Primeiro estudo clínico randomizado avalia o impacto da redução de gorduras na dieta de mulheres na pós menopausa.

O primeiro estudo clínico randomizado (WHI) em mulheres na pós menopausa (entre 50 e 79 anos) avaliou o impacto de uma redução da proporção de gorduras da dieta (de 32% ou mais para 20% ou menos) além de maior ingestão de vegetais , frutas e grãos diariamente .

Ele será apresentado na reunião anual da sociedade americana de oncologia clínica (ASCO 2019) no final de maio .

Nele, serão apresentados dados sobre mulheres que seguiram a dieta tiveram em uma mediana de cerca de 20 anos , 15% a menos de morte por qualquer causa bem como 21% de diminuição de morte por situações ligadas ao câncer de mama . Este ganho é de grande magnitude para as pacientes que tiveram câncer de mama. Comparável ao ganho obtido com a quimioterapia após o tratamento cirúrgico na doença inicial (adjuvante). Estes dados trazem evidências robustas sobre a importância de uma dieta saudável e bem equilibrada para as mulheres em geral e principalmente para as que tiveram câncer de mama . É possível que dietas “da moda“ com alta ingestão de gorduras em detrimento a redução de carboidratos não sejam seguras para pacientes tratadas de câncer de mama.

 

Fonte: https://www.facebook.com/cesar.cabello

08 sinais que podem indicar a perda auditiva em crianças

Seu filho repete “O que?” com muita frequência quando é falado algo com ela? Ela parece dispersa, desatenta e no seu “próprio mundo”?

Então fiquem atentos em 08 sinais que podem indicar a perda auditiva em crianças:

  • Dificuldade de compreender a fala em ambientes ruidosos.
  • Dores de ouvido ou zumbido com frequência.
  • Dificuldade de respirar pelo nariz, respira pela boa e/ou ronca a noite com frequência.
  • Observação dos lábios de quem fala, com muita atenção, para fazer leitura labial.
  • Não reagir a sons de campainha ou telefones tocando.
  • Dificuldade de se engajar nos trabalhos em grupo na escola.
  • Atrasos no desenvolvimento da fala .
  • Irritabilidade excessiva e sem causa aparente.

Diante de um ou mais desses sinais, deve se suspeitar de perda de audição na criança e ela deve ser levada a um otorrinolaringologista e fonoaudiólogo para examinar os ouvidos e fazer uma avaliação auditiva apropriada para a idade!

Coma bem, faça mais exercícios: Novas diretrizes globais para reduzir o risco de demência

Não há tratamento eficaz para a demência, que afeta 50 milhões de pessoas em todo o mundo, mas a Organização Mundial de Saúde diz que pode ser feito muito para retardar ou retardar o aparecimento e progressão da doença.

Em diretrizes divulgadas na terça-feira, a OMS divulgou suas primeiras recomendações para reduzir o risco de demência globalmente. Eles incluem exercício físico regular, não usar tabaco, beber menos álcool, manter a pressão arterial saudável e comer uma dieta saudável – particularmente uma dieta mediterrânea. O órgão internacional de saúde também alertou contra a ingestão de suplementos alimentares, como vitaminas B e E, em um esforço para combater o declínio cognitivo e a demência.
A OMS disse que há 10 milhões de novos casos de demência todos os anos, e este número deve triplicar até 2050. A doença é uma das principais causas de incapacidade e dependência entre pessoas idosas e “pode ​​devastar as vidas de indivíduos afetados, seus cuidadores e familiares” disse a organização.
A doença também exige um pesado custo econômico, com o custo de cuidar de pessoas com demência estimado em US $ 2 trilhões anualmente até 2030, segundo a OMS.
Fonte: https://edition.cnn.com

Almoço de Dia das Mães na APM Santos

No dia 12 de maio, das 12h30 às 16h00, será realizado o almoço de Dia das Mães na APM Santos (Av. Ana Costa, 388, Santos). O valor é R$75 por pessoa e crianças até 5 anos não pagam; 6 a 10 anos pagam meia.

Os convites estão à venda na Secretaria da APM Santos a partir de 01/04.

Confira o cardápio e venha comemorar esta data!

Cardápio

Entradas – Finger Food

– Crostine com creme de Gorgonzola e Maçã Caramelizada

– Mini Cuzcuz de Camarão

– Espeto Caprese de Melão com Presunto e Hortelã

– Salada: Mix de Folhas Verdes com crótons e parmesão ralado com molho de iogurte e hortelã

 

Prato Principal

– Muqueca de peixe com arroz branco e bata rústica;

– Isca de Mignon ao molho de vinho com arroz com amêndoa

– Penne ao molho caprese

Sobremesa

– Bolo de chocolate com calda de morango e sorvete de creme

Bebidas

– Cerveja império de 600 ML

– Coca cola normal e zero

– Guaraná normal e zero

– Água

– Café com bolo da vovó

Tênis de mesa na APM Santos

Agora a APM Santos (Av. Ana Costa, 388, Gonzaga, Santos) contará todas as quartas-feiras, das 17h às 20h, com tênis de mesa. Associados e dependentes não pagam, e os não sócios (convidado) pagam R$50.

Colaborador:  Carlos Alberto Yoshimura

Informações WhatsApp APM: (13) 99789-8990

Câncer Colorretal

Nos Estados Unidos, neste mês de março, as sociedades de especialidades e grupos de apoio chamam a atenção para uma consciência sobre o CÂNCER COLORRETAL.

No Brasil a data é em setembro (para se aproximar de datas tão importantes com a da Prevenção do Câncer de Mama em outubro e do Câncer de Próstata em novembro).

Aproximadamente 35 mil casos de câncer colorretal são registrados por ano no Brasil e o diagnóstico precoce é fundamental para melhores respostas ao tratamento e chances de cura.

A preocupação maior é que em estágios iniciais, na maioria das vezes, não existem sintomas. Quando mais avançado, esses sintomas podem não ser característicos – como dores abdominais, náuseas, vômitos, perda de peso, fraqueza, vontade constante de evacuar e sangramento.

Por este motivo, é essencial manter os exames em dia, uma dieta balanceada, com uma quantidade menor de carne e gordura, e praticar atividade física regularmente.

Se apresentar algum dos sintomas citados, ou tenha um histórico da doença na família, consulte seu médico.

Autor: Dr.  Alfredo Fernando Vecchiatti Pommella – Coloproctologista e Cirurgião Geral

Hepatites Virais

No tocante às Hepatites virais temos 4 delas que causam epidemias mundo afora, sendo duas delas de transmissão oral fecal, como a A e E. A primeira, mais conhecida de características agudas, sendo na sua maioria das vezes assintomática e em menor proporção agudas e algumas fulminantes graves que levam ao transplante agudo e fígado ou ao óbito.

A hepatite E tem uma evolução mais protraída e por vezes arrastada caminhando à cronicidade.

É relativamente subestimada e não procurada e, portanto, não diagnosticada.

A hepatite A incide em cenários de baixa condição de higiene e em sub populações de HSH e moradores de rua, incluindo usuários de drogas.

Quanto às restantes, B e C, atingem milhões de pessoas mundo afora e levam à cronicidade, à cirrose e transplante, se não tratadas a tempo antes de evoluírem para tal.

Ambas tem tratamento, embora a B a cura da forma crônica se dê na ordem de 8-12% e, em alguns protocolos usados em países mais desenvolvidos economicamente, podem associando medicação oral com interferon peguilhado.  Acrescentem mais 10-12% de cura total na somatória geral. Costuma ser tratada cronicamente com supressão do vírus usando-se Tenofovir e ou Entecavir.

Quanto a Hepatite C hoje dispõe de muitas alternativas de cura com muitos novos medicamentos que atingem taxas acima de 96-98% em média de cura total e definitiva.

Importante frisar a necessidade do uso de vacinas para hepatite A e B com alta eficácia e alta taxa de soro conversão, sendo fundamental instrumento de prevenção junto com medidas higiênicas e de sexo seguro, fora orientação aos grupos de maior risco de contraí-las.

Autor: Dr. Ricardo Leite Hayden – Infectologista

Salvando Vidas

O município de Bertioga, no litoral paulista há quarenta anos era distrito de Santos, naquela época não existia neste trecho do litoral paulista a rodovia Rio Santos, portanto para chegar a Bertioga era preciso atravessar o município de Guarujá   passar por duas balsas, ou via trajeto marítimo pelo canal de Bertioga. Algumas praias de Bertioga o acesso somente ocorria pela areia da praia quando a maré permitia, como a praia de São Lourenço

O distrito de Bertioga tinha uma estrutura de saúde gerenciado por Santos com unidades básicas de saúde na periferia e um pronto socorro central com limitações ao atendimento, nenhum procedimento cirúrgico era realizado no município, todos os casos que necessitassem de procedimentos invasivos deveriam ser transferidos para o município mais próximo Guarujá, ou Santos.

Nesta época eu jovem médico lotado na prefeitura de Santos, no cargo de médico eventual sem vínculo empregatício ávido para trabalhar e necessitando dinheiro, fiquei  agradecido por ter conseguido um emprego no extremo do município de Bertioga, quase divisa com São Sebastião, litoral norte do estado de São Paulo sendo designado para atuar  semanalmente no domingo em unidade básica de saúde dentro de  sala de aula em escola pública na praia de São Lourenço onde o acesso era exclusivo pela praia em maré vazante.

A condição de atendimento era muito precária, mas a relação com a comunidade era muito boa, os médicos criavam muitos vínculos afetivos com os habitantes de região. O comércio no local era inexistente então os moradores disputavam  a honra de convidar o doutor para almoçar  em sua residência que consistia em refeições fartas e alimentos regionais como tainha com banana verde, camarão com palmito, peixe na folha de bananeira etc., existia também nesta comunidade o hábito da sesta, era imperativo, portanto após o almoço os doutores terem o direito a um cochilo antes do turno da tarde.

Certa vez no fim do dia já próximo de voltar a Santos aguardando a maré baixar tivemos a informação que uma égua estava em trabalho de parto e tudo corria bem. Como de hábito ao voltar para casa levávamos os presentes ofertados por pacientes como bananas, mandioca, peixes, caranguejos etc. tudo dentro do transporte oferecido pela prefeitura que era uma ambulância geralmente com paciente e familiares que porventura necessitasse de remoção a outro município.

Chegando em casa domingo à noite, após mais um dia de aventura recebi um telefonema de Bertioga  de um paciente solicitando que retornasse na praia de São Lourenço pois a égua ainda estava em trabalho de parto, e na  avaliação  dos moradores com grande possibilidade de risco de morte durante o parto, os habitantes da região já tinham esgotado todas as possibilidades de atendimento adequado, com tentativas infrutíferas de contato com veterinário, serviço de atendimento a animais da polícia militar etc. não conseguido nenhuma forma de assistência eles deduziram que meus préstimos poderiam ser úteis sabedores que eu era cirurgião de mamas.

Disse a ele que eu não era a pessoa adequada a realizar o atendimento pois não entendia nada de veterinária muito menos de égua, mesmo assim ele insistiu muito porem fiquei firme em minha decisão, de não me aventurar.

Quando desligo o telefone minha esposa inicia uma batalha verbal

— Como pode ser tão frio em deixar a égua morrer, o animal morrerá de todo o jeito sua tentativa oferecerá uma oportunidade.

Tentei explicar que se eu fosse atuar no caso seria o suficiente para a égua morrer.

Mesmo com decisão já definida de não me envolver aonde não entendo confesso que fiquei desconfortável com o clima criado e provável desfecho ruim para a pobre da égua, na verdade foi a primeira vez como mastologista não conseguia dormir por causa de uma égua. Neste momento ao deitar para descansar de um dia agitado minha mulher perguntou a ultima vez “você não vai mesmo”, por alguns minutos de grande silencio, tomado por um turbilhão de reflexões conflitantes sobre vida, morte, por impulso tomei outra decisão,  iniciei uma maratona para achar um veterinário em Santos no domingo início da madrugada que se dispusesse a ir até Bertioga.

Após vários telefonemas dentre os quais a um amigo ginecologista que estava de plantão no PS central de Bertioga, imaginem a situação ao ligar para este amigo, no meio do plantão solicitando ajuda no trabalho de parto de uma égua, foram várias tentativas de expor a situação e todas seguidas de interrupção do telefone, “ele bateu o telefone na minha cara várias vezes” aí tive que usar uma estratégia que funcionou liguei para sua esposa  Dra. Leila que residia em Santos e expliquei a situação da pobre égua, como todos já podem calcular a interseção de sua esposa resolveu a situação e o amigo foi convencido que poderia escutar o telefonema até o final, após ouvir algumas queixas, agressões verbais e muitos palavrões, consegui que concordasse com a utilização da estrutura do pronto socorro oferecendo o apoio logístico necessário, ao veterinário.

Com objetivo de convencer o veterinário de Santos a ir a outro município planejei meticulosamente a seguinte tática, liguei ao Dr. Valmir, que era compadre do meu amigo de Bertioga e Dra. Leila sua esposa que neste momento já era militante da causa, ele se prontificou imediatamente a atender o caso

Lá rumamos com destino Bertioga Dr. Valmir eu, minha esposa, que pelo interesse demonstrado no caso, sugeri que participasse pessoalmente, mesmo ela tendo usado o argumento que sua presença não iria modificar em nada o andamento do caso, já que não era da área de saúde, meu contra  argumento foi devastador “se você não for ninguém vai, pois tudo foi iniciado por você”.

Após atravessarmos duas balsas na madrugada com muito frio, chuva e vento forte que vinha do mar, chegamos ao Pronto Socorro meu amigo, nos aguardava com humor não muito amigável porem por influência e proteção da Dra. Leila sua esposa, que participava e monitorava toda nossa aventura por telefone a  ambulância estava preparada pois era o único meio de transporte que poderia passar pela praia com chuva e maré alta para chegarmos ao estábulo.

Confesso que fiquei muito emocionado ao chegar ao estábulo de ambulância, o motorista posicionou o veículo com os faróis direcionado a égua  já que a iluminação do estabulo era precária, frio de inverno, várias pessoas em silencio ao redor da égua que sofria em trabalho de parto obstruído fomos calorosamente recebidos com aplausos e vivas pelas pessoas presentes no local, o clima era de alívio pois a oportunidade de solução e esperança da égua viver estava chegando de ambulância iluminada da prefeitura, com veterinário

Meu amigo com uniforme branco do plantão foi o primeiro a descer e de imediato pisou na lama do estábulo, com chuva, vento imaginem o estrago, ficou todo respingado com grandes manchas em seu vestuário, confesso que seu cheiro após a aventura não era dos melhores, uma mistura de terra, maresia, cheiro de estabulo Em alguns momentos, nossos olhares se cruzaram e percebi seu olhar fixo e firme em minha direção, mas preventivamente desviei o olhar várias vezes e prudentemente nunca perguntei a ele sobre o que estava pensando naquele momento.

Dr Valmir prontamente após examinar o animal e realizar algumas manobras obstétricas resolveu a situação retirou a cria salvando a égua com uma habilidade que impressionou a todos os presentes, orientou os caiçáras sobre cuidados que deveriam adotar com o animal, e considerou um sucesso. Pelo seu empenho, dedicação e competência não cobrou nada, hoje este anjo, na forma de veterinário, já não está entre nós teve morte prematura ainda jovem.

Quando retornamos a Santos já era dia e cada um seguiu seu destino  minha esposa foi dar aula na universidade, Dra. Leila em paz com sua atuação, Dr. Valmir continuou a usar o talento destinado a ele por Deus que foi a missão de salvar vidas de animais, meu amigo de plantão em Bertioga não inclui na pesquisa, pois sei qual era sua opinião. Fui ao refeitório do hospital que trabalho  alguns plantonistas comentavam os casos vivenciados durante a noite, quantos procedimentos cirúrgicos e partos ocorreram, etc., quando alguém me perguntou o que eu estava fazendo naquela hora no hospital pois não estava na escala de plantão, falei pausadamente com ar pensativo, devaneando, olhar vago e leve sorriso nos lábios, “ajudei a salvar uma égua pangaré” levantei e fui embora.

Autor: Vicente Tarricone Junior (Mastologista)

Diagnóstico clínico e sorológico de pacientes com suspeita clínica de arboviroses

VI Seminário Anual Científico e Tecnológico | Bio-Manguinhos

OTR.25 – Diagnóstico clínico e sorológico de pacientes com suspeita clínica de arboviroses (Dengue, Zika vírus e Chikungunya)

Raphael Rangel das Chagas”; Viviane Camara Maniero’; Paulo Sergio Cerqueira Rangel’; Clarisse Salgado Benvido da Silva’; Renato Santana de Aguiar”; Viveca Giongo?; Sergian Vianna Cardozo.

1UNIGRANRIO; 2UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro; 3Fiocruz/CDTS.

Introdução:

Dentre os vírus que apresentam maior circulação atualmente no Brasil estão o dengue (DENV), o chikungunya (CHIKV) e Zika vírus (ZIKV). DEN e ZIKV pertencem a família Flaviviridae e CHIKV à família Togaviridae. Os sintomas relacionados com as arboviroses causadas por estes agentes são bastante seme- lhantes, o que acaba interferindo no diagnóstico clínico preciso dessas doenças.

Objetivo: O objetivo do presente trabalho foi realizar o diagnóstico clínico sugestivo e

sorológico de pacientes com suspeita de arboviroses atendidos na Unidade Pré -Hospitalar Álvaro dos S. S. Figueira, Duque de Caxias, RJ.

Metodologia:

A análise dos prontuários foi realizada entre os meses de julho e outubro de 2017, de acordo com os critérios clínicos estabelecidos pelo Ministério da Saú- de. Para a realização do diagnóstico sorológico, as amostras foram submetidas à testes sorológicos que permitam identificar a presença de anticorpos IgM e IgG para ZIKV e DENV utilizando testes de Ensaio de Imunoabsorção Enzi- mática (ELISA) específicos para IgM e IgG (XGEN, Biometrix).

Resultado:

Foram coletadas 27 amostras sanguíneas de pacientes com diagnóstico clínico de arboviroses (DENV, CHIKV e ZIKV). Destas amostras, 21 (77.7%) foram identificadas como DENV, 03 (11.1%) como ZIKV e 03 (11.1%) tiveram diag- nóstico clínico de CHIKV. Quanto aos sintomas apresentados pelos pacientes, entre os 21 casos suspeitos de DENV, a mialgia (14/21; 66.6%), artralgia leve

Bio-Manguinhos / Fiocruz

(11/21; 52.4%) e cefaleia (13/21; 61.9%) foram os mais observados. O exan- tema (3/3; 100%) e o prurido (3/3; 100%) foram observados apenas nos pa- cientes suspeitos de ZIKV, que apresentaram ainda conjuntivite (1/3; 33.3%). Assim como a artralgia acentuada (3/3; 100%) foi identificada somente nos casos suspeitos de CHIKV. Do total de 27 amostras com suspeita clínica de arboviroses, 18 foram analisadas através do teste sorológico para detecção de IgM e IgG para DENV e ZIKV. De acordo com os critérios sorológicos de de- tecção viral, 5/18 (27.7%) foram consideradas amostras negativas para DENV e ZIKV, e 1/18 (5.5%) foi dada como indeterminada. Devido à semelhança ge- nética ja conhecida entre o ZIKV com outros vírus da família Flaviviridae, pos- sivelmente foram observadas reações cruzadas com DENV nas amostras do presente estudo. Isto porque 5/12 (41.7%) amostras que foram positivas para IgM e IgG de DENV apresentaram sororeatividade (IgG) também para ZIKV e outras 3/12 (25.0%) foram IgG positivas tanto para DENV quanto para ZIKV. Apenas 4/12 (33.3%) amostras apresentaram somente sororeatividade (IgG) para DENV. Tais resultados referentes à sororeatividade de IgM determinam uma identificação presuntiva para o DENV (5/18; 27.7%). As amostras positi- vas e/ou indeterminada não foram definitivas para o diagnóstico da infecção pelos Flavivírus estudados.

Conclusão:

Com os resultados expostos vemos que o diagnóstico clínico epidemiológico muitas vezes pode ser errôneo pela semelhança na sintomatologia das arbovi- roses, fazendo-se necessário o diagnóstico laboratorial.

Palavras-chave: arboviroses, diagnostico clínico; sorológico

Fonte: https://www.arca.fiocruz.br/handle/icict/27276

 

Transexualidade, disforia de gênero

A não aceitação da aparência física com o sexo é a forma mais extrema de distúrbio da identidade sexual, anteriormente também chamada de  “transtorno de identidade de gênero” (que tem sido abolido pelo reconhecimento cada vez mais frequente que não se trata de sintoma de um distúrbio mental). Trata-se na realidade de uma discordância (incongruência) entre o sexo aparente e sua identidade de gênero é um desejo de viver e ser aceito como pessoa do sexo oposto ao do nascimento. Disforia de gênero é uma condição em que o paciente sente que sua identidade de gênero é incompatível com seu sexo biológico real.

O diagnóstico apóia-se em critérios clínicos tais como: desejo intenso de pertencer ao sexo oposto, dificuldade de adaptação precoce, antipatia pelo órgão genital, baixa freqüência de relações heterossexuais e baixo impulso sexual.(1) O diagnóstico diferencial deve ser feito com homossexualismo, travestismo, início precoce de desordens da personalidade, crises da adolescência, desordens intersexuais e psicoses.

Na França deixou de ser considerado como transtorno mental desde 2010, e a OMS (Organização Mundial de Saúde já se comprometeu em retira-la na nova edição da Classificação Internacional de Doença – CID (atualmente classificada como F64). Não ha estatísticas em nosso meio (Brasil) mas a prevalência global é de 4,6 em 100.000 nascimentos (2), e existem estudos europeus e asiáticos que apontam prevalências de 1:11.900 nascimentos com sexo genético XY e de 1:30.400 nascimentos com sexo genético XX.(3)

De suma importância, destacar que disforia de gênero não é homossexualidade (orientação sexual). A grande maioria dos portadores de disforia de gênero apresentam distúrbios psicológicos e ou psiquiátricos, portanto é fundamental o acompanhamento com esses profissionais (psicólogos e/ou psiquiatras).

Sentir que seu corpo não reflete seu  verdadeiro sexo causa grave angústia, ansiedade e depressão. “disforia” é um sentimento de insatisfação, ansiedade e inquietação. Desde de a infância preferem amigos do sexo com o qual se identificam e rejeitam  as roupas, brinquedos e brincadeiras típicas para meninos ou meninas e muitos se recusam a urinar da maneira que seu sexo aparente faz – em pé ou sentado. É frequente dizer que querem se livrar de seus órgãos genitais e principalmente meninos trans, sofrem muito com a presença das mamas e com as transformações corporais que a puberdade traz. Sempre sofrem algum tipo de preconceito e certa incompreensão da sociedade.

No Hospital Guilherme Alvaro, temos um ambulatório para atendimento a esse grupo de pacientes desde março de 2015, que funciona junto ao nosso ambulatório de endocrinologia, e contamos com uma equipe multidisciplinar (assistente social, psicóloga, endocrinologista, urologista, ginecologista, mastologista e cirurgião plástico, além de atualmente termos uma parceria com a Ordem dos Advogados do Brasil – OAB através da Comissão de Diversidade Sexual e Direito Homoafetivo – OAB – Santos)  e damos apoio jurídico para retificação do prenome (nome social), que no Brasil só é possível através de ação judicial. Para manter-se dentro do nosso programa de atendimento, é obrigatório o acompanhamento com a nossa psicóloga, é nosso objetivo oferecer um amplo tratamento adequado,  psicoterápico, medicamentoso e cirúrgico.

A reposição hormonal é um importante componente no tratamento médico, e deve sempre ser realizada por endocrinologista com experiência, hoje temos  algumas diretrizes, como a recentemente publicada no The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism(4) com a participação de diversas associações americanas.

A terapia de reposição hormonal em mulheres trans baseia-se no uso de estrogênios e têm como objetivo desenvolvimento das características femininas e manutenção da massa óssea. Os anti-androgênicos podem ser utilizados para diminuir as características sexuais masculinas.
Efeitos adversos da terapia de reposição hormonal incluem: tromboembolismo venoso, aumento dos níveis de prolactina e depressão,entre outros. Já para homens trans, baseia-se no uso de testosterona, e os principais efeitos colaterais aumento da oleosidade da pele e aparecimento de acne aumento da pressão arterial e aumento dos glóbulos vermelhos.

 

  1. Athayde A V L. Transsexualismo Masculino. Arq Bra Endocrinol metab 2001; 45 (4)
  2. Arcelus J, Bouman WP, Van Den Noortgate W, et al. Systematic review and meta-analysis of prevalence studies in transsexualism. Eur Psychiatry. 2015;30(6):807-15.
  3. De Cuypere G, Van Hemelrijck M, Michel A, et al. Prevalence and demography of transsexualism in Belgium. Eur Psychiatry. 2007;22(3):137-41
  4. J Clin Endocrinol Metab, November 2017, 102(11):1–35

Autor: Dr. Erico Pauli Heilbrun – Endocrinologista e Diretor CIentífico da APM Santos