Acupuntura baseada em evidências

Lin CA, Hsing WT, Pai HJ. Acupuntura: prática baseada em evidências. Rev Med (São Paulo). 2008 jul.-set.;87(3):162-5.

Prática milenar, fazendo parte da chamada Medicina Tradicional Chinesa, a Acupuntura tem experimentado um aumento expressivo de adeptos, tanto em números dos que praticam, como em número dos que se submetem ao seu tratamento.

Estudos, bem desenhados, apontam a eficácia da acupuntura.

Vickers et al (1), usando escala de escore para cefaléia e questionário de qualidade de vida SF 36, realizaram um estudo prospectivo, randomizado e controlado com 401 pacientes com queixa de cefaléia crônica (maioria enxaqueca), na rede de atenção primária na Inglaterra e no País de Gales. Ele testou a acupuntura (12 sessões em 3 meses) além de medicação consagrada para a cefaléia.

O grupo da acupuntura teve melhora mais acentuada na escala de sintomas. Acupuntura 34% de redução em sintomas e grupo controle 16% de redução em sintomas, diferença ajustada de 4,6, intervalo de confiança de 95% 2,2-7,5, p < 0,0002), teve 22 dias a menos de cefaléia (intervalo de confiança de 95% 8-38), usou 15% a menos de medicação (p=0,02), teve 25% a menos de visita a médico (p = 0,1), teve 15% a menos de ausência ao trabalho (p = 0,2).

Zhao e colaboradores (2), numa revisão, extende a indicação da acupuntura para outras cefaléias como tensional.

Witt et al (3) realizaram um estudo clínico randomizado e controlado (acupuntura versus grupo controle), com um braço de coorte não-randomizado e prospectivo, no tratamento de dor lombar.

Todos os grupos receberam medicação consagrada para dor lombar. Dos 11.600 pacientes, 1.549 foram randomizados para o grupo acupuntura, 1.544 foram para o grupo controle e 8.537 pacientes foram para o grupo não randomizado para o tratamento de acupuntura. Escala de funcionalidade da região dorsal (Hannover Functional Ability Questionnaire), escore de dor e qualidade de vida foram avaliados. Após 3 meses, a funcionalidade da região dorsal melhorou de 12,1 a 74,5, grupo controle melhorou de 2,7 a 65,1, diferença de 9,4 (intervalo de confiança 95% 8,3-10,5, p < 0,001). O grupo não randomizado começou com a funcionalidade pior, mas experimentou a melhora semelhante ao grupo da acupuntura.

Flachskampf et al(4) randomizaram 160 pacientes com hipertensão arterial sistêmica não complicada (dos quais 140 concluíram o estudo), para acupuntura real (72 pacientes) e acupuntura sham (placebo – 68 pacientes). Setenta e oito por cento tomavam medicação anti-hipertensivas, que não foram mudadas.

Foi avaliada: pressão arterial média de 24 horas, logo após o tratamento, 3 meses e 6 meses depois. A diferença de pressão arterial média de 24 horas entre os grupos acupuntura real e acupuntura sham foi 6,4 mmHg (intervalo de confiança 95% 3,5 a 9,2) e 3,7 mmHg, respectivamente sistólica e diastólica. No grupo acupuntura real, houve redução de pressão arterial média de 24 horas de 5,4 mmHg (intervalo de confiança 95% de 3,2 a 7,6) e 3,0 mmHg (intervalo de confiança 95% 1,5 a 4,6) , respectivamente sistólica e diastólica. Os níveis de pressão voltaram a níveis pré-tratamento aos 3 e 6 meses após o tratamento. Os autores concluíram que a acupuntura real e não sham, reduziam a pressão arterial média de 24 horas logo após o tratamento, cessando o efeito assim que cessa o tratamento.

Manheimer et al (5) realizaram uma metanálise, incluindo 1366 mulheres em tratamento para fertilização in vitro em 7 estudos clínicos.

Controles sem tratamento e acupuntura sham foram usados nestes estudos. A conclusão dos autores revela que a acupuntura contribui para a melhora clinicamente relevante da gravidez.

CONCLUSÃO

A breve revisão dos trabalhos recentes acima

realizada, aponta para uma direção diferente dos estudos realizados anteriormente.

É um cenário novo, a exigência no mercado de trabalho exercerá maior aperfeiçoamento dos novos médicos que exercerão a especialidade. Não obstante, os médicos de outras especialidades terão de se familiarizar com as novas indicações, contra-indicações e eficácia para tratamento de doenças que antes não faziam parte do escopo de doenças tratáveis por acupuntura.

REFERÊNCIAS

  1. Vickers AJ, Rees RW, Zollmman CE, McCarney R, Smith C, Ellis N, et al. Acupuncture for chronic headache in primary care; large, pragmatic, randomized trial. BMJ.

2004;328:744-50.

  1. Zhao CH, Stillman M, Rozen TD. Traditional and evidence-based acupuncture in headache managemente: theory, mevhanism and practice. Headache. 2005; 45(6):716-30.
  2. Witt CM, Jena S, Selim D, Brinkhaus B, Reinhold T, Wruck K, et al. Pragmatic randomized trial evaluating the clinical and economic effectiveness of acupuncture for chronic low back pain. Am J Epidemiol. 2006;164:487-96.
  3. Flachskampf FA, Gallasch J, Gefeller O, Gan J, Mao J,

Pfahlberg AB, et al. Randomized trial of acupuncture to lower

blood pressure. Circulation. 2007;115:3121-9.

  1. Manheimer E, Zhang G, Udoff L, Haramati A, Langenberg P, Berman B, et al. Effecs of acupuncture on rates of pregnancy and live birth among women undergoing in vitro

fertilization: systematic review and meta-analysis. BMJ.2008;336:545-9

Setembro Amarelo – mês mundial da prevenção do suicídio

O suicídio é um problema de saúde pública que mata pelo menos um brasileiro a cada 45 minutos, ou 32 atos ocorridos todos os dias, de acordo com o Ministério da Saúde. Estudos indicam que esta ação pode ser prevenida em 9 a cada 10 casos. O movimento Setembro Amarelo, mês mundial de prevenção do suicídio, iniciado em 2015, visa sensibilizar e conscientizar a população sobre a questão.

De acordo com o Centro de Valorização à Vida (CVV), uma das entidades mobilizadoras do Setembro Amarelo no Brasil, muitas vezes, as pessoas precisam de acompanhamento médico e psicológico e que o serviço do CVV atua em situações de crises como complemento a esse tratamento.

Empresas e demais pessoas podem promover ações na comunidade e também usar uma peça de roupa amarela ou usando uma fita com essa cor, levantando o tema em seus grupos e buscando informações confiáveis sobre o assunto. De acordo com a cartilha no site do Ministério da Saúde, a meta é reduzir em 10% a mortalidade por suicídio até 2020.

Mindfulness: Conceito à Prática

Autor: Caio N Reis – Instrutor Sênior de Mindfulness certificado pela MTi.

Uma das abordagens de Mindfulness é a capacidade de direcionar a atenção de uma maneira especial para as situações que estão acontecendo neste momento. Uma forma simples de traduzir isso é Mindfulness como sendo Atenção Plena.

Essa maneira especial – de depositar minha plena atenção para as situações que ocorrem no Presente (nem no Passado, nem no Futuro) -, pode trazer inúmeros benefícios já que ao me tornar atento por inteiro, e ao estar ciente disso, ganho mais clareza e consciência daquilo que está acontecendo. Passo a ter melhores respostas nas minhas interações, pois basicamente reduzo a minha experiência para algo mais direto, aquilo que está sendo vivido naquele momento. Isso contribui para melhor produtividade, maior foco, tomada de decisão, flexibilidade mental, calma, redução de estresse e diminuição de ansiedade.
Por isso, outra abordagem é Mindfulness como sendo Consciência Plena.

Num mundo em que a demanda só cresce, as responsabilidades aumentam, a conectividade nos acompanha em todos os lugares, as interações e impactos não param de acontecer, Mindfulness pode ser uma pausa estratégica. E isso não é necessariamente algo passivo. Pelo contrário, exige Intenção de estar atento, Atenção disponível e Atitudes que irão contribuir para esse modo de agir. Por ser dissociado de religião e ter muitas evidências científicas (já são mais de 1500 pesquisas), está obtendo resultados positivos em Organizações, Sistema de Saúde, Educação, Esportes e até mesmo Política – Parlamento inglês utiliza práticas de Atenção e Consciência Plena.

A desatenção, ou estar “Mindless”, por sua vez pode trazer sintomas de infelicidade. E isso foi apontado num estudo conduzido por Harvard em 2012 e publicado na Revista Science: passamos em média 47% do dia divagando, seja com pensamentos que oscilam (entre passado e futuro) ou qualquer elemento que nos tira daquilo que estaríamos nos propondo a fazer naquele momento. Ou seja, grande parte do nosso dia não estamos atentos àquilo que deveríamos estar fazendo. Os dados não param de crescer e de demonstrar como o estar “Mindful” pode ser, não somente uma boa idéia, e sim algo muito importante para assumirmos o controle da nossa vida novamente. É uma proposta de utilizar técnicas mais inteligentes para lidar com as situações do cotidiano, sejam elas externas ou como lidar com as perspectivas internas.

Numa definição mais prática trazida por Jon Kabat Zinn, pesquisador, doutor em Biologia Molecular e professor Emérito da Escola de Medicina de Massachusetts (e um dos pioneiros a sintetizar o tema no Ocidente), Mindfulness é a consciência que emerge quando me coloco Atento de forma intencional cultivando algumas Atitudes (abertura, curiosidade e não julgamento).

Algumas considerações chaves para incorporar Mindfulness no dia a dia: treino e mente de principiante – que é aquela que está sempre disponível para aprender algo novo.
Além disso, podemos desenvolver Atenção e Consciência Plena de diversas formas. 1. Uma mais tradicional é nos concentrar de modo reservado por um período de tempo determinado seja sentado ou deitado, por exemplo -que são as meditações formais-; 2. Aproveitar as oportunidades do dia e cultivar pílulas de Atenção Plena – que são as práticas do cotidiano. Esse segundo formato contribui com novas perspectivas para aquilo que fazemos muitas vezes de forma automática ou dispersa (lembrem que isso é 47% do nosso tempo).
Querem experimentar um desses exercícios para a rotina?
Podemos usar o Acrônimo PARAR e sistematizar essa pausa.

P: Pare por um instante
A: Aprecie o que estiver acontecendo com olhar de principiante
R: Respire de forma atenta e consciente
A: Amplie a sua percepção
R: Responda com Atenção e Consciência Plena

Síndrome da realimentação: pouco conhecida e fatal

Autora: Dra. Márcia Souza Carvalho
Diretora Científica Adjunta da APM Santos

Porque uma pessoa em jejum prolongado ao receber carboidratos pode evoluir ao óbito em poucos dias? Esta pergunta intrigou pesquisadores durante a II Guerra Mundial, quando os sobreviventes após períodos de jejum, ao serem realimentados, principalmente com carboidratos, apresentavam alterações laboratoriais, clínicas e em poucos dias evoluíam ao óbito (9). Este quadro foi denominado de Síndrome da Realimentação (SR) (1).

Embora todos os indivíduos com desnutrição crônica estejam em risco para desenvolver a SR, outros fatores foram identificados, como o abuso de álcool, idosos, doenças com má absorção e oncológicas. Na desnutrição encontramos níveis séricos baixos de glicose, eletrólitos, deficiência de vitaminas, com perda (ou desequilíbrio) de massa muscular e gordura (6). Quando ocorre ausência de alimentos por qualquer motivo (greve de fome, resgatados, inapetência, etc.) em qualquer lugar e de qualquer idade (3) observa-se alterações no metabolismo de gordura e glicose, estimulando e aumentando a captação de glicose, água e eletrólitos para dentro das células ocasionado um declínio maior dos níveis no sangue (5).

O jejum, mesmo em pessoas com taxas normais de insulina, desencadeia reações bioquímicas para se adaptar a fome, como glicogenólise, lipólise e aumento do catabolismo, com perda da massa muscular (8), até mesmo do diafragma e músculos intercostais, ocasionando insuficiência respiratória (3).

Na alimentação (ou administração) principalmente de carboidratos, ocorre alteração dos níveis de insulina (2) na homeostase da glicose, redução de eletrólitos (fósforo, magnésio e potássio). A hipofosfatemia surge em média próximo ao segundo dia da realimentação, o que podemos considerar um sinal de alerta precoce (2) (8).

Portanto, a SR se manifesta com hipo ou hiperglicemia, níveis baixos de vitaminas e eletrólitos, principalmente o fósforo com o encadeamento de situações clínicas comuns a qualquer doença, com rebaixamento do nível de consciência, dificuldade na respiração, edema, alteração da glicemia, diarreia ou obstipação, arritmia cardíaca e outros sintomas (2). Entre os pacientes críticos com mais de sete dias de internação, 36,8% apresentam SR. A principal causa de óbito é arritmia cardíaca (6)

Toda pessoa que está cronicamente adaptada a deficiência de nutrientes, que fica em jejum prolongado deve ser monitorada e a introdução de alimentos deve ser precoce, porém criteriosa. O tratamento da SR é constituído com adequada administração de vitaminas, minerais e eletrólitos antes da administração de carboidratos (7). A oferta carboidrato deve ser de 5 a 10 Kcal/kg/dia (máximo de 200 gr/dia), aumentando lentamente: 5 kcal/kg/dia em até 7 dias. Não há restrição de proteínas e lipídios (4).

Entretanto, tem sido observado pouco conhecimento e SR entre os profissionais de saúde, independente da experiência profissional e, como consequência disso, os pacientes em risco não são identificados e tratados. (1).

 

1. Caldas, AC; Alves, JTM. Síndrome de realimentação em pacientes hospitalizados: série de casos e revisão da literatura. Artigo Original. Internacional Journal of Nutrology. Mai / Ago 2015; v. 8, n.2, p. 22-29.
2. Caruso, L; Sousa, AB. Manual da equipe multidisciplinar de terapia nutricional (EMTN) – Hospital Universitário da Universidade de São Paulo – HU/USP [recurso eletrônico]. São Carlos. Editora Cubo, 2014; p. 41 – 43. Disponível em: <www.hu.usp.br/emtn-manual>. Acesso em 07/12/2017.
3. Castro, RCB. O que é e como identificar a síndrome de realimentação? 05 out. 2012. Disponível em: <http://www.nutritotal.com.br/mod/pergres/view.php?id=13726>. Acesso em 23/06/2016.
4. NICE. diretriz CG32 – Suporte nutricional para adultos: suporte à nutrição oral, alimentação por tubo enteral e nutrição parenteral. Publicação: 2006.
5. Obeid, AO; Hachem DH; Ayoub JJ. Refeeding and metabolic syndromes: two sides of the same coin. Jornal Nutrition & Diabates. Beirute. 2014; v. 4, n. 6, p. 1-16.
6. Olthof, LE et al. Impact of Caloric Intake in Critically Ill Patients With, and Without, Refeeding Syndrome: A Retrospective Study. Clinical Nutricion. Elsevier. 2017; XXX, p. 1-9.
7. Silva, JWM. Síndrome de Realimentação. International Journal of Nutrology. Ribeirão Preto, jan/abr 2013; v.6, n.1, p. 28-35.
8. Toledo, DO et al. The use of computed tomography images as a prognostic marker in critically ill cancer patients. Original article. Elsevier Clinical Nutrition ESPEN. Available online 4 April 2018. Disponível em:
< https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S240545771730476X> Acesso em 20/04/2018.
9. Viana, LA et. al. Síndrome de Reafectação: relevância clínica e nutricional. ABCD, São Paulo, março de 2012; v. 25, n. 1, p. 56-59.

Sarampo

(Reproduzido a partir do alerta sarampo do Centro de Vigilância Epidemiológica do Governo do Estado de São Paulo com a finalidade de alertar a classe médica dentro da normatização oficial. Informações complementares – Plano de Contingência – Sarampo/SVS/MS (2016) – Centro de Vigilância Epidemiológica: www.cve.saude.sp.gov.br)

O sarampo é uma doença viral aguda, altamente contagiosa, que cursa com febre, tosse, coriza, conjuntivite e exantema maculopapular. A transmissão do vírus do sarampo é direta, de pessoa a pessoa, por meio das secreções nasofaríngeas expelidas pelo doente. O período de incubação é de uma a duas semanas. O período de transmissibilidade inicia-se cerca de cinco dias antes do exantema e dura até cerca de cinco dias após seu aparecimento.

Aspectos clínicos

Período prodrômico (2 a 4 dias): caracterizado por febre alta (acima de 38ºC), tosse seca e/ou coriza e/ou conjuntivite; e a presença das Manchas de Koplick.

Período toxêmico (4 a 6 dias): presença da erupção cutânea maculopapular não pruriginosa, com progressão craniocaudal, e aumento dos sintomas respiratórios. A persistência da febre por mais de três dias, após o início do exantema, é um sinal de alerta para o aparecimento de complicações, como pneumonia, otite, diarreia, e alterações neurológicas. As complicações são mais comuns em crianças menores de cinco anos de idade, sobretudo nas desnutridas, em adultos maiores de 20 anos e em indivíduos com imunodepressão ou em condições de vulnerabilidade, podendo ser necessária a hospitalização.

Convalescença: caracteriza-se pela diminuição dos sintomas, com declínio da febre. O exantema torna-se escurecido e, em alguns casos, surge descamação fina (furfurácea).

Diagnóstico diferencial

O diagnóstico diferencial do sarampo deve ser realizado para as doenças exantemáticas febris agudas, entre as quais se destacam rubéola, exantema súbito (Roséola infantum), dengue, enteroviroses, eritema infeccioso (Parvovírus B19), febre de Chikungunya, Zika vírus e riquetsiose.

Tratamento: Não há tratamento específico para o sarampo, apenas sintomático. A vacina tríplice viral (SCR) é a medida de prevenção mais eficaz contra o sarampo, protegendo também contra a rubéola e a caxumba.

Situação epidemiológica

O Brasil recebeu a certificação de eliminação do sarampo em 2016. No entanto, o sarampo é endêmico em vários países (Europa, África e Ásia), existindo desta maneira o risco de importação para o Brasil. O surto de sarampo iniciado em 2017 se mantém em curso na Venezuela e, desde fevereiro de 2018, no Brasil, casos de sarampo foram confirmados nos Estados de RR, AM, RS, RJ e SP (um caso importado). Desta forma, evidencia-se no Brasil a persistência de transmissão do sarampo por mais de 90 dias, envolvendo mais de uma unidade federada, o que corresponde ao NÍVEL 3, alerta máximo, conforme Plano de Contingência – Sarampo/SVS/MS (2016).

Tratamento que freia o câncer de mama é aprovado. E vem em pílulas!

Acaba de desembarcar no Brasil um remédio oral que pode melhorar bastante a vida de mulheres com câncer de mama avançado – estima-se que de 20 a 50% delas chegue a essa fase, quando a doença invade outros órgãos. Aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, o comprimido ribociclibe, da farmacêutica Novartis, mostrou ser um bom inimigo contra o tumor, ao mesmo tempo que provoca efeitos colaterais aceitáveis.

“Ele faz parte de uma classe nova de medicamentos, que inibe proteínas responsáveis por acelerar o crescimento celular do câncer”, ensina o médico Sergio Simon, presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (Sboc). “Com isso, a doença para de crescer e vai regredindo aos poucos”, completa.

Segundo Simon, o fármaco em questão possui uma ação sinérgica com a hormonioterapia. Ambos atuam freando a multiplicação celular, por diferentes vias. Até por isso, ele é indicado em conjunto com a hormonioterapia.

O ribociclibe vira uma primeira opção de tratamento contra o câncer de mama avançado com receptores para hormônios sexuais (marcados pela sigla RH+) e sem o gene HER 2 (ou HER 2 negativo). Essas particularidades são descobertas por meio de exames após o diagnóstico – e correspondem a 69% dos casos de tumores nos seios, avançados ou não.

Benefícios contra o câncer de mama em números

O remédio, em conjunto com a hormonioterapia, reduziu em 43% o risco de progressão da doença. Isso em comparação com o uso isolado de hormonioterápicos. Após oito semanas do tratamento, 76% das pacientes envolvidas na pesquisa que garantiu a aprovação na Anvisa viram seu câncer regredir significativamente.

“Ainda não temos dados de mortalidade, porque os estudos continuam em andamento, comparando mulheres que receberam o ribociclibe com outras que seguem o tratamento padrão”, explica Simon. “Mas é provável que a droga aumente a chance de sobrevida global também”, arremata.

No mais, essa nova classe de medicamentos traz efeitos colaterais bem mais brandos do que a quimioterapia. Ela pode acarretar, por exemplo, uma queda no número de células de defesa do organismo. Mas a boa nova é que isso, ao menos nos estudos, não foi associado ao surgimento de infecções graves.

E estamos falando de pílulas, mais fáceis de serem administradas do que infusões de quimioterapia.

Outros membros da turma

Poucos meses antes, a Anvisa também aprovou o palbociclibe, da Pfizer. Trata-se de uma opção muito parecida com o ribociclibe, de acordo com Simon.

“O mecanismo de ação é similar e os resultados das pesquisas também”, diz o médico. “A opção entre um e outro vai depender mais da disponibilidade do produto, do preço e por aí vai”, conclui.

Ter uma opção adicional no mercado pode, portanto, baixar o custo desses remédios, que não são baratos e, infelizmente, estão longe do sistema público de saúde.

Mais: há no horizonte uma terceira medicação com as mesmas características. Batizada de abemaciclibe (e produzida pela farmacêutica Eli Lilly), ela já está autorizado nos Estados Unidos. Esse remédio, ao contrário dos dois outros, foi testado com sucesso sem o complemento da hormonioterapia – ou seja, será uma alternativa para quem não pode recorrer a ela.

Fonte: Saúde Abril

1° Fórum APM Jovem

 

 

Eixos temáticos

  • TRABALHO MÉDICO (jornadas de trabalho, carga horária, remuneração e violência contra profissionais)
  • SAÚDE DO MÉDICO (stress, burnout, abusos de álcool e outras substâncias, suicídios, etc.)
  • FUTURO E TECNOLOGIA (como afetará o trabalho médico, especialidades como Patologia, Radiologia, etc.)

 

Programação

8h30 às 9h – Credenciamento e recepção

9h00 às 9h15 – Abertura

9h15 às 9h45 – Apresentação dos eixos temáticos

9h45 às 11h – Discussões dos grupos de trabalho

11h às 12h30 – Conclusões e propostas dos grupos de trabalho

12h30 às 13h30 – Almoço

13h30 às 14h00 – Encerramento

 

Inscrições e Informações: (11) 3188-4207 | defesa@apm.org.br

ou acesse: http://associacaopaulistamedicina.org.br/atualizacao-medica/eventos/1o-forum-apm-jovem

Estudo liga infecções pelo vírus da herpes com o mal de Alzheimer

Um novo estudo internacional relaciona o Alzheimer a infecções virais, dando mais força a uma teoria até aqui considerada controversa e abrindo caminhos para novos tratamentos e prevenção. O trabalho, publicado na revista científica Neuron, atesta que dois subtipos do vírus da herpes (HHV-6A e HHV-7) foram encontrados no cérebro de pacientes de Alzheimer em níveis até duas vezes maior do que os achados no tecido cerebral de pessoas que não têm a doença.

Especialistas envolvidos no estudo frisam que o vírus da herpes (ao qual 90% da população é exposta ainda na infância) não causa Alzheimer. Mas o trabalho sugere que o vírus pode deflagrar uma resposta do sistema imunológico capaz de aumentar o acúmulo da proteína amiloide, responsável pelo Alzheimer. Já se sabia que a inflamação dos tecidos cerebrais estava relacionada à doença. O novo estudo fornece uma causa para a inflamação.

Os pesquisadores fizeram o sequenciamento do RNA do vírus em quatro diferentes regiões do cérebro humano, a partir de mais de 600 amostras de tecidos cerebrais. O objetivo era quantificar quais genes estavam presentes nos tecidos e se poderiam ser associados ao desenvolvimento da doença.

O grupo constatou uma complexa rede de associações inesperadas, relacionando os vírus com diferentes aspectos da biologia do Alzheimer com a formação das placas de proteína amiloide e a severidade da doença. Para dar mais robustez aos resultados, eles replicaram o experimento usando outras 800 amostras cerebrais provenientes de outros bancos de tecidos, obtendo o mesmo resultado.

“O estudo representa um avanço significativo na compreensão da hipótese viral do Alzheimer”, afirmou o principal autor do trabalho, Joel Dudley, da Escola de Medicina da Universidade Mount Sinai, nos EUA. “Nosso trabalho tornou evidente que determinados vírus contribuem diretamente para o risco do indivíduo desenvolver Alzheimer e também na própria progressão da doença.”

A teoria que relaciona vírus ao Alzheimer não é uma unanimidade entre os especialistas na doença. Para eles, o fato de serem encontradas grandes quantidades de vírus em cérebros com Alzheimer não tem, necessariamente, uma relação de causa e consequência. Entretanto, esse foi o estudo mais amplo a constatar a relação.

“Acho que o estudo é muito importante porque adiciona fortes evidências sobre a relação entre infecções virais e Alzheimer a demonstrações menos contundentes já feitas no passado”, afirmou o professor da Escola de Medicina da UFRJ, Rogério Panizzutti, especialista na doença. “Uma questão muito importante é que o trabalho traz mais uma evidência de que existem fatores de risco modificáveis para a doença e, se essa relação se confirmar, reduzir o grau de infecção das pessoas poderá ajudar a diminuir a incidência de novos casos.”

Complexidade

“É uma doença complexa, e a resposta não será apenas uma coisa”, constatou o diretor do Centro de Pesquisa em Alzheimer, da Escola de Medicina da Universidade de Washington, John Morris, em entrevista ao The New York Times. “Se os vírus fazem parte disso, nós, definitivamente, temos de estudar isso.”

Frio aumenta o risco de problemas cardíacos

Entre junho e agosto, meses marcados por temperaturas mais frias, as internações nos hospitais públicos da cidade de São Paulo por insuficiência cardíaca e infarto chegam a ser 30% maiores do que no verão. É o que mostra estudo inédito realizado por médicos da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein.

A pesquisa, liderada pelo cardiologista Eduardo Pesaro considerou todas as internações por insuficiência cardíaca (76 474 casos) e infarto agudo do miocárdio (54 561 casos) registradas em 61 hospitais públicos da capital paulista entre janeiro de 2008 e abril de 2015.

Os dados fazem parte do Cadastro Nacional de Saúde, do Sistema Único de Saúde (SUS). Foram consideradas também as temperaturas mínima, máxima e média em cada período ao longo desses sete anos, registradas pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). “Provavelmente isso se dá por fenômenos múltiplos, como o frio e a qualidade de ar como principais aspectos de risco. As pessoas que estão em maior risco e que já são doentes, com pressão alta, diabetes, devem ter uma atenção especial nesse período e maior controle como tomar corretamente o remédio e medir a pressão”, aconselhou o cardiologista.

A pesquisa mostrou ainda que o número médio de internações por insuficiência cardíaca no inverno foi maior em pacientes com mais de 40 anos. Já as hospitalizações por infarto foram registradas em maior número em pacientes com idade superior a 50 anos. De acordo com o cardiologista, as causas do aumento do risco cardiovascular no inverno não estão diretamente ligadas à queda do ponteiro do termômetro, mas às condições ambientais e socioeconômicas de São Paulo.

“Inverno não significa só frio, mesmo porque em São Paulo ele é ameno, com temperatura média de 18 graus e variação de apenas 5 graus. Ele também significa poluição aumentada, crescimento de epidemias provocadas pelo vírus da gripe, o Influenza, além do tempo seco”, diz Pesaro.

Poluição

Com uma população de quase 12 milhões de habitantes e uma frota de 8,64 milhões de veículos (incluindo caminhões e ônibus), São Paulo fica mais poluída no inverno. A baixa umidade, chuva reduzida e as frequentes inversões térmicas (quando o ar frio é bloqueado por uma camada de ar quente e fica preso perto da superfície) são condições que impedem a dispersão de poluentes como monóxido de carbono, dióxido de nitrogênio, dióxido de enxofre e material particulável inalável.

“Temperatura baixa, pouca umidade e alta poluição contribuem para uma maior incidência de doenças respiratórias e gripe, com o consequente aumento do risco cardiovascular”, explica Pesaro.

Uma das hipóteses levantada no estudo é de que o aumento da probabilidade de infarto e de insuficiência cardíaca no inverno está relacionado às condições socioeconômicas da população. De acordo com o Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, na região metropolitana de São Paulo, 596 479 casas são consideradas subnormais, como assentamentos irregulares, favelas, invasões, palafitas, comunidades com deficiência na oferta de serviços públicos básicos, como rede de esgoto e tratamento de água, coleta de lixo e energia elétrica. A capital paulista concentra dois terços desse total ou 397 652 lares.

“Em São Paulo, uma população mais desamparada, com casas improvisadas ou sem aquecimento, mais exposta à poluição e ao frio pode apresentar mais risco de ter doenças cardíacas no inverno que uma pessoa que mora em um país de clima temperado, mas está mais protegida por ter calefação na residência e roupas melhores”, diz Pesaro.

Para se proteger, ele recomenda que as pessoas que têm condições, aqueçam bem a casa. “Um aquecedor portátil ajuda em semanas mais extremas de frio. Outra coisa é tratar do vazamento de ar frio por janelas, portas e telhado. E também se agasalhar melhor, pois tudo isso contribui com a proteção, a ideia é não expor ao frio as pessoas que têm maior risco, como idosos e doentes cardiovasculares”.

Ele ainda ressalta a importância da vacinação. “As epidemias virais e as gripes aumentam o risco cardíaco. Vacinar-se especialmente nas vésperas do outono e inverno é importante também”.

O que acontece com o coração

O frio faz os vasos sanguíneos se contraírem e eleva a liberação de adrenalina, o que culmina na subida da pressão arterial. Além disso, o aumento da poluição contribui para doenças respiratórias que sobrecarregam o coração. Já o Influenza (vírus da gripe) é capaz de causar inchaço ou inflamação das coronárias, com a possibilidade de liberar as placas de colesterol nela depositadas. As placas, por sua vez, podem causar bloqueios e interromper o fluxo sanguíneo.

Para Pesaro, o governo precisa investir em políticas públicas que melhorem a qualidade de vida da população. “As pessoas e os governos têm que cuidar melhor daqueles indivíduos em maior risco durante o inverno. Quem tem risco deve regularizar o controle das suas próprias doenças, como por exemplo, pressão alta, que sabemos que aumenta no inverno, lembrar de tomar os remédios, fazer a medida da pressão com periodicidade e tentar não passar frio mesmo dentro de casa”, aconselha.

Fonte: Abril

Após baixa procura, campanha de vacinação contra gripe é prorrogada

O Ministério da Saúde anunciou que a campanha de vacinação contra a gripe terá continuidade até 22 de junho. O governo decidiu prorrogar a campanha devido ao baixo índice de comparecimento: 77% do público-alvo foi vacinado. O número é considerado baixo pela pasta, que estabeleceu como meta a cobertura de 90% dessa população, o que equivale a 54 milhões de pessoas. Desde o início da campanha, no dia 23 de abril, 42,6 milhões de pessoas se vacinaram.

A região Sudeste é a que possui menor cobertura até agora: 71% do público prioritário foi protegido. Na sequência, estão Norte (72%), Sul (81,3%), Nordeste (84%) e Centro-Oeste (91,4%). Em estados como Roraima, Rio de Janeiro, Rondônia e Rio Grande do Sul, a baixa cobertura vacinal é ainda mais preocupante. Neles, os percentuais chegam a 53,59%, 57,29%, 70,91% e 77,82%, respectivamente. Apenas Goiás, Amapá e Ceará ultrapassaram a meta de 90%.

Segundo o ministério, a situação acende um alerta, dada a proximidade do inverno, período de maior circulação do vírus da gripe. Além disso, neste ano, já foram contabilizados 2 715 casos de influenza, mais do que o dobro em relação ao mesmo período do ano passado (1 227). As mortes decorrentes da doença também aumentaram: passaram de 204, em 2017, para 446, em 2018. Apesar do crescimento, os números estão distantes dos registrados em 2016, quando houve forte incidência da influenza no Brasil, com 12 174 casos e 2 220 óbitos derivados deles.

“Nós entendemos que a estratégia é: atuação mais proativa para ir buscar esse público-alvo”, afirmou o ministro da Saúde, Gilberto Occhi, que citou iniciativas de vacinação e de conscientização envolvendo imprensa, escola e agentes comunitários de saúde como exemplos.

O público-alvo

O público prioritário da campanha é composto por idosos a partir de 60 anos, crianças de 6 meses a 5 anos, trabalhadores em saúde, professores das redes pública e privada, povos indígenas, gestantes e mulheres que tenham tido filhos há 45 dias, bem como pessoas privadas de liberdade.

Crianças e gestantes são os grupos que registraram menor cobertura vacinal neste ano, assim como ocorreu no ano passado. Na região Sudeste, por exemplo, menos da metade (48,95%) das crianças que devem ser vacinadas foram imunizadas. Já o percentual de gestantes atingiu 54%.

“Essas são as pessoas com uma imunidade menor do que as demais”, disse o ministro. Ele destacou a necessidade de um maior envolvimento da população, especialmente no caso das crianças, devido à dependência de adultos para que as levem até os postos.

Na região Centro-Oeste, o grupo mais vulnerável à doença é o formado pela população indígena, cujo percentual de vacinação alcançou 74,1%. Também nesta região, que já conseguiu ultrapassar a meta de 90%, crianças e gestantes chegam a 76,29% e 75,02%, respectivamente, percentuais menores do que os dos demais grupos prioritários. “Esse alerta a gente faz para que esses grupos tenham como procurar os postos de vacinação para efetuar sua proteção”, destacou o secretário de Vigilância em Saúde, Osnei Okamoto.

Estoques de vacinas

A meta de vacinação do Brasil supera a de 80% fixada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), mas o Ministério da Saúde garantiu vacinas para todas as pessoas que integram o público prioritário da campanha. De acordo com Mauro Junqueira, presidente do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), todos os municípios têm as doses disponíveis, inclusive em lugares de difícil acesso, como na Região Norte.

A partir do dia 25 de junho, poderão ser vacinados outros grupos etários, como crianças de 5 a 9 anos e adultos de 50 a 59. A vacinação desse público dependerá da disponibilidade das doses nos municípios.

Além da vacinação, cuidados com a higiene podem ajudar a população a se prevenir. Lavar e higienizar as mãos com frequência, utilizar lenço descartável para higiene nasal, cobrir nariz e boca ao espirrar ou tossir, evitar tocar mucosas de olhos, nariz e boca, não compartilhar objetos de uso pessoal, como talheres e pratos, e manter os ambientes bem ventilados são algumas das medidas sugeridas pelo ministério.