Frio aumenta o risco de problemas cardíacos

Entre junho e agosto, meses marcados por temperaturas mais frias, as internações nos hospitais públicos da cidade de São Paulo por insuficiência cardíaca e infarto chegam a ser 30% maiores do que no verão. É o que mostra estudo inédito realizado por médicos da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein.

A pesquisa, liderada pelo cardiologista Eduardo Pesaro considerou todas as internações por insuficiência cardíaca (76 474 casos) e infarto agudo do miocárdio (54 561 casos) registradas em 61 hospitais públicos da capital paulista entre janeiro de 2008 e abril de 2015.

Os dados fazem parte do Cadastro Nacional de Saúde, do Sistema Único de Saúde (SUS). Foram consideradas também as temperaturas mínima, máxima e média em cada período ao longo desses sete anos, registradas pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). “Provavelmente isso se dá por fenômenos múltiplos, como o frio e a qualidade de ar como principais aspectos de risco. As pessoas que estão em maior risco e que já são doentes, com pressão alta, diabetes, devem ter uma atenção especial nesse período e maior controle como tomar corretamente o remédio e medir a pressão”, aconselhou o cardiologista.

A pesquisa mostrou ainda que o número médio de internações por insuficiência cardíaca no inverno foi maior em pacientes com mais de 40 anos. Já as hospitalizações por infarto foram registradas em maior número em pacientes com idade superior a 50 anos. De acordo com o cardiologista, as causas do aumento do risco cardiovascular no inverno não estão diretamente ligadas à queda do ponteiro do termômetro, mas às condições ambientais e socioeconômicas de São Paulo.

“Inverno não significa só frio, mesmo porque em São Paulo ele é ameno, com temperatura média de 18 graus e variação de apenas 5 graus. Ele também significa poluição aumentada, crescimento de epidemias provocadas pelo vírus da gripe, o Influenza, além do tempo seco”, diz Pesaro.

Poluição

Com uma população de quase 12 milhões de habitantes e uma frota de 8,64 milhões de veículos (incluindo caminhões e ônibus), São Paulo fica mais poluída no inverno. A baixa umidade, chuva reduzida e as frequentes inversões térmicas (quando o ar frio é bloqueado por uma camada de ar quente e fica preso perto da superfície) são condições que impedem a dispersão de poluentes como monóxido de carbono, dióxido de nitrogênio, dióxido de enxofre e material particulável inalável.

“Temperatura baixa, pouca umidade e alta poluição contribuem para uma maior incidência de doenças respiratórias e gripe, com o consequente aumento do risco cardiovascular”, explica Pesaro.

Uma das hipóteses levantada no estudo é de que o aumento da probabilidade de infarto e de insuficiência cardíaca no inverno está relacionado às condições socioeconômicas da população. De acordo com o Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, na região metropolitana de São Paulo, 596 479 casas são consideradas subnormais, como assentamentos irregulares, favelas, invasões, palafitas, comunidades com deficiência na oferta de serviços públicos básicos, como rede de esgoto e tratamento de água, coleta de lixo e energia elétrica. A capital paulista concentra dois terços desse total ou 397 652 lares.

“Em São Paulo, uma população mais desamparada, com casas improvisadas ou sem aquecimento, mais exposta à poluição e ao frio pode apresentar mais risco de ter doenças cardíacas no inverno que uma pessoa que mora em um país de clima temperado, mas está mais protegida por ter calefação na residência e roupas melhores”, diz Pesaro.

Para se proteger, ele recomenda que as pessoas que têm condições, aqueçam bem a casa. “Um aquecedor portátil ajuda em semanas mais extremas de frio. Outra coisa é tratar do vazamento de ar frio por janelas, portas e telhado. E também se agasalhar melhor, pois tudo isso contribui com a proteção, a ideia é não expor ao frio as pessoas que têm maior risco, como idosos e doentes cardiovasculares”.

Ele ainda ressalta a importância da vacinação. “As epidemias virais e as gripes aumentam o risco cardíaco. Vacinar-se especialmente nas vésperas do outono e inverno é importante também”.

O que acontece com o coração

O frio faz os vasos sanguíneos se contraírem e eleva a liberação de adrenalina, o que culmina na subida da pressão arterial. Além disso, o aumento da poluição contribui para doenças respiratórias que sobrecarregam o coração. Já o Influenza (vírus da gripe) é capaz de causar inchaço ou inflamação das coronárias, com a possibilidade de liberar as placas de colesterol nela depositadas. As placas, por sua vez, podem causar bloqueios e interromper o fluxo sanguíneo.

Para Pesaro, o governo precisa investir em políticas públicas que melhorem a qualidade de vida da população. “As pessoas e os governos têm que cuidar melhor daqueles indivíduos em maior risco durante o inverno. Quem tem risco deve regularizar o controle das suas próprias doenças, como por exemplo, pressão alta, que sabemos que aumenta no inverno, lembrar de tomar os remédios, fazer a medida da pressão com periodicidade e tentar não passar frio mesmo dentro de casa”, aconselha.

Fonte: Abril

Após baixa procura, campanha de vacinação contra gripe é prorrogada

O Ministério da Saúde anunciou que a campanha de vacinação contra a gripe terá continuidade até 22 de junho. O governo decidiu prorrogar a campanha devido ao baixo índice de comparecimento: 77% do público-alvo foi vacinado. O número é considerado baixo pela pasta, que estabeleceu como meta a cobertura de 90% dessa população, o que equivale a 54 milhões de pessoas. Desde o início da campanha, no dia 23 de abril, 42,6 milhões de pessoas se vacinaram.

A região Sudeste é a que possui menor cobertura até agora: 71% do público prioritário foi protegido. Na sequência, estão Norte (72%), Sul (81,3%), Nordeste (84%) e Centro-Oeste (91,4%). Em estados como Roraima, Rio de Janeiro, Rondônia e Rio Grande do Sul, a baixa cobertura vacinal é ainda mais preocupante. Neles, os percentuais chegam a 53,59%, 57,29%, 70,91% e 77,82%, respectivamente. Apenas Goiás, Amapá e Ceará ultrapassaram a meta de 90%.

Segundo o ministério, a situação acende um alerta, dada a proximidade do inverno, período de maior circulação do vírus da gripe. Além disso, neste ano, já foram contabilizados 2 715 casos de influenza, mais do que o dobro em relação ao mesmo período do ano passado (1 227). As mortes decorrentes da doença também aumentaram: passaram de 204, em 2017, para 446, em 2018. Apesar do crescimento, os números estão distantes dos registrados em 2016, quando houve forte incidência da influenza no Brasil, com 12 174 casos e 2 220 óbitos derivados deles.

“Nós entendemos que a estratégia é: atuação mais proativa para ir buscar esse público-alvo”, afirmou o ministro da Saúde, Gilberto Occhi, que citou iniciativas de vacinação e de conscientização envolvendo imprensa, escola e agentes comunitários de saúde como exemplos.

O público-alvo

O público prioritário da campanha é composto por idosos a partir de 60 anos, crianças de 6 meses a 5 anos, trabalhadores em saúde, professores das redes pública e privada, povos indígenas, gestantes e mulheres que tenham tido filhos há 45 dias, bem como pessoas privadas de liberdade.

Crianças e gestantes são os grupos que registraram menor cobertura vacinal neste ano, assim como ocorreu no ano passado. Na região Sudeste, por exemplo, menos da metade (48,95%) das crianças que devem ser vacinadas foram imunizadas. Já o percentual de gestantes atingiu 54%.

“Essas são as pessoas com uma imunidade menor do que as demais”, disse o ministro. Ele destacou a necessidade de um maior envolvimento da população, especialmente no caso das crianças, devido à dependência de adultos para que as levem até os postos.

Na região Centro-Oeste, o grupo mais vulnerável à doença é o formado pela população indígena, cujo percentual de vacinação alcançou 74,1%. Também nesta região, que já conseguiu ultrapassar a meta de 90%, crianças e gestantes chegam a 76,29% e 75,02%, respectivamente, percentuais menores do que os dos demais grupos prioritários. “Esse alerta a gente faz para que esses grupos tenham como procurar os postos de vacinação para efetuar sua proteção”, destacou o secretário de Vigilância em Saúde, Osnei Okamoto.

Estoques de vacinas

A meta de vacinação do Brasil supera a de 80% fixada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), mas o Ministério da Saúde garantiu vacinas para todas as pessoas que integram o público prioritário da campanha. De acordo com Mauro Junqueira, presidente do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), todos os municípios têm as doses disponíveis, inclusive em lugares de difícil acesso, como na Região Norte.

A partir do dia 25 de junho, poderão ser vacinados outros grupos etários, como crianças de 5 a 9 anos e adultos de 50 a 59. A vacinação desse público dependerá da disponibilidade das doses nos municípios.

Além da vacinação, cuidados com a higiene podem ajudar a população a se prevenir. Lavar e higienizar as mãos com frequência, utilizar lenço descartável para higiene nasal, cobrir nariz e boca ao espirrar ou tossir, evitar tocar mucosas de olhos, nariz e boca, não compartilhar objetos de uso pessoal, como talheres e pratos, e manter os ambientes bem ventilados são algumas das medidas sugeridas pelo ministério.

SUS sofre com equipamentos inutilizados

Os gargalos do Sistema Único de Saúde (SUS) são amplamente debatidos com frequência pela Revista da APM, tornando-se de conhecimento de toda a classe médica. Há o subfinanciamento do sistema, a gestão temerária que precisa evoluir e o déficit de profissionais em determinadas regiões. Somam-se a esses fatores dados de recente levantamento realizado pelo jornal O Estado de S. Paulo: são 37 mil equipamentos fora de uso em todo o País no setor público.

Embora o problema seja mais grave no Distrito Federal e em Rondônia (com 8,1% a 10% dos equipamentos fora de uso) e Rio Grande do Sul (6,1% a 8%), São Paulo também apresenta números preocupantes. Foram estimados de 4,1% a 6% de equipamentos fora de uso, a exemplo de mais nove estados brasileiros. Os demais dividem a faixa de até 4%. Lideram a problemática lista os reanimadores pulmonares, bombas de infusão, canetas de alta rotação, monitores cardíacos e respiradores.

“Enxergamos os números com extrema tristeza, pois esses aparelhos – mesmo que não sejam os mais modernos – se estivessem funcionando poderiam ajudar na realização de exames e cirurgias. Por consequência, as longas filas de espera no atendimento seriam reduzidas”, argumenta Marun David Cury, diretor adjunto de Defesa Profissional da Associação Paulista de Medicina.

Para ilustrar, na cidade de São Paulo são 59.716 equipamentos existentes, com 3.168 deles fora de uso. Aqui, os sistemas de manutenção da vida (desfibriladores e incubadoras) são os que mais despontam entre os não utilizados, atingindo quase 2.000 unidades. Há, inclusive, equipamentos de infraestrutura, como ar-condicionado e gerador, não instalados na rede pública municipal.

Infelizmente, considera Marun Cury, a solução passa por um aporte financeiro para a manutenção e reposição, o que é difícil quando há um Governo que não investe em Saúde. “Além do mais, a cadeia de atendimento do setor tem tantos problemas, que essa restauração se torna complicada. Precisamos de governantes com boa vontade para enxergarem este problema, além de um financiamento mais adequado às demandas reais do SUS”, completa.

Em nota, o Ministério da Saúde assegura que 95% dos equipamentos existentes no SUS se encontram em uso, segundo o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES). Quem preenche esse sistema são os gestores locais. A pasta argumenta que os aparelhos que não estão funcionando estão em manutenção, foram substituídos por novos ou mesmo aguardam instalação.

O órgão também destacou que é de sua responsabilidade a compra direta e centralizada dos equipamentos, visando a melhor distribuição e o reforço de determinados serviços no País. “Em 2014, as compras de aparelhos registraram um

valor da ordem de R$ 262,2 milhões para ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e Unidades Odontológicas Móveis, por exemplo”, registra o documento.

Radioterapia

Outra recente denúncia na imprensa partiu do comentarista de Saúde da Rádio CBN, TV Globo e Globo- News, Luis Fernando Correia. O médico apontou que o Governo Federal lançou – por meio da Portaria 931, de 2012 – a proposta de instalar 80 unidades de radioterapia em todo o território nacional, após diagnóstico do cenário de tratamento de câncer no Brasil. Em seu comentário, Correia traz dados do Ministério da Saúde que revelam que, já em 2015, nenhuma das unidades foi instalada, três tiveram as obras iniciadas e uma está com a licitação homologada. A Organização Mundial de Saúde prevê que, idealmente, exista uma unidade de radioterapia para cada 300 mil habitantes. No Brasil, este índice está em 0,54, sendo que no Norte e no Nordeste o número não chega a 0,30. No Sudeste, existe 0,75 unidade para cada 300 mil pessoas.

Segundo Carlos Eduardo Almeida, coordenador do Programa Nacional de Formação em Radioterapia, desenvolvido pela Fundação do Câncer, ainda que a premissa nacional fosse calculada em uma unidade para cada 550 mil habitantes, o déficit existiria. Nesse cenário, precisaríamos de 373 equipamentos. Hoje, seriam necessários aproximadamente 200 novos aparelhos para suprir esta demanda – fora a necessidade de substituição de cerca de 150 equipamentos antigos e obsoletos do parque atual do Brasil.

O professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) acredita que um bom caminho é a criação de novos centros satélites, de forma a garantir a qualidade necessária aos procedimentos e uniformidade nos resultados. “Também poderíamos reduzir impostos de importação, melhorar a remuneração do SUS, permitir a importação de equipamentos seminovos com garantias e aumentar a auditoria técnica nos centros atuais”, afirma.

“Seria importante, ainda, retomar o conceito de credenciamento de serviços de radioterapia isolados, a exemplo do que ocorria no passado e acontece em outros países. Os centros privados nacionais também atuam desta maneira, atendendo pacientes particulares e de convênios em ambientes fora dos hospitais, mas garantindo a integralidade do tratamento de acordo com cada linha de cuidado específico”, finaliza Almeida.

Fonte: APM

Reunião na APM definiu reivindicações da classe às empresas de planos de saúde para 2016

27/11/2016

A campanha de valorização 2016 e um balanço das negociações com operadoras de planos de Saúde ao longo deste ano de 2015, foram as principais pautas do encontro com representantes das entidades médicas realizado na sede da Associação Paulista de Medicina (APM) neste 24 de novembro.

O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo esteve representado na reunião por Renato Azevedo, 1º Secretário, e João Ladislau Rosa, 2º Tesoureiro.

Para Azevedo, a organização da Comissão Estadual de Honorários Médicos e o empenho da diretoria de Defesa Profissional da APM são fundamentais para as negociações com as seguradoras e operadoras de saúde. “É importante ressaltar que este embate é antigo e precisamos entender que não podemos esfriar nosso movimento. Só ganharemos o que buscamos se nos organizarmos e lutarmos”, enfatizou.

Ladislau lembrou que a coesão de todas as entidades estaduais é imprescindível, evidenciando a robustez do movimento médico no Estado de São Paulo. “Somente desta maneira, unindo todas as entidades e as sociedades de especialidades, conseguiremos avançar”, acrescentou.

Segundo o presidente da APM, Florisval Meinão, é extremamente positivo o fato de os médicos anteciparem seu calendário de mobilização porque, de acordo com a lei 13.003, planos e seguros devem apresentar suas propostas de acordo à classe até o final de março de cada ano letivo. “Agora teremos um tempo mais adequado para o envio das reivindicações e para negociar dentro do prazo que a legislação estabelece. O movimento está se adequando à nova dinâmica imposta pela lei e construirá uma estratégia forte para resgatarmos honorários e melhorar a assistência aos pacientes”, disse.

Eixos 2016

1) Reajuste linear para consultas e procedimentos;
2) Fator de qualidade com 100% para todos prestadores. Bonificação para os que atingirem os critérios de qualidade (Residência, título de especialista e pós-graduação);
3) Reajustes baseados unicamente em índices cheios. Proibição de uso fracionado;
4) Denúncia ao Ministério do Trabalho das empresas que não negociarem.

A pauta da campanha de valorização de 2016 será encaminhada a todas as empresas de saúde suplementar nos próximos dias.

Fonte: APM

Você sabia que está pagando mais ISS do que deve?

Você sabia que a recente decisão da Prefeitura Municipal de Santos em transformar o recolhimento do ISS das sociedades uni profissionais de um valor fixo para uma alíquota de 2% sobre o faturamento das sociedades pode ser contestada?

Palestra: Sociedades Uni Profissionais e o recolhimento do ISS

  • Objetivo: Esclarecer dúvidas dos Médicos que atuam como pessoa jurídica na condição de uni profissionais sobre a imposição da Prefeitura na cobrança do ISS Mensal. 

Data: 18/11/2015

Duração: 2 horas

Local: APM – Santos

Palestrante: Dr. Luis Carlos Grossi

– Realização: APM Santos e Medicon
– Informações e inscrições: Secretaria da APM Santos – (13) 3289 – 2626 / 3289 – 4615
– Organização: MEDICON – AGL Contabilidade

Programação: 

• Apresentação da Solução MEDICON – Portal de Atendimento – Solução contábil e tributária para médicos, com atendimento remoto, de forma totalmente digital.
• O que é a sociedade uni profissional.
• Qual a tributação das sociedades uni profissionais.
• Sociedade Uni profissional X Sociedade Empresária.
• Sociedade Uni profissional X EIRELI.
• Desenquadramento da Sociedade Uni profissional e suas implicações.
• Opções em caso de desenquadramento.
• Discussão com a plateia.

PEC 454 – Saiba mais sobre essa proposta

A APM Santos foi recebida nesta manhã pelo Deputado Federal João Paulo Tavares Papa. A classe médica está empenhada em conseguir a aprovação da PEC 454, que tem como objetivo a “carreira de médico do estado”. O Deputado manifestou sua opinião favorável à aprovação da nossa proposta.

O que é a PEC 454?

A PEC 454/09 é uma proposta de criação de carreira estatal para médicos. Ela surgiu como uma alternativa mais consistente e duradoura para resolver parte dos problemas enfrentados no setor de Saúde do Brasil.
Entre as sugestões presentes nas propostas da PEC está a admissão de médicos mediante a concursos públicos, ascensão por tempo de serviço e aperfeiçoamento, e garantia de um subsídio fixado por lei.


Nobel de Medicina pode estimular avanços contra doenças negligenciadas

Três cientistas que contribuíram para melhorar o tratamento de doenças consideradas negligenciadas e que afetam as populações mais carentes do mundo foram anunciados como vencedores do Prêmio Nobel em Fisiologia ou Medicina de 2015.

Youyou Tu, da Academia Chinesa de Medicina Tradicional, em Pequim, receberá metade da premiação, estimada em oito milhões de coroas suecas (cerca de R$ 3,8 milhões), pelas pesquisas que levaram ao desenvolvimento da artemisinina, ainda hoje considerada a droga mais potente contra a malária.

William C. Campbell, da Drew University in Madison, nos Estados Unidos, e Satoshi Omura, da Kitasato University, no Japão, dividirão a outra metade pela descoberta de uma classe de drogas – a avermectina – cujos derivados se mostraram capazes de matar parasitas causadores da filariose linfática (elefantíase) e da oncocercose (cegueira do rio).

Na avaliação de pesquisadores entrevistados pela Agência FAPESP, o reconhecimento pode ajudar a impulsionar pesquisas em duas áreas nas quais o Brasil se destaca mundialmente: doenças negligenciadas e química de produtos naturais.

“Essas descobertas ressaltam o grande potencial da utilização de moléculas de origem natural em quimioterapia antiparasitária. O Brasil possui a maior biodiversidade do planeta e precisa começar a explorá-la em bioprospecção de forma mais sistemática”, avaliou Lucio Freitas Junior, pesquisador do Laboratório Nacional de Biociências (LNBio) que coordenou em junho uma Escola São Paulo de Ciência Avançada (ESPCA), da FAPESP, dedicada à descoberta de drogas para doenças negligenciadas causadas por parasitas.

Para Freitas Junior, a premiação é consequência de um esforço mundial que tem sido feito no sentido de aumentar o conhecimento sobre a realidade das doenças tropicais, que são graves, afetam grande parte da população mundial e para as quais não há terapias satisfatórias na maior parte dos casos.

“As verminoses estão entre as doenças mais prevalentes no mundo e são causadoras de grande morbidade, principalmente em crianças. A descoberta da avermectina e de seus derivados proporcionou um grande avanço no controle, por serem mais eficazes e menos tóxicos do que as drogas usadas anteriormente. No caso da malária, a descoberta da artemisinina trouxe grande esperança no tratamento. Diversos locais apresentavam uma grande incidência de casos resistentes às drogas existentes até então”, disse Freitas Junior.

“O impacto da artemisinina foi enorme. A droga ainda é o melhor tratamento disponível. Ainda que haja resistência em partes da Ásia, as terapias combinadas com base na artemisinina (ACTs) salvam vidas diariamente na África, na Amazônia e em outras áreas endêmicas. Sem ACT a mortalidade por malária seria extremamente alta e os avanços alcançados no combate à doença até o momento não teriam sido possíveis”, disse Marcia Castro, professora da Harvard T.H. Chan School of Public Health, dos Estados Unidos.

Para Castro, o prêmio pode servir de estímulo para a busca contínua de novas drogas, o que a pesquisadora considera de “extrema importância”, considerando a ameaça crescente de resistência aos medicamentos atuais.

“Hoje se disseminou a ideia de saúde global. O mundo descobriu que é impossível ignorar os problemas de saúde dos países mais pobres, pois de certo modo todos estão potencialmente expostos a eles, seja pelo turismo ou migrações”, opinou Marcelo Urbano Ferreira, pesquisador do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) e organizador da Escola São Paulo de Ciência Avançada para a Erradicação da Malária, realizada no fim de setembro com apoio da FAPESP.

“Acho muito positivo o fato de que o conceito de saúde global tenha progressivamente substituído a velha ideia de medicina tropical. Um mundo só é saudável quando todas as populações, de todas as partes do globo, têm acesso aos meios mais modernos e eficientes para diagnosticar, tratar e prevenir as doenças a que estão expostas”, acrescentou Ferreira.
Segundo André Tempone, coordenador do Laboratório de Novos Fármacos – Doenças Negligenciadas do Instituto Adolfo Lutz, a química de produtos naturais e as doenças negligenciadas são duas áreas fortes da pesquisa brasileira e a premiação deve contribuir para atrair a atenção mundial para esses temas e impulsionar novas descobertas.

Histórico

Nos anos 1960, os principais medicamentos usados no combate à malária eram a quinina e a cloroquina, mas os casos de resistência eram crescentes na Ásia e o governo chinês criou um programa secreto para buscar novas terapias. Tu e seus colaboradores triaram mais de 2 mil substâncias extraídas de plantas tradicionalmente usadas como remédio na China.
Em 1972, o grupo demonstrou que o extrato da Artemisia annua era particularmente eficaz tanto contra o Plasmodium falciparum quanto contra o Plasmodium vivax, as principais espécies causadoras de malária em humanos.

Já Omura, trabalhando no Japão, isolou no solo bactérias do gênero Streptomyces conhecidas por sua capacidade de produzir compostos com ação antimicrobiana. Em 1974 ele isolou a espécie Streptomyces avermitilis e enviou com outras espécies para um grupo de pesquisa do Merck Institute for Therapeutic Research in Rahway, nos Estados Unidos, liderado por Campbell.
O grupo de Campbell isolou avermectinas em culturas de bactérias e aperfeiçoou a estrutura do composto mais promissor, criando o medicamento ivermectina. Em 1987, a Merck anunciou que o fármaco seria doado a qualquer necessitado para o tratamento de oncocercose. Uma década depois a droga também passou a ser doada para o tratamento da filariose.

“As duas descobertas proporcionaram à humanidade novos e poderosos meios de combater essas doenças debilitantes, que afetam centenas de milhões de pessoas anualmente. As consequências em termos de melhorar a saúde humana e reduzir o sofrimento são imensuráveis”, disse o comitê organizador do Nobel.

Segundo dados da organização internacional sem fins lucrativos Drugs for Neglected Diseases initiative (DNDi), há 120 milhões de pessoas afetadas pela filariose linfática em áreas tropicais e mais de 1,4 bilhão está em risco no mundo. Entre os parasitas causadores estão as espécies Wuchereria bancrofti, Brugia malayi, Brugia timori. A oncocercose, causada pelo parasita Onchocerca volvulus, afeta mais de 37 milhões de pessoas no mundo e 169 milhões estão em risco.

Fonte: Rede Notícia

Programa Nacional de Valorização da Residência Médica e paralisação em 24/09

No último dia 11 de setembro, a Associação Paulista de Medicina recebeu a visita de Lucas Hortêncio, presidente da Associação dos Médicos Residentes da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (Amerusp), que participou da reunião de diretoria da APM em busca de apoio ao novo projeto dos residentes: o Programa Nacional da Valorização da Residência Médica.

É sabido que a residência médica tem sofrido sucessivos golpes nos últimos anos, como a instituição dos programas de Valorização do Profissional da Atenção Básica (Provab) e Mais Médicos, que influenciam na redução drástica da qualidade do ensino no País. “Há, ainda, decisões unilaterais com as quais não concordamos. Um ano adicional de Medicina de Família e Comunidade em todas as residências – instituído na nova fase do Mais Médicos – é uma delas”, comentou Hortêncio.

Em sua opinião, neste ano de 2015, a conjuntura econômica do País resultou em cortes de verbas na maioria esmagadora das instituições públicas de Saúde. Ele conta que, se antes as unidades sofriam do ponto de vista assistencial com a falta de preceptores, de didática e de plano de competências e ensino, hoje as carências são das mais básicas: vão de gaze à insulina.

“Essa situação resultou em uma grande greve dos residentes da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), encerrada recentemente. A partir disso, a Associação Nacional dos Médicos Residentes realizou um Congresso Nacional, no último dia 23 de agosto, que reuniu representantes de nove estados das cinco regiões do Brasil. Neste encontro, decidiu-se pela criação do Programa Nacional da Valorização da Residência Médica.”
Com nove tópicos (confira abaixo), a carta foi encaminhada ao Ministério da Saúde.

“Estamos nos articulando com outras entidades para fortalecer essa pauta. No próximo dia 24 de setembro, realizaremos uma grande paralisação nacional de residentes e temos a expectativa de atingir um grande número de hospitais. Antes disso, distribuiremos panfletos para mostrar a sociedade onde nossas pautas se encontram”, finalizou o presidente da Amerusp.

Confira os itens do Programa:
1) Aumento da representação das entidades médicas na composição da Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM) e fim da Câmara Recursal;

2) Fiscalização imediata de todos os programas de residência do País para garantir a qualidade destes, antes da abertura de novas vagas. A fiscalização deverá ser realizada por médico de especialidade correspondente ao programa e representante dos médicos residentes;

3) Revisão completa do texto do Decreto nº 8.497, de 4 de agosto de 2015, para garantir que a Residência Médica permanece como padrão ouro de formação de especialistas [texto substituído pelo Decreto 8.516, de 10 de setembro de 2015];

4) Levantamento dos cortes orçamentários e suspensão destes em todos os serviços (hospitais, unidades básicas de saúde, etc.) em que atuam médicos residentes;

5) Plano de carreira e de valorização para os Médicos Preceptores, com inclusão de remuneração adequada, desenvolvimento continuado e tempo exclusivo para atividades didáticas;

6) Plano de carreira nacional para médicos do Sistema Único de Saúde (SUS) com garantia de remuneração adequada, progressão de carreira, desenvolvimento profissional e educação continuada;

7) Fim imediato da carência de 10 meses para que médicos residentes possam usufruir de seus direitos junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS);

8) Cumprimento da legislação vigente sobre residência médica com a garantia do auxílio-moradia;

9) Isonomia da Bolsa de Residência Médica com bolsas oferecidas por outros programas de ensino médico em serviço do Governo Federal, como Provab e Mais Médicos. A complementação deverá ser realizada com recursos dos Ministérios da Educação e Saúde para não onerar as Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde.

Fonte: APM 

Santa Casa de Santos receberá R$ 94 milhões do BNDES em até 30 dias

A Santa Casa de Santos, no litoral de São Paulo, receberá, em até 30 dias, R$ 94 milhões em recursos disponibilizados por meio de um empréstimo com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

A decisão foi tomada após uma reunião no Rio de Janeiro, nesta segunda-feira (31), com representantes da administração pública, do hospital e o diretor do banco, José Henrique Padim.

De acordo com funcionários, os problemas financeiros vividos pela instituição, além de poder paralisar o serviço prestado pelo SUS, também são refletidos no pagamento dos salários de alguns médicos. Os vencimentos estão atrasados.

Ficou definido que o hospital irá receber a primeira parte do montante de um total de R$140 milhões solicitados. Os R$ 46 milhões restantes dependem de uma autorização do Ministério de Saúde e da Caixa Econômica Federal.

O prefeito Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), o secretário de saúde, Marcos Calvo, o provedor da Santa Casa, Felix Alberto Ballerini, e a diretora financeira, Mirian Cajazeira, participaram da reunião com o diretor do banco.

Fonte: g1