Acupuntura no controle terapêutico da dor de migrânea: relato de caso

Segundo do Ad Hoc Committee on Classification of Headache, de 1962, a Migrânea poderia ser definida da seguinte maneira: “crises de cefaleia, geralmente unilaterais no inicio e associadas a anorexia e ás vezes com náuseas e vômitos”. Migrânea também conhecida como enxaqueca, acomete com mais frequência o sexo feminino, provocando limitação na qualidade de vida, na fase produtiva. De um modo geral, história familiar positiva é obtida em 50% a 60% dos doentes.

Os estudos mostram que aproximadamente metade da susceptibilidade á Migrânea é de origem genética e que a outra metade é determinada por influências ambientais. Organização Mundial de Saúde reconheceu a Acupuntura como uma terapia válida na saúde e satisfatória nos resultados dos tratamentos de diversas modalidades de álgicas. Fatores desencadeantes, tais como: distúrbios do sono, preocupação excessiva e ingestão de alguns alimentos (queijo, chocolate e vinho), são relatados com frequência pelos doentes. A Acupuntura atua fortalecendo o sistema supressor de Dor, através da estimulação aferentes por agulhamentos, em terminações nervosas (pontos de Acupuntura).

Os impulsos são gerados aumentando a liberação de endorfinas e outros neurotrasmissores. Promovendo ação antiálgica, sensação de bem estar e melhora do sono. Relato de caso E. F. D. M., sexo feminino, 44 anos de idade, executiva de vendas, natural de Natal/RN, compareceu ao serviço de saúde queixando-se de cefaleia iniciada aos 18 anos, com crises de enxaqueca com dor localização inicialmente em região occipital esquerda, sempre hemicraniana com intensidade média de 8 na Escala Visual Numérica (EVN).

A paciente iniciou o tratamento semanal com Acupuntura em um total de 30 sessões, nos seguintes pontos: Ig4, Ig11, B 11 e 60, VB34, R3, F3 bilateralmente e Yintang, Dumay. Após terapia a paciente evoluiu com redução da intensidade da Dor para EVN=2, com menor número de crises e duração da sintomatologia.

Fonte: Universidade Potiguar – UnP- Natal/RN-Brasil1,2,3,4 Ana F F Dias1,Valeska M A de Sousa2, Anna B A Medeiros3,Levi H J Junior4

 

Exame do Cremesp 2018 aprova 61,8% dos recém-formados em Medicina

Pelo segundo ano consecutivo, os resultados do Exame do Cremesp apontam que a maioria (61,8%) dos recém-formados em Medicina que realizaram a avaliação foram aprovados. Esse percentual equivale a 1.961 de um total de

3.174 egressos do estado de São Paulo que fizeram a prova. Além desses, 711 inscritos de outros estados participaram da avaliação, mas não entraram no cômputo de desempenho.

Realizado em 19 de agosto, pela Fundação Carlos Chagas (FCC), o exame deste ano teve número recorde de adesão em relação aos anos anteriores, com 4.690 inscrições. “Isso é resultado do reconhecimento que a avaliação alcançou desde 2015, quando passou a contar como um dos critérios de acesso à Residência Médica e a processos seletivos no mercado de trabalho”, afirmou o coordenador do exame e primeiro-secretário do Cremesp, Bráulio Luna Filho.

“A experiência com a avaliação externa dos egressos de Medicina tem sido muito exitosa. Espero que essa ação continue e que se torne um exame nacional obrigatório”, destacou o presidente do Cremesp, Lavínio Nilton Camarim.

Além da capital, o exame foi aplicado simultaneamente em mais nove municípios do estado de São Paulo: Campinas, Ribeirão Preto, São José dos Campos, Taubaté, Presidente Prudente, Santos, Marília, São Carlos e Botucatu.

Fonte: Jornal do Cremesp

‘Fake news’ podem atrapalhar o tratamento contra o câncer de mama

Notícias falsas como cremes e chás milagrosos e até plantas que prometem curar o câncer de mama podem comprometer o tratamento contra a doença. Depois do susto de receber o diagnóstico, muitas mulheres começam a pesquisar sobre o tema e ainda se deparam com notícias falsas (fake news) que vão de tratamentos a diagnósticos. Essas notícias podem prejudicar o tratamento correto da doença. Algumas pessoas até abandonam o tratamento convencional e o acompanhamento médico por conta de notícias falsas.

Como o câncer de mama é o de maior incidência entre as mulheres brasileiras, a informação é uma arma importante para o diagnóstico precoce e, consequentemente, melhor resposta ao tratamento. “A credibilidade das informação sobre diagnóstico e tratamento devem sempre vir de médicos e especialistas que estejam tratando a paciente”, reforça o especialista.

Veja abaixo as principais notícias falsas sobre o câncer de mama:

Cremes, pomadas ou chás podem curar o câncer
Falso. Nenhuma dessas substâncias tratam ou evitam a doença. Evandro Fallacci explica que as alterações que desencadeiam o câncer começam no interior das células promovendo um crescimento descontrolado, por isso não podem ser evitadas com tratamentos alternativos. “Não existem relatos na literatura médica de que cremes e pomadas possam tratar câncer. Claro que manter uma vida saudável com boa alimentação, exercícios regulares, uso de protetor solar e boas noites de sono podem fortalecer o organismo, mas não evitam a maioria dos tipos de câncer”, diz o médico. Os tumores de pele são uma exceção, já que normalmente são prevenidos com o uso de bloqueadores dos raios solares.

Ter silicone faz com que a mulher tenha mais chances de ter câncer de mama
Falso. O especialista explica que não existem relatos científicos de que a doença seja desencadeada pelo uso de próteses de silicone. “O que acontece muitas vezes é que a mulher se preocupa com a estética do seio e deixa de fazer a visitar regularmente o mastologista para exames anuais. Com isso, a doença pode desenvolver-se sem diagnóstico precoce, mas não por causa da prótese”, explica o especialista.

Existem combinações de remédios de farmácia que substituem a quimioterapia
Falso. A quimioterapia, a cirurgia e a radioterapia são etapas fundamentais do tratamento do câncer de mama. Em alguns casos, elas podem ser combinadas. “Cada paciente deve ser tratada de maneira única” explica o mastologista.

Apenas mulheres acima dos 50 anos podem ter câncer de mama
Falso. Apesar de raro, existem mulheres que desenvolvem a doença mais cedo do que a maioria por uma predisposição genética ou por outros fatores como exposição excessiva à radiação na região do tórax. “Por isso, é muito importante fazer o autoexame e ir ao ginecologista regularmente”, lembra Evandro.

Se o resultado da mamografia der alterado a paciente está com câncer
Falso. Qualquer alteração deve ser vista com atenção, seja na mamografia ou durante o autoexame das mamas. No entanto, nem todas são malignas (cancerígenas). O exame pode indicar também cistos, nódulos e calcificações. O ideal é, sempre que detectada uma alteração, que a paciente procure um mastologista para esclarecimento e acompanhamento.

Apenas um exame é necessário para ter o diagnóstico de câncer de mama
Falso. Além da mamografia, outros exames complementares podem ser feitos dependendo do tipo e volume da mama, da idade e da presença de implantes mamários e histórico familiar. A ultrassonografia e a ressonância magnética são exemplos de exames complementares.

Consultoria: Hospital 9 de Julho
Fonte: Sociedade Brasileira de Mastologia

Conto: Presente ao Médico

Quando me formei medico há mais de 40 anos, os jovens doutores viviam com entusiasmo o aguardo da licença no conselho regional de medicina, que oferecia ao novo médico o documento legal para o exercício da atividade em todo o país, possibilitando consolidar antigos e novos sonhos com legítima autonomia.

Foi grande minha expectativa em esperar alguns meses para receber o CRM definitivo e com ele o tão almejado carimbo médico. Nunca imaginei que daqui para frente minha vida seria totalmente diferente, agora tinha carimbo de médico, era independente, livre para arrojar na vida, poderia clinicar em qualquer lugar do país, era só usar o carimbo, realizar meu sonho como médico receber dinheiro, e desfrutar o restante da vida, talvez minha vivência nesta época refletia a tranquilidade de minha ignorância.

No início de minha carreira médica nas horas vagas quando não tinha nada para fazer, confesso que ficava imaginando como confeccionar meu carimbo médico, planejava qual seria a melhor letra, melhor disposição, qual a cor de tinta a ser usada, preta, azul, verde, tudo para demonstrar segurança conhecimento, elegância, dignidade, todos estes conceitos reunidos e resumidos em um simples e pequeno carimbo.

Ficava sonhando com o desempenho na profissão treinava carimbar, carimbava blocos de receita médica, rascunho, papel de embrulhar pão, em qualquer espaço que coubesse um carimbo, eu exercia o direto de carimbar. Com carimbo em mãos rumei para o litoral, o destino reservou-me estudar e formar-me médico no interior do estado de São Paulo e especializar-me e praticar medicina no litoral deste estado.

Na época estimava que no litoral, a prática médica seria igual ao interior, minha postura era talvez de ansiedade do desconhecido, teria que pôr em prática o que tinha apreendido, carimbar algumas receitas, e aproveitar a vida isto ficou claro quando trabalhei como médico alguns meses no interior já tinha ouvido muitas histórias sobre os presentes de gratidão que os pacientes ofereciam a seus médicos no interior, alguns pacientes davam a seus médicos novilhos eu achava que era o máximo do desempenho médico, um médico receber um boi como presente de seu paciente agradecido, vinha embutido no presente o conceito geral de médico com conhecimento científico notório, com grandeza de caráter, bem sucedido, existia o conceito popular que o médico tinha grande patrimônio, era possuidor de muitos bens, inclusive fazenda tudo conquistado com a pratica do exercício médico exemplar, o dinheiro em conseqüência do bom desempenho médico, sendo seu carimbo usado majestosamente. Nesta época trabalhei pouco tempo no interior e fui pago com meu digno e honroso salário e com gratidão, de alguns pacientes que me ofertavam presentes como, doces de leite, mandioca, jabuticabas, pano de prato, etc., cheguei a ganhar no interior várias galinhas vivas talvez por minha juventude, os pacientes supunham que o jovem médico estava iniciando a vida profissional, com experiencia limitada, talvez começando um pequeno poleiro de galinhas que futuramente se transformaria em uma fazenda de gado.

Quando optei por viver no litoral achava que era igual ao interior, ouvi história de médico bem sucedido no litoral que recebeu como presente, enorme quantidade de camarão grande (em média cinco unidades de camarões perfazendo 1 kg, isto é camarão grande) após atender uma paciente e usar com grande satisfação meu precioso carimbo médico, confeccionado com a mais precisa e sensível disposição de letras e cores qual minha surpresa, uma paciente me agraciou com uma fieira de caranguejos vivos “Doutor trouxe estes caranguejos todos muito bem escolhidos são bem graúdos”, quando olhei vi uma enorme fieira de crustáceos vivos com carapaça, suas patas peludas e presas pontiagudas em constante movimento, deparei-me com os olhos dos bichos saltitando e se recolhendo constantemente, pensei e agora o que faço, antes de refletir sobre o meu presente a paciente sugeriu uma receita para os animais, ”é só colocar em uma panela de água fervendo que eles vão ficar uma delícia e no tempero, use, cebola, alho, tomate, tem que ter uma pitada de cerveja”.

Imagine só a situação, início de carreira ainda jovem chegando em casa agradecido por usar muito bem meu carimbo e trazendo o mimo recebido da paciente em gratidão ao dia trabalhado, avisando minha mulher: “Querida trouxe alguma coisa para o nosso jantarzinho, hoje não vamos tomar vinho eu já trouxe cerveja, que podemos usar também no tempero destes dóceis caranguejos, é fácil de fazer, em uma panela grande deixe a água ferver por um bom tempo, após coloque os caranguejos vivinhos, se algum tentar fugir pelas bordas da panela com uma colher de pau empurre o animal água quente abaixo”.

Na realidade minha esposa chegava de um dia de trabalho exaustivo, cansada, provavelmente esperando uma refeição já pronta com enormes camarões, e não uma fieira de pobres caranguejos vivos que seriam submetidos a morte por afogamento, queimados vivos em água quente, toda esta tortura sendo realizada nos porões de nossa purificada cozinha.

Mas o litoral oferece soluções mágicas, próximo de minha residência tem um canal de águas fluviais construído pelo engenheiro e sanitarista Saturnino de Brito inspirado na luta de Osvaldo Cruz com intenção de erradicar as doenças infecto contagiosas predominantes na região no início do século passado o porto de Santos era conhecido como “porto maldito”, estes urbanistas lutaram pela defesa sanitária da cidade, solucionaram o problema drenando o mangue e agora quase no centenário de construção dos canais, no ano de sua comemoração descobri mais uma nova utilidade dada aos canais, a de salvar caranguejos que tinham como destino a água quente da panela, isto foi à porta da liberdade dos dignos animais.

Fiquei muito contente com o destino dado ao presente que ganhei, pois no pior cenário poderia ter recebido de presente duas dúzias de ostras, como ganhei em ano seguinte…, mas isto é outra história.
Ah… Quanta saudade do velho e bom interior aonde não existia nada disso, era tudo muito simples e tranquilo, com as galinhas que ganhava era só cortar o seu pescoço e tudo resolvido.

Autor: Vicente Tarricone Junior

Estudo aponta que a alimentação das crianças é mais saudável em casa e na escola

A má alimentação na infância e adolescência tem sido reconhecida como fator de risco para obesidade e condições associadas na vida adulta. O ambiente alimentar é um importante determinante do comportamento alimentar das crianças e, portanto, melhorias nas escolhas de onde levar as crianças para comer podem facilitar comportamentos alimentares mais saudáveis. Comer fora de casa tem sido associado ao consumo de alimentos pobres em nutrientes, também conhecidos como “alimentos não essenciais”.

Pesquisas no ambiente doméstico mostram uma maior ingestão de nutrientes desejáveis, como fibras, e menor consumo de alimentos não essenciais, com maior densidade calórica e com maior teor de gordura. No entanto, o lar também pode representar um cenário para o consumo de alimentos menos saudáveis, incluindo pizzas e bebidas energéticas compradas em lojas, alimentos de restaurantes fast-foode lanches, especialmente em jovens.

Para entender esse perfil alimentar, um estudo, conduzido por Ziauddeen N e colaboradores, foi realizado com o objetivo de fornecer uma análise abrangente dos padrões de consumo e ingestão nutricional por local de alimentação em crianças e adolescentes britânicos com idades entre 1.5 e 18 anos do UK National Diet and Nutrition Survey Rolling Program (2008-2014).

O principal local de alimentação, em todos os grupos etários, era em casa (69-79% das ocasiões de alimentação), com as maiores ingestões de energia. Um terço das crianças das famílias com menor poder aquisitivo consumia ≤25% das refeições em casa. Comer mais em casa foi associado com menor consumo de açúcar e comida para viagem. Ocasiões alimentares em locais de lazer, locais de alimentação e “em movimento” combinados aumentaram com a idade, de 5% (1,5-3 anos) para 7% (11-18 anos), com maior consumo de energia de alimentos não essenciais. O ambiente escolar estava associado a uma maior ingestão de alimentos básicos e a uma redução na ingestão de alimentos não essenciais em crianças de 4 a 10 anos de idade que consumiam alimentos na escola.

Como conclusão, os pesquisadores chegaram ao entendimento de que a alimentação no lar e na escola está associada a melhores escolhas alimentares. Iniciativas eficazes e sustentadas direcionadas a comportamentos e à melhoria do acesso a alimentos saudáveis em centros de lazer e restaurantes, incluindo alimentos vendidos para consumo, podem melhorar as escolhas alimentares. O lar continua a ser um importante alvo de intervenção por meio de campanhas de educação familiar e nutricional, divulgação e marketing social.

Fonte: ABRAN (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NUTROLOGIA)

Acupuntura baseada em evidências

Lin CA, Hsing WT, Pai HJ. Acupuntura: prática baseada em evidências. Rev Med (São Paulo). 2008 jul.-set.;87(3):162-5.

Prática milenar, fazendo parte da chamada Medicina Tradicional Chinesa, a Acupuntura tem experimentado um aumento expressivo de adeptos, tanto em números dos que praticam, como em número dos que se submetem ao seu tratamento.

Estudos, bem desenhados, apontam a eficácia da acupuntura.

Vickers et al (1), usando escala de escore para cefaléia e questionário de qualidade de vida SF 36, realizaram um estudo prospectivo, randomizado e controlado com 401 pacientes com queixa de cefaléia crônica (maioria enxaqueca), na rede de atenção primária na Inglaterra e no País de Gales. Ele testou a acupuntura (12 sessões em 3 meses) além de medicação consagrada para a cefaléia.

O grupo da acupuntura teve melhora mais acentuada na escala de sintomas. Acupuntura 34% de redução em sintomas e grupo controle 16% de redução em sintomas, diferença ajustada de 4,6, intervalo de confiança de 95% 2,2-7,5, p < 0,0002), teve 22 dias a menos de cefaléia (intervalo de confiança de 95% 8-38), usou 15% a menos de medicação (p=0,02), teve 25% a menos de visita a médico (p = 0,1), teve 15% a menos de ausência ao trabalho (p = 0,2).

Zhao e colaboradores (2), numa revisão, extende a indicação da acupuntura para outras cefaléias como tensional.

Witt et al (3) realizaram um estudo clínico randomizado e controlado (acupuntura versus grupo controle), com um braço de coorte não-randomizado e prospectivo, no tratamento de dor lombar.

Todos os grupos receberam medicação consagrada para dor lombar. Dos 11.600 pacientes, 1.549 foram randomizados para o grupo acupuntura, 1.544 foram para o grupo controle e 8.537 pacientes foram para o grupo não randomizado para o tratamento de acupuntura. Escala de funcionalidade da região dorsal (Hannover Functional Ability Questionnaire), escore de dor e qualidade de vida foram avaliados. Após 3 meses, a funcionalidade da região dorsal melhorou de 12,1 a 74,5, grupo controle melhorou de 2,7 a 65,1, diferença de 9,4 (intervalo de confiança 95% 8,3-10,5, p < 0,001). O grupo não randomizado começou com a funcionalidade pior, mas experimentou a melhora semelhante ao grupo da acupuntura.

Flachskampf et al(4) randomizaram 160 pacientes com hipertensão arterial sistêmica não complicada (dos quais 140 concluíram o estudo), para acupuntura real (72 pacientes) e acupuntura sham (placebo – 68 pacientes). Setenta e oito por cento tomavam medicação anti-hipertensivas, que não foram mudadas.

Foi avaliada: pressão arterial média de 24 horas, logo após o tratamento, 3 meses e 6 meses depois. A diferença de pressão arterial média de 24 horas entre os grupos acupuntura real e acupuntura sham foi 6,4 mmHg (intervalo de confiança 95% 3,5 a 9,2) e 3,7 mmHg, respectivamente sistólica e diastólica. No grupo acupuntura real, houve redução de pressão arterial média de 24 horas de 5,4 mmHg (intervalo de confiança 95% de 3,2 a 7,6) e 3,0 mmHg (intervalo de confiança 95% 1,5 a 4,6) , respectivamente sistólica e diastólica. Os níveis de pressão voltaram a níveis pré-tratamento aos 3 e 6 meses após o tratamento. Os autores concluíram que a acupuntura real e não sham, reduziam a pressão arterial média de 24 horas logo após o tratamento, cessando o efeito assim que cessa o tratamento.

Manheimer et al (5) realizaram uma metanálise, incluindo 1366 mulheres em tratamento para fertilização in vitro em 7 estudos clínicos.

Controles sem tratamento e acupuntura sham foram usados nestes estudos. A conclusão dos autores revela que a acupuntura contribui para a melhora clinicamente relevante da gravidez.

CONCLUSÃO

A breve revisão dos trabalhos recentes acima

realizada, aponta para uma direção diferente dos estudos realizados anteriormente.

É um cenário novo, a exigência no mercado de trabalho exercerá maior aperfeiçoamento dos novos médicos que exercerão a especialidade. Não obstante, os médicos de outras especialidades terão de se familiarizar com as novas indicações, contra-indicações e eficácia para tratamento de doenças que antes não faziam parte do escopo de doenças tratáveis por acupuntura.

REFERÊNCIAS

  1. Vickers AJ, Rees RW, Zollmman CE, McCarney R, Smith C, Ellis N, et al. Acupuncture for chronic headache in primary care; large, pragmatic, randomized trial. BMJ.

2004;328:744-50.

  1. Zhao CH, Stillman M, Rozen TD. Traditional and evidence-based acupuncture in headache managemente: theory, mevhanism and practice. Headache. 2005; 45(6):716-30.
  2. Witt CM, Jena S, Selim D, Brinkhaus B, Reinhold T, Wruck K, et al. Pragmatic randomized trial evaluating the clinical and economic effectiveness of acupuncture for chronic low back pain. Am J Epidemiol. 2006;164:487-96.
  3. Flachskampf FA, Gallasch J, Gefeller O, Gan J, Mao J,

Pfahlberg AB, et al. Randomized trial of acupuncture to lower

blood pressure. Circulation. 2007;115:3121-9.

  1. Manheimer E, Zhang G, Udoff L, Haramati A, Langenberg P, Berman B, et al. Effecs of acupuncture on rates of pregnancy and live birth among women undergoing in vitro

fertilization: systematic review and meta-analysis. BMJ.2008;336:545-9

Setembro Amarelo – mês mundial da prevenção do suicídio

O suicídio é um problema de saúde pública que mata pelo menos um brasileiro a cada 45 minutos, ou 32 atos ocorridos todos os dias, de acordo com o Ministério da Saúde. Estudos indicam que esta ação pode ser prevenida em 9 a cada 10 casos. O movimento Setembro Amarelo, mês mundial de prevenção do suicídio, iniciado em 2015, visa sensibilizar e conscientizar a população sobre a questão.

De acordo com o Centro de Valorização à Vida (CVV), uma das entidades mobilizadoras do Setembro Amarelo no Brasil, muitas vezes, as pessoas precisam de acompanhamento médico e psicológico e que o serviço do CVV atua em situações de crises como complemento a esse tratamento.

Empresas e demais pessoas podem promover ações na comunidade e também usar uma peça de roupa amarela ou usando uma fita com essa cor, levantando o tema em seus grupos e buscando informações confiáveis sobre o assunto. De acordo com a cartilha no site do Ministério da Saúde, a meta é reduzir em 10% a mortalidade por suicídio até 2020.

Mindfulness: Conceito à Prática

Autor: Caio N Reis – Instrutor Sênior de Mindfulness certificado pela MTi.

Uma das abordagens de Mindfulness é a capacidade de direcionar a atenção de uma maneira especial para as situações que estão acontecendo neste momento. Uma forma simples de traduzir isso é Mindfulness como sendo Atenção Plena.

Essa maneira especial – de depositar minha plena atenção para as situações que ocorrem no Presente (nem no Passado, nem no Futuro) -, pode trazer inúmeros benefícios já que ao me tornar atento por inteiro, e ao estar ciente disso, ganho mais clareza e consciência daquilo que está acontecendo. Passo a ter melhores respostas nas minhas interações, pois basicamente reduzo a minha experiência para algo mais direto, aquilo que está sendo vivido naquele momento. Isso contribui para melhor produtividade, maior foco, tomada de decisão, flexibilidade mental, calma, redução de estresse e diminuição de ansiedade.
Por isso, outra abordagem é Mindfulness como sendo Consciência Plena.

Num mundo em que a demanda só cresce, as responsabilidades aumentam, a conectividade nos acompanha em todos os lugares, as interações e impactos não param de acontecer, Mindfulness pode ser uma pausa estratégica. E isso não é necessariamente algo passivo. Pelo contrário, exige Intenção de estar atento, Atenção disponível e Atitudes que irão contribuir para esse modo de agir. Por ser dissociado de religião e ter muitas evidências científicas (já são mais de 1500 pesquisas), está obtendo resultados positivos em Organizações, Sistema de Saúde, Educação, Esportes e até mesmo Política – Parlamento inglês utiliza práticas de Atenção e Consciência Plena.

A desatenção, ou estar “Mindless”, por sua vez pode trazer sintomas de infelicidade. E isso foi apontado num estudo conduzido por Harvard em 2012 e publicado na Revista Science: passamos em média 47% do dia divagando, seja com pensamentos que oscilam (entre passado e futuro) ou qualquer elemento que nos tira daquilo que estaríamos nos propondo a fazer naquele momento. Ou seja, grande parte do nosso dia não estamos atentos àquilo que deveríamos estar fazendo. Os dados não param de crescer e de demonstrar como o estar “Mindful” pode ser, não somente uma boa idéia, e sim algo muito importante para assumirmos o controle da nossa vida novamente. É uma proposta de utilizar técnicas mais inteligentes para lidar com as situações do cotidiano, sejam elas externas ou como lidar com as perspectivas internas.

Numa definição mais prática trazida por Jon Kabat Zinn, pesquisador, doutor em Biologia Molecular e professor Emérito da Escola de Medicina de Massachusetts (e um dos pioneiros a sintetizar o tema no Ocidente), Mindfulness é a consciência que emerge quando me coloco Atento de forma intencional cultivando algumas Atitudes (abertura, curiosidade e não julgamento).

Algumas considerações chaves para incorporar Mindfulness no dia a dia: treino e mente de principiante – que é aquela que está sempre disponível para aprender algo novo.
Além disso, podemos desenvolver Atenção e Consciência Plena de diversas formas. 1. Uma mais tradicional é nos concentrar de modo reservado por um período de tempo determinado seja sentado ou deitado, por exemplo -que são as meditações formais-; 2. Aproveitar as oportunidades do dia e cultivar pílulas de Atenção Plena – que são as práticas do cotidiano. Esse segundo formato contribui com novas perspectivas para aquilo que fazemos muitas vezes de forma automática ou dispersa (lembrem que isso é 47% do nosso tempo).
Querem experimentar um desses exercícios para a rotina?
Podemos usar o Acrônimo PARAR e sistematizar essa pausa.

P: Pare por um instante
A: Aprecie o que estiver acontecendo com olhar de principiante
R: Respire de forma atenta e consciente
A: Amplie a sua percepção
R: Responda com Atenção e Consciência Plena

Síndrome da realimentação: pouco conhecida e fatal

Autora: Dra. Márcia Souza Carvalho
Diretora Científica Adjunta da APM Santos

Porque uma pessoa em jejum prolongado ao receber carboidratos pode evoluir ao óbito em poucos dias? Esta pergunta intrigou pesquisadores durante a II Guerra Mundial, quando os sobreviventes após períodos de jejum, ao serem realimentados, principalmente com carboidratos, apresentavam alterações laboratoriais, clínicas e em poucos dias evoluíam ao óbito (9). Este quadro foi denominado de Síndrome da Realimentação (SR) (1).

Embora todos os indivíduos com desnutrição crônica estejam em risco para desenvolver a SR, outros fatores foram identificados, como o abuso de álcool, idosos, doenças com má absorção e oncológicas. Na desnutrição encontramos níveis séricos baixos de glicose, eletrólitos, deficiência de vitaminas, com perda (ou desequilíbrio) de massa muscular e gordura (6). Quando ocorre ausência de alimentos por qualquer motivo (greve de fome, resgatados, inapetência, etc.) em qualquer lugar e de qualquer idade (3) observa-se alterações no metabolismo de gordura e glicose, estimulando e aumentando a captação de glicose, água e eletrólitos para dentro das células ocasionado um declínio maior dos níveis no sangue (5).

O jejum, mesmo em pessoas com taxas normais de insulina, desencadeia reações bioquímicas para se adaptar a fome, como glicogenólise, lipólise e aumento do catabolismo, com perda da massa muscular (8), até mesmo do diafragma e músculos intercostais, ocasionando insuficiência respiratória (3).

Na alimentação (ou administração) principalmente de carboidratos, ocorre alteração dos níveis de insulina (2) na homeostase da glicose, redução de eletrólitos (fósforo, magnésio e potássio). A hipofosfatemia surge em média próximo ao segundo dia da realimentação, o que podemos considerar um sinal de alerta precoce (2) (8).

Portanto, a SR se manifesta com hipo ou hiperglicemia, níveis baixos de vitaminas e eletrólitos, principalmente o fósforo com o encadeamento de situações clínicas comuns a qualquer doença, com rebaixamento do nível de consciência, dificuldade na respiração, edema, alteração da glicemia, diarreia ou obstipação, arritmia cardíaca e outros sintomas (2). Entre os pacientes críticos com mais de sete dias de internação, 36,8% apresentam SR. A principal causa de óbito é arritmia cardíaca (6)

Toda pessoa que está cronicamente adaptada a deficiência de nutrientes, que fica em jejum prolongado deve ser monitorada e a introdução de alimentos deve ser precoce, porém criteriosa. O tratamento da SR é constituído com adequada administração de vitaminas, minerais e eletrólitos antes da administração de carboidratos (7). A oferta carboidrato deve ser de 5 a 10 Kcal/kg/dia (máximo de 200 gr/dia), aumentando lentamente: 5 kcal/kg/dia em até 7 dias. Não há restrição de proteínas e lipídios (4).

Entretanto, tem sido observado pouco conhecimento e SR entre os profissionais de saúde, independente da experiência profissional e, como consequência disso, os pacientes em risco não são identificados e tratados. (1).

 

1. Caldas, AC; Alves, JTM. Síndrome de realimentação em pacientes hospitalizados: série de casos e revisão da literatura. Artigo Original. Internacional Journal of Nutrology. Mai / Ago 2015; v. 8, n.2, p. 22-29.
2. Caruso, L; Sousa, AB. Manual da equipe multidisciplinar de terapia nutricional (EMTN) – Hospital Universitário da Universidade de São Paulo – HU/USP [recurso eletrônico]. São Carlos. Editora Cubo, 2014; p. 41 – 43. Disponível em: <www.hu.usp.br/emtn-manual>. Acesso em 07/12/2017.
3. Castro, RCB. O que é e como identificar a síndrome de realimentação? 05 out. 2012. Disponível em: <http://www.nutritotal.com.br/mod/pergres/view.php?id=13726>. Acesso em 23/06/2016.
4. NICE. diretriz CG32 – Suporte nutricional para adultos: suporte à nutrição oral, alimentação por tubo enteral e nutrição parenteral. Publicação: 2006.
5. Obeid, AO; Hachem DH; Ayoub JJ. Refeeding and metabolic syndromes: two sides of the same coin. Jornal Nutrition & Diabates. Beirute. 2014; v. 4, n. 6, p. 1-16.
6. Olthof, LE et al. Impact of Caloric Intake in Critically Ill Patients With, and Without, Refeeding Syndrome: A Retrospective Study. Clinical Nutricion. Elsevier. 2017; XXX, p. 1-9.
7. Silva, JWM. Síndrome de Realimentação. International Journal of Nutrology. Ribeirão Preto, jan/abr 2013; v.6, n.1, p. 28-35.
8. Toledo, DO et al. The use of computed tomography images as a prognostic marker in critically ill cancer patients. Original article. Elsevier Clinical Nutrition ESPEN. Available online 4 April 2018. Disponível em:
< https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S240545771730476X> Acesso em 20/04/2018.
9. Viana, LA et. al. Síndrome de Reafectação: relevância clínica e nutricional. ABCD, São Paulo, março de 2012; v. 25, n. 1, p. 56-59.

Sarampo

(Reproduzido a partir do alerta sarampo do Centro de Vigilância Epidemiológica do Governo do Estado de São Paulo com a finalidade de alertar a classe médica dentro da normatização oficial. Informações complementares – Plano de Contingência – Sarampo/SVS/MS (2016) – Centro de Vigilância Epidemiológica: www.cve.saude.sp.gov.br)

O sarampo é uma doença viral aguda, altamente contagiosa, que cursa com febre, tosse, coriza, conjuntivite e exantema maculopapular. A transmissão do vírus do sarampo é direta, de pessoa a pessoa, por meio das secreções nasofaríngeas expelidas pelo doente. O período de incubação é de uma a duas semanas. O período de transmissibilidade inicia-se cerca de cinco dias antes do exantema e dura até cerca de cinco dias após seu aparecimento.

Aspectos clínicos

Período prodrômico (2 a 4 dias): caracterizado por febre alta (acima de 38ºC), tosse seca e/ou coriza e/ou conjuntivite; e a presença das Manchas de Koplick.

Período toxêmico (4 a 6 dias): presença da erupção cutânea maculopapular não pruriginosa, com progressão craniocaudal, e aumento dos sintomas respiratórios. A persistência da febre por mais de três dias, após o início do exantema, é um sinal de alerta para o aparecimento de complicações, como pneumonia, otite, diarreia, e alterações neurológicas. As complicações são mais comuns em crianças menores de cinco anos de idade, sobretudo nas desnutridas, em adultos maiores de 20 anos e em indivíduos com imunodepressão ou em condições de vulnerabilidade, podendo ser necessária a hospitalização.

Convalescença: caracteriza-se pela diminuição dos sintomas, com declínio da febre. O exantema torna-se escurecido e, em alguns casos, surge descamação fina (furfurácea).

Diagnóstico diferencial

O diagnóstico diferencial do sarampo deve ser realizado para as doenças exantemáticas febris agudas, entre as quais se destacam rubéola, exantema súbito (Roséola infantum), dengue, enteroviroses, eritema infeccioso (Parvovírus B19), febre de Chikungunya, Zika vírus e riquetsiose.

Tratamento: Não há tratamento específico para o sarampo, apenas sintomático. A vacina tríplice viral (SCR) é a medida de prevenção mais eficaz contra o sarampo, protegendo também contra a rubéola e a caxumba.

Situação epidemiológica

O Brasil recebeu a certificação de eliminação do sarampo em 2016. No entanto, o sarampo é endêmico em vários países (Europa, África e Ásia), existindo desta maneira o risco de importação para o Brasil. O surto de sarampo iniciado em 2017 se mantém em curso na Venezuela e, desde fevereiro de 2018, no Brasil, casos de sarampo foram confirmados nos Estados de RR, AM, RS, RJ e SP (um caso importado). Desta forma, evidencia-se no Brasil a persistência de transmissão do sarampo por mais de 90 dias, envolvendo mais de uma unidade federada, o que corresponde ao NÍVEL 3, alerta máximo, conforme Plano de Contingência – Sarampo/SVS/MS (2016).