHIKV) e Zika vírus (ZIKV). DEN e ZIKV pertencem a família Flaviviridae e CHIKV à família Togaviridae. Os sintomas relacionados com as arboviroses causadas por estes agentes são bastante seme- lhantes, o que acaba interferindo no diagnóstico clínico preciso dessas doenças.

Objetivo: O objetivo do presente trabalho foi realizar o diagnóstico clínico sugestivo e

sorológico de pacientes com suspeita de arboviroses atendidos na Unidade Pré -Hospitalar Álvaro dos S. S. Figueira, Duque de Caxias, RJ.

Metodologia:

A análise dos prontuários foi realizada entre os meses de julho e outubro de 2017, de acordo com os critérios clínicos estabelecidos pelo Ministério da Saú- de. Para a realização do diagnóstico sorológico, as amostras foram submetidas à testes sorológicos que permitam identificar a presença de anticorpos IgM e IgG para ZIKV e DENV utilizando testes de Ensaio de Imunoabsorção Enzi- mática (ELISA) específicos para IgM e IgG (XGEN, Biometrix).

Resultado:

Foram coletadas 27 amostras sanguíneas de pacientes com diagnóstico clínico de arboviroses (DENV, CHIKV e ZIKV). Destas amostras, 21 (77.7%) foram identificadas como DENV, 03 (11.1%) como ZIKV e 03 (11.1%) tiveram diag- nóstico clínico de CHIKV. Quanto aos sintomas apresentados pelos pacientes, entre os 21 casos suspeitos de DENV, a mialgia (14/21; 66.6%), artralgia leve

Bio-Manguinhos / Fiocruz

(11/21; 52.4%) e cefaleia (13/21; 61.9%) foram os mais observados. O exan- tema (3/3; 100%) e o prurido (3/3; 100%) foram observados apenas nos pa- cientes suspeitos de ZIKV, que apresentaram ainda conjuntivite (1/3; 33.3%). Assim como a artralgia acentuada (3/3; 100%) foi identificada somente nos casos suspeitos de CHIKV. Do total de 27 amostras com suspeita clínica de arboviroses, 18 foram analisadas através do teste sorológico para detecção de IgM e IgG para DENV e ZIKV. De acordo com os critérios sorológicos de de- tecção viral, 5/18 (27.7%) foram consideradas amostras negativas para DENV e ZIKV, e 1/18 (5.5%) foi dada como indeterminada. Devido à semelhança ge- nética ja conhecida entre o ZIKV com outros vírus da família Flaviviridae, pos- sivelmente foram observadas reações cruzadas com DENV nas amostras do presente estudo. Isto porque 5/12 (41.7%) amostras que foram positivas para IgM e IgG de DENV apresentaram sororeatividade (IgG) também para ZIKV e outras 3/12 (25.0%) foram IgG positivas tanto para DENV quanto para ZIKV. Apenas 4/12 (33.3%) amostras apresentaram somente sororeatividade (IgG) para DENV. Tais resultados referentes à sororeatividade de IgM determinam uma identificação presuntiva para o DENV (5/18; 27.7%). As amostras positi- vas e/ou indeterminada não foram definitivas para o diagnóstico da infecção pelos Flavivírus estudados.

Conclusão:

Com os resultados expostos vemos que o diagnóstico clínico epidemiológico muitas vezes pode ser errôneo pela semelhança na sintomatologia das arbovi- roses, fazendo-se necessário o diagnóstico laboratorial.

Palavras-chave: arboviroses, diagnostico clínico; sorológico

Fonte: https://www.arca.fiocruz.br/handle/icict/27276

 

Transexualidade, disforia de gênero

A não aceitação da aparência física com o sexo é a forma mais extrema de distúrbio da identidade sexual, anteriormente também chamada de  “transtorno de identidade de gênero” (que tem sido abolido pelo reconhecimento cada vez mais frequente que não se trata de sintoma de um distúrbio mental). Trata-se na realidade de uma discordância (incongruência) entre o sexo aparente e sua identidade de gênero é um desejo de viver e ser aceito como pessoa do sexo oposto ao do nascimento. Disforia de gênero é uma condição em que o paciente sente que sua identidade de gênero é incompatível com seu sexo biológico real.

O diagnóstico apóia-se em critérios clínicos tais como: desejo intenso de pertencer ao sexo oposto, dificuldade de adaptação precoce, antipatia pelo órgão genital, baixa freqüência de relações heterossexuais e baixo impulso sexual.(1) O diagnóstico diferencial deve ser feito com homossexualismo, travestismo, início precoce de desordens da personalidade, crises da adolescência, desordens intersexuais e psicoses.

Na França deixou de ser considerado como transtorno mental desde 2010, e a OMS (Organização Mundial de Saúde já se comprometeu em retira-la na nova edição da Classificação Internacional de Doença – CID (atualmente classificada como F64). Não ha estatísticas em nosso meio (Brasil) mas a prevalência global é de 4,6 em 100.000 nascimentos (2), e existem estudos europeus e asiáticos que apontam prevalências de 1:11.900 nascimentos com sexo genético XY e de 1:30.400 nascimentos com sexo genético XX.(3)

De suma importância, destacar que disforia de gênero não é homossexualidade (orientação sexual). A grande maioria dos portadores de disforia de gênero apresentam distúrbios psicológicos e ou psiquiátricos, portanto é fundamental o acompanhamento com esses profissionais (psicólogos e/ou psiquiatras).

Sentir que seu corpo não reflete seu  verdadeiro sexo causa grave angústia, ansiedade e depressão. “disforia” é um sentimento de insatisfação, ansiedade e inquietação. Desde de a infância preferem amigos do sexo com o qual se identificam e rejeitam  as roupas, brinquedos e brincadeiras típicas para meninos ou meninas e muitos se recusam a urinar da maneira que seu sexo aparente faz – em pé ou sentado. É frequente dizer que querem se livrar de seus órgãos genitais e principalmente meninos trans, sofrem muito com a presença das mamas e com as transformações corporais que a puberdade traz. Sempre sofrem algum tipo de preconceito e certa incompreensão da sociedade.

No Hospital Guilherme Alvaro, temos um ambulatório para atendimento a esse grupo de pacientes desde março de 2015, que funciona junto ao nosso ambulatório de endocrinologia, e contamos com uma equipe multidisciplinar (assistente social, psicóloga, endocrinologista, urologista, ginecologista, mastologista e cirurgião plástico, além de atualmente termos uma parceria com a Ordem dos Advogados do Brasil – OAB através da Comissão de Diversidade Sexual e Direito Homoafetivo – OAB – Santos)  e damos apoio jurídico para retificação do prenome (nome social), que no Brasil só é possível através de ação judicial. Para manter-se dentro do nosso programa de atendimento, é obrigatório o acompanhamento com a nossa psicóloga, é nosso objetivo oferecer um amplo tratamento adequado,  psicoterápico, medicamentoso e cirúrgico.

A reposição hormonal é um importante componente no tratamento médico, e deve sempre ser realizada por endocrinologista com experiência, hoje temos  algumas diretrizes, como a recentemente publicada no The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism(4) com a participação de diversas associações americanas.

A terapia de reposição hormonal em mulheres trans baseia-se no uso de estrogênios e têm como objetivo desenvolvimento das características femininas e manutenção da massa óssea. Os anti-androgênicos podem ser utilizados para diminuir as características sexuais masculinas.
Efeitos adversos da terapia de reposição hormonal incluem: tromboembolismo venoso, aumento dos níveis de prolactina e depressão,entre outros. Já para homens trans, baseia-se no uso de testosterona, e os principais efeitos colaterais aumento da oleosidade da pele e aparecimento de acne aumento da pressão arterial e aumento dos glóbulos vermelhos.

 

  1. Athayde A V L. Transsexualismo Masculino. Arq Bra Endocrinol metab 2001; 45 (4)
  2. Arcelus J, Bouman WP, Van Den Noortgate W, et al. Systematic review and meta-analysis of prevalence studies in transsexualism. Eur Psychiatry. 2015;30(6):807-15.
  3. De Cuypere G, Van Hemelrijck M, Michel A, et al. Prevalence and demography of transsexualism in Belgium. Eur Psychiatry. 2007;22(3):137-41
  4. J Clin Endocrinol Metab, November 2017, 102(11):1–35

Autor: Dr. Erico Pauli Heilbrun – Endocrinologista e Diretor CIentífico da APM Santos

 

 

 

Esclarecimento e consulta aos médicos

A Associação Paulista de Medicina vem a público esclarecer que não foi consultada nem teve qualquer participação no processo de elaboração da Resolução do Conselho Federal de Medicina nº 2.227/2018, sobre Telemedicina e Teleconsultas.

Convicta de que o assunto requer ampla discussão entre os profissionais de Medicina e seus representantes, solicitamos parecer de vossa senhoria sobre a citada normativa. O objetivo é definir um posicionamento institucional que represente as expectativas dos médicos do País.

Para tanto, disponibilizamos o e-mail defesa@apm.org.br. Contamos com sua participação nesse debate de alta relevância à Saúde e à Medicina.

Grato

José Luiz Gomes do Amaral

Presidente da Associação Paulista de Medicina

Curso Básico de Vinho na APM Santos

Os amantes de vinho podem se preparar: nos dias 12/03, 19/03, 26/03, 02/04 e 09/04 a APM promoverá um curso básico para aprender mais sobre a bebida. As aulas contarão com 2h30 e serão das 20h às 22h30, e terá como sommelier Armando Bisogni.

O valor é R$ 350,00 (sócio) e R$ 370,00 (não sócio).

 

Confira a programação:                                                                         

Aula 1: História do vinho, panorama mundial do vinho e princípios da degustação.

Vinhos:

–  Mancura Etnia Sauvignon Blanc 2017

–  Vistamar Sepia Reserva Chardonnay 2015

 

Aula 2: Viticultura e principais uvas.

Vinhos:

-Vistamar Sepia Reserva Pinot Noir

-Leyda Reserva Cabernet Sauvignon

 

Aula 3 : Vinificação 1 (brancos, rosés, tintos) .

Vinhos:

-Espumante

-Vinho rosado

 

Aula 4:Vinificação 2 (fortificados, doces e espumantes).

-Vinho doce

-Vinho do Porto Ruby

 

Aula 5: Serviço do vinho e enogastronomia

Vinhos:

– Vinho do Porto Tawny

– Tinto encorpado

– espumante doce moscatel

 

 

 

 

Novo edifício da APM disponibiliza apartamentos para locação por diárias

Estará em São Paulo para um congresso? Ficará alguns dias na cidade para visitar um paciente? Virá à capital paulista com a família, a turismo? Em qualquer uma destas ocasiões, pode riscar da lista uma preocupação: hospedagem.

Isso porque a Associação Paulista de Medicina colocou algumas unidades de seu prédio residencial, o Edifício Dr. Florisval Meinão, para locações temporárias a partir de R$ 128 – em sites especializados, como o Airbnb – confira neste e neste link. E os associados da entidade têm 10% de desconto também nesta modalidade.

O empreendimento localizado na Rua Francisca Miquelina possui studios de 30m² a 56m² e fica integrado ao prédio da APM, tornando-se uma excelente opção aos médicos e profissionais de Saúde que vêm aos eventos da entidade. Além disso, é de fácil acesso às Avenidas 23 de Maio e Paulista e a quatro estações de metrô: Anhangabaú, Liberdade, Brigadeiro e Sé.

Os studios para locação temporária têm todo o conforto necessário, com roupas de cama e de banho, cama de casal, TV, wi-fi e cozinha completa (geladeira, cooktop, micro-ondas etc.). Além disso, o hóspede pode utilizar os espaços comuns do prédio, que possui piscina no terraço, academia completa e estacionamento.

O edifício fica no coração de São Paulo, cercado de atrações turísticas, destacando-se os teatros Renault e Municipal. Além disso, a Biblioteca Mario de Andrade, o Farol Santander – Edifício Altino Arantes, a Catedral da Sé, o Mercado Municipal de São Paulo, o Museu de Arte de São Paulo (Masp) e o Bar Balsa, entre outros.

Locações também por períodos maiores

Além dos alugueis temporários, os studios do Edifício Dr. Florisval Meinão estão disponíveis para locação mensal, com valores a partir de R$ 1.500. Estão disponíveis apartamentos mobiliados e semi mobiliados, com ar condicionado instalado. O prédio dispõe de academia equipada, salão de festas decorado e piscina com solário. Existem, ainda, unidades adaptadas para pessoas com mobilidade reduzida.

Além dos serviços básicos – zeladoria, controle de acesso 24 horas, limpeza, conservação e manutenção das áreas comuns e portal exclusivo –, o prédio conta com soluções pay per use, que são inclusas no condomínio de acordo com a demanda dos moradores.

É possível, por exemplo, ter limpeza e arrumação das unidades, manutenção e pequenos reparos (elétrica, civil, hidráulica), lavanderia coletiva e delivery, personal trainer, gourmet buffet, organização de eventos, tecnologia informática e estacionamento com manobrista – pagando apenas se utilizar.

Mais informações pelo site http://www.residencialapm.com.br/ ou com a HFlex, responsável pela administração do edifício e locação das unidades: (11) 5080-0020 | corretores@hflex.net.br.

 

Estudo aponta que a obesidade é erroneamente condenada pela sociedade

A obesidade é uma doença multifatorial complexa e, por ser crônica, deve receber um tratamento adequado, composto por diversas abordagens de equipe multidisciplinar. Entretanto, a sociedade mais crítica estigmatizou a obesidade, o que colabora para a dificuldade no tratamento desses pacientes.

Um estudo descritivo, do tipo transversal, conduzido pelo presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), Dr. Durval Ribas Filho e sua equipe na Fundação Padre Albino (FAMECA-Catanduva), em 2009, avaliou o nível de discriminação com os obesos. Foram apresentadas sete imagens a um total de 304 crianças e adolescentes de 6 a 19 anos, estudantes da rede pública de ensino de um município no interior de São Paulo. Elas retratavam pessoas com os seguintes perfis: saudável (dentro do biótipo padrão da sociedade), obeso, magro anoréxico, deficiente físico em cadeira de rodas, deficiente físico com muletas, deficiente físico com amputação do membro superior e portador de lesões por queimaduras.

Após a exposição das caricaturas, foi realizado um questionário com perguntas ligadas ao caráter de pessoas com base em sua imagem. Foi concluído que para as questões com conotação positiva, como quem seria o mais confiável, mais bonito, mais inteligente, entre outras, o indivíduo saudável foi significativamente o mais votado (41,8% dos votos), como esperado; o queimado (3,1%), o magro (4,5%) e o obeso (6,1%) foram os menos votados. Para as questões com conotação negativa, como em quem você não confiaria, quem é o mais chato, entre outras, o maior percentual dos votos foi destinado ao indivíduo queimado (34,6%), seguido pelo obeso (21,4%) e pelo magro (14%).

“Esse estudo é um pequeno retrato do que acontece na nossa sociedade, e podemos ressaltar que é algo que vem sendo repassado para as crianças. Devemos ensinar e não discriminar. Diversos fatores etiológicos podem levar à obesidade, doença que pode resultar em efeitos devastadores em algumas pessoas. Vejo muito isso em meu consultório: obesos que se veem discriminados, sem vontade de viver”, destaca Dr. Durval Ribas.

Um dos principais pontos é a etiopatogenia dessa doença, que é conhecida pela desregulação do sistema nutroneurometabólico de homeostase energética, também conhecido como sistema endócrino, composto por glândulas que secretam hormônios que mantêm a regulação corporal e sua disponibilidade energética. “Desregular esse sistema altamente complexo faz com que ele dificilmente seja reestabelecido em sua totalidade. A literatura científica comprova isso. E por isso o tratamento é fundamental”, explica o especialista da ABRAN.

Assim como hipertensão e diabetes, o tratamento da obesidade deve ser iniciado por tentativas de dietas responsáveis e atividades físicas como base. Após isso, caso não seja o suficiente, se mostram necessárias mudanças cognitivas e comportamentais. Só então, no caso de não haver resultado, partimos para a farmacoterapia e, apenas em último caso, à cirurgia bariátrica. “Com o desenvolvimento e maior precisão na medicina diagnóstica, podemos, hoje, com um simples exame de sangue, descobrir a existência de proteínas codificadas que atuam na predisposição ao sedentarismo, na baixa oxidação lipídica (processo responsável pela combustão das células do tecido adiposo), na adipogênese (que, é a expansão do tecido adiposo por meio da proliferação de adipócitos, composto em sua maioria por gordura), e na regulação da saciedade, por exemplo”, completa ainda.

É importante ressaltar, de acordo com o presidente da ABRAN, que as dietas da moda não possuem embasamento científico, e que produtos milagrosos para emagrecer não existem. “As fake news favorecem uma discriminação ainda maior em relação aos obesos, pois colocam a perda de peso como algo simples, fácil. No mesmo caminho, as críticas frequentes (especialmente as autocríticas baseadas no que as pessoas veem nas redes sociais) dificultam o tratamento do lado psicológico do paciente e, consequentemente, um tratamento correto do todo, assim como o preconceito quanto à utilização de medicamentos antiobesidade, que favorece o processo de estigmatização do paciente obeso. Afinal, quanto tempo será necessário para que a sociedade entenda que os pacientes obesos precisam de um tratamento adequado? É preciso compreender: nem todo magro come pouco e nem todo obeso come muito”, finaliza o nutrólogo Dr. Durval Ribas Filho.

Fonte: Associação Brasileira de Nutrologia