Pesquisa da UFG aponta que cera do ouvido ajuda no diagnóstico precoce do câncer

Pesquisadores da Universidade Federal de Goiás(UFG) descobriram que a cera produzida no ouvido é capaz de ajudar no diagnóstico do câncer. A pesquisa do laboratório de Química da universidade identificou 27 substâncias que, se estiverem presentes na cera do ouvido, indicam a existência de câncer em alguma parte do corpo. Segundo os pesquisadores, com a doença diagnosticada mais cedo, os médicos ganham tempo para analisar o tipo de câncer e definir o melhor tratamento.

“Essa expectativa que nós temos, é conseguir curar um número maior de pessoas do que é possível hoje com outros diagnósticos que existem”, disse o coordenador da pesquisa na UFG.

Quem já faz tratamento contra o câncer sabe a importância do diagnóstico precoce.

“A gente descobre no começo é mais fácil de tratar. Tem mais chance de tratar. A gente sofre menos porque tem condições de tratar”, comentou a aposentada Maria Aparecida Vieira, ao todo, 102 voluntários participaram do estudo.

Com amostras do tamanho de um grão de arroz foi possível, segundo os pesquisadores, identificar quem estava doente. A ideia dos estudiosos é que, por ser simples, a análise da cera de ouvido se torne tão comum quanto um exame de sangue usado pra detectar problemas de saúde.

A descoberta, chamada de uma “Nova Fronteira no Diagnóstico de Câncer em Humanos”, foi publicada em uma das mais importantes revistas especializadas do mundo, a Scientific Reports.

“A cera tem uma ação anti-bactericida, de proteção da região e tem ação para proteger da entrada de corpos estranhos”, disse a médica e professora da UFG, Melissa Avelino.

A pesquisa apontou que além de ser uma barreira, a cera também carrega informações importantes sobre o corpo humano.

“A cera é um produto de secreção que concentra aquilo que é uma impressão digital do que as nossas células produzem, então, quando a cera é produzida, ela tem ali componentes que podem ter sido produzidos por células saudáveis e por células cancerosas”, disse o coordenador da pesquisa, Nelson Antoniosi.

Com a pesquisa, em cinco horas é possível verificar se o paciente tem ou não câncer. O estudo também revelou que o exame é capaz de detectar a doença ainda no estágio inicial, o que aumenta a chance de cura.

O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima que o número de novos casos da doença no Brasil chegue a 580 mil até o fim do ano.

Fonte: g1.globo.com

É possível reduzir a probabilidade de se ter demência ao levar um estilo de vida saudável, aponta uma nova pesquisa.

O estudo feito por uma equipe da Universidade de Exeter, na Inglaterra, com quase 200 mil pessoas indicou que o risco caiu em até um terço quando isso ocorreu, de acordo com resultados apresentados na Conferência Associação Internacional de Alzheimer.

Segundo os pesquisadores, isso é animador por apontar que pessoas que têm propensão a ter a doença não estão necessariamente condenadas a sofrer de demência, como é chamada a piora das funções cognitivas que uma pessoa pode desenvolver.

Os cientistas deram às pessoas uma pontuação de estilo de vida saudável com base em uma combinação de exercícios, dieta, álcool e tabagismo.

Assim, uma das pessoas bem pontuadas no estudo tinha a seguintes características: não fuma atualmente, pedala em ritmo normal por duas horas e meia por semana, tem uma dieta balanceada que inclui mais de três porções de frutas e vegetais por dia, peixe duas vezes por semana e carne processada raramente, beba até 560 ml de cerveja por dia.

E o que foi um estilo de vida considerado insalubre? Alguém que fuma regularmente, não faz exercício de forma rotineira, tem uma dieta com menos de três porções de frutas e vegetais por semana e duas ou mais de carne processada e carne vermelha por semana e bebe pelo menos 1,5 litro de cerveja por dia.

Sue Taylor, de 62 anos, viu o impacto da demência em sua família – tanto sua mãe quanto sua avó tiveram a doença. Por isso, hoje, ela faz aulas de ginástica no parque três vezes por semana – mesmo no inverno – e caminha 45 minutos para ir ao trabalho. “É preciso muito esforço, você tem que pensar sobre como encaixar essas atividades em sua vida”, diz ela.

Mas Taylor afirma diz que vale a pena, especialmente pelos netos. “Só quero manter meu cérebro na melhor condição possível pelo maior tempo possível. Não quero que meus netos deixem de ter uma avó, tanto fisicamente quanto mentalmente.”

Como foi feita a pesquisa

O estudo acompanhou 196.383 pessoas a partir dos 64 anos de idade por cerca de oito anos e analisou seu DNA para avaliar o risco genético de desenvolver a doença.

O estudo mostrou que havia 18 casos de demência a cada mil pessoas se eles nasceram com genes de alto risco e tinham um estilo de vida pouco saudável. Mas este índice caiu para 11 para cada mil pessoas durante o estudo, se as pessoas de alto risco tivessem adotado um estilo de vida saudável.

Os números podem parecer pequenos, mas isso é porque pessoas em torno dos 60 anos são relativamente jovens em termos de demência. Os pesquisadores dizem que a redução das taxas de demência em um terço teria um impacto profundo nos grupos etários mais velhos, em que a doença é mais comum. “Isso pode equivaler a centenas de milhares de pessoas”, diz o cientista David Llewellyn.

“Mesmo que você esteja preocupado com a demência, talvez tenha um histórico familiar, o que nossa pesquisa sugere é que isso não importa. É provável que você reduza substancialmente o risco de adotar para um estilo de vida saudável.”

Apesar disso, esse tipo de pesquisa não pode provar definitivamente que o estilo de vida gera riscos diferentes de demência, simplesmente identifica um padrão nos dados. Mas os resultados, publicados no periódico Journal of American Medical Association se encaixam com pesquisas anteriores e recomendações da Organização Mundial de Saúde.

Posso evitar completamente a demência?

Infelizmente, é possível que uma pessoa leve uma totalmente saudável e ainda assim tenha demência. O estilo de vida apenas afeta as chances de isso acontecer.

Ainda não existem medicamentos para alterar o curso desta doença, então, reduzir suas chances é o melhor que qualquer pode fazer no momento.

Mas isso se aplica a todos? As descobertas podem não ser válidas para pessoas com demência muito precoce, que começa quando se está na faixa dos 40 e 50 anos, dizem os pesquisadores. Mas eles acham que os resultados se aplicam a pessoas em grupos de idade avançada, quando a demência se torna mais comum.

Os cientistas dizem ainda que o estudo se aplica à demência em geral e não a formas específicas da doença, como a doença de Alzheimer ou a demência vascular.

No entanto, o pesquisador Elzbieta Kuzma, que participou do estudo, diz que esta foi a primeira vez que se demonstrou que é possível alterar um risco hereditário de demência.

Fiona Carragher, da Alzheimer’s Society, uma organização de caridade dedica à pesquisa sobre esta doença, avalia que, com 10 milhões de pessoas desenvolvendo demência por ano no mundo, saber como reduzir esse risco pode ser vital. “Então, encha o prato de salada, troque um coquetel por um drink sem álcool e vá fazer exercícios!”

Carol Routledge, da Alzheimer’s Research UK, a principal instituição dedicada à demência no Reino Unido, diz que as descobertas são “importantes”.

“Esta é mais uma evidência de que há coisas que todos podemos fazer para reduzir nosso risco de desenvolver demência, mas a pesquisa sugere que apenas 34% dos adultos acham que isso é possível. Embora não possamos mudar os genes que herdamos, este estudo mostra que mudar nosso estilo de vida ainda pode ajudar a fazer com que as chances estejam a nosso favor.”

Caminhe mais e sente-se menos: mesmo exercícios leves estão ligados a um menor risco de morte

Na década de 1950, o estudo do homem de negócios de Londres descobriu que os motoristas de ônibus desenvolviam uma taxa mais alta de doença coronariana do que os seus colegas não motoristas

Desde então, estudos observacionais têm sugerido repetidamente que o comportamento sedentário é ruim e que a atividade física é boa para a saúde e a longevidade.

As diretrizes recomendam pelo menos 150 minutos de intensidade moderada ou 75 minutos de atividade física aeróbica de intensidade vigorosa a cada semana.

As evidências das diretrizes baseiam-se principalmente no auto-relato da quantidade, intensidade e frequência da atividade.

O autorrelato está, no entanto, aberto ao viés de recordação e de notificação, potencialmente resultando em subestimação da atividade de baixa intensidade e superestimação da atividade geral.

Auto-relatórios também são imprecisos.

Exatamente quanto atividade (e em que intensidade) é necessária para proteger a saúde ainda não está claro.

Além disso, o comportamento sedentário está surgindo como um fator de risco potencialmente independente para desfechos adversos à saúde, apesar da inconsistência na determinação do tempo sedentário.

A introdução de sensores no corpo na última década permitiu dados mais objetivos e precisos sobre a quantidade e a intensidade da atividade física e avançou consideravelmente a especialidade.

Mas a inconsistência e incerteza permanecem, especialmente sobre a magnitude de quaisquer efeitos e a contribuição para a saúde dos baixos níveis de atividade física.

A revisão sistemática e a meta-análise de Ekelund e colegas combinam estudos de alta qualidade que analisam o efeito da atividade física medida pelo sensor e o comportamento sedentário na mortalidade.

Ao harmonizar os métodos e considerando mais de 36.000 pessoas, 240.000 pessoas-ano de acompanhamento e mais de 2100 eventos, os autores conseguiram diferenciar os diferentes níveis de intensidade – incluindo a atividade física de baixa intensidade – com poder estatístico suficiente.

Os resultados mostram relações dose-resposta não lineares entre todas as medidas de atividade, incluindo o tempo sedentário, e todas as causas de mortalidade em adultos.

Mais de 9,5 horas de comportamento sedentário diário, excluindo o tempo de sono, foi associado com um aumento estatisticamente significativo do risco de morte.

Em contraste, a mortalidade caiu acentuadamente à medida que o volume total de atividade física aumentou até um patamar em 300 contagens de acelerômetro por minuto de tempo de uso.

Uma diminuição similarmente acentuada na mortalidade ocorreu com o aumento da duração da atividade física leve até um patamar de cerca de 300 minutos por dia.

A nova meta-análise esclarece os achados anteriores e confirma que até mesmo a atividade leve, como caminhar, é benéfica.

Os tamanhos de efeito observados para atividade física e mortalidade foram substancialmente maiores do que os relatados anteriormente, potencialmente devido à melhor precisão de medição e redução de variância.

Perguntas permanecem, particularmente sobre se o efeito da atividade física continua acima de um certo limite.

Estudos prévios utilizando a detecção de passos para quantificar a atividade também relataram um platô após uma diminuição inicial acentuada da mortalidade.

Além disso, não está claro se o efeito da atividade simplesmente se soma ou se a distribuição e a complexidade da atividade durante o dia ou a semana são relevantes.

Não sabemos se o comportamento sedentário e a atividade física são fatores independentes ou se representam os dois lados da mesma moeda.

Novas abordagens estatísticas, como análises composicionais, são necessárias para explorar essas interdependências.

A análise atual pressupõe que os níveis de atividade física permanecem constantes ao longo do tempo, o que não reflete a realidade.

Mudanças na duração e intensidade da atividade física ocorrem durante toda a vida.

Dados longitudinais e novos métodos que examinam trajetórias de atividades são necessários.

Isso também é importante para eliminar o risco de causação reversa, pelo qual a doença causa atividade reduzida, e não o contrário.

Cada passo conta

Além desses detalhes, a mensagem clínica para clínicos gerais, profissionais de saúde pública, formuladores de políticas e o público parece direta: cada passo conta e até mesmo a atividade leve é ​​benéfica.

Desenvolver maneiras de limitar o tempo de sedentarismo e aumentar a atividade em qualquer nível pode melhorar consideravelmente a saúde e reduzir a mortalidade.

Intervenções efetivas incluem prescrições para atividades de profissionais da atenção primária, particularmente com o acompanhamento da comunidade.

Os técnicos de saúde também são promissores.

A prescrição de atividades é mais barata do que muitas intervenções farmacêuticas para doenças cardiovasculares e é mais eficaz para melhorar os anos de vida ajustados pela qualidade.

Aumentar a atividade no nível da população é um desafio, e a mudança comportamental sustentada é o santo graal da atenção primária e da saúde pública.

A caminhada é um alvo promissor para intervenção.

É simples, acessível (gratuito), alcançável até para adultos mais velhos e raramente contra-indicado.

Em conclusão, as descobertas de Ekelund e seus colegas são importantes e fáceis de interpretar: todos devemos nos mover mais e sentar menos e devemos encorajar os outros a fazer o mesmo.

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Impacto científico brasileiro atinge segunda melhor marca em 30 anos

A revista São Paulo Medical Journal, da Associação Paulista de Medicina, tem fator de impacto maior que a média nacional

Nesta segunda-feira, 19 de agosto, o Ministério da Educação anunciou que o País, no primeiro semestre de 2019, atingiu o segundo melhor nível em 30 anos no indicador que mede o impacto das pesquisas científicas. O Brasil conquistou, ainda em junho, a marca de 0,89. Em 2016, foi obtido 0,92 – referente ao ano inteiro.

A partir deste número, o diretor Científico da Associação Paulista de Medicina, Álvaro Atallah, destaca a grande importância da Revista São Paulo Medical Journal/Evidence for Health Care, lançada pela APM em 1932 e que atualmente tem fator de impacto de 1,088 junto ao Institute for Scientific Information (ISI).

A publicação – que tem seus artigos indexados no Medline, Lilacs, SciELO, Science Citation Index Expanded, Journal Citation Reports/Science Edition e EBSCO publishing – alcançou seu primeiro fator de impacto, de 0,746, em 2010.

Com periodicidade bimestral, a SPMJ pode ser acessada on-line gratuitamente pelo portal da APM ou em aplicativo próprio para smartphones e tablets (iOS e Android).

Estudo revisa o impacto a longo prazo do uso de maconha em 23mil adolescentes

Acaba de sair estudo revisando o impacto a longo prazo do uso de maconha em 23mil adolescentes, publicado numa das melhores revistas de psiquiatria do mundo.

Resultados: adolescentes usuários de maconha (em comparação com adolescentes não usuários) tiveram

– risco 37% maior de desenvolver depressão na idade adulta
– risco 50% maior de ideação suicida na idade adulta
– risco de tentativa de suicídio triplicado na vida adulta

Conclusão dos autores: “a alta prevalência de adolescentes consumindo cannabis gera um grande número de adultos jovens que podem desenvolver depressão e comportamento suicida atribuíveis à cannabis. Este é um importante problema de saúde pública, que deve ser adequadamente abordado pelas políticas de saúde pública”. Enfatizam que as políticas de prevenção devem “educar os adolescentes a desenvolver habilidades para resistirem à pressão do grupo para usarem drogas”.

https://jamanetwork.com/journals/jamapsychiatry/article-abstract/2723657

Maçãs e peras – tamanho, forma e adiposidade

Nós todos amamos bater no IMC.

Essa medida pode ser boa para os epidemiologistas que precisam de uma maneira de definir a obesidade em uma população.

Mas não é tão boa para definir a obesidade em um indivíduo.

Aliás, não é a definição da própria obesidade.

A obesidade é excesso de adiposidade que prejudica a saúde.

E um novo estudo no JAMA Open Networks nos diz que a adiposidade central – a forma do corpo da “maçã” – pode ser um marcador para os riscos à saúde da obesidade.
Mesmo em uma pessoa com um IMC “normal”.

Os riscos elevados da adiposidade central

Yangbo Sun e seus colegas estudaram 156.624 mulheres. Eles analisaram as relações entre IMC, circunferência da cintura e mortalidade. Eles usaram a circunferência da cintura como um marcador de adiposidade central.

Assim, eles descobriram que mesmo as mulheres com um IMC normal e adiposidade central tinham maiores riscos de morte.

De fato, seus riscos eram similares aos riscos de mulheres com IMC elevado e adiposidade central.

Em outras palavras, os riscos para a saúde da obesidade parecem vir do armazenamento de gordura em excesso ao redor de seus órgãos centrais.

É o que define o formato clássico do corpo da maçã, versus uma forma de pêra com mais gordura ao redor dos quadris.

Reforçar uma ideia estabelecida

Em um comentário convidado, Lilian Golzarri-Arroyo, Luis Mestre e David B. Allison apontaram que essa descoberta, embora importante, não é inteiramente nova:

A circunferência da cintura é certamente um fator notável quando se estuda a obesidade; no entanto, isso não é um novo achado.

Já em 1947, o médico francês Jean Vague sugeriu que a obesidade na metade superior do corpo estava associada a doenças cardiovasculares e diabetes, uma associação que ele não encontrou em indivíduos com mais gordura na metade inferior do corpo.

Obesidade central foi repetidamente provada como um forte fator para o maior risco de morbidade e mortalidade associadas à obesidade.

Este é o primeiro estudo a mostrar que a adiposidade central em pessoas com peso normal pode predizer a mortalidade por câncer.

Mais do que isso, este estudo ressalta o que é obesidade e o que não é.

Obesidade não é IMC. A obesidade é uma doença de excesso de adiposidade que prejudica a saúde.

Forma e tamanho e IMC são apenas marcadores.

A doença é toda sobre adiposidade insalubre.

Quando um corpo começa a armazenar o excesso de gordura ao redor dos órgãos vitais centrais, é quando a obesidade começa. Claro e simples.

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Julho Amarelo – Hepatites Virais

Por: Dr. Ricardo Leite Hayden, Infectologista

As hepatites virais, em especial, Hepatite B e – mais recentemente – a Hepatite C, tem hoje medicamentos que bloqueiam a evolução, em especial, a da Hepatite B e curam 96-97% ou mais dos casos de Hepatite C.

Simbolicamente, o mês de julho, com a campanha Julho Amarelo, busca alavancar a atenção e as medidas de identificação das hepatites, notadamente da Hepatite C, ainda que também da B.

As cifras a respeito da Hepatite C são absolutamente superdimensionadas aqui em nosso país e não resistem à uma análise crítica baseadas nos estudos de prevalência disponíveis, embora isto não invalide as medidas de busca de novos casos, além das tradicionais “testagens abertas”.

Buscam-se estratégias mais dirigidas com a ajuda de certas especialidades como endocrinologia, dermatologia e ginecologia, pela interligação de doenças afeitas às especialidades referidas e cuja prevalência é maior em certas patologias como portadores de Diabetes tipo 2 e hipotireoidismo.

Temos como exemplo mais recente, a ênfase em contingentes populacionais específicos, tais como: usuários de drogas, HSH’s (homens que fazem sexo com homens) e, combinadas nestas populações mais vulneráveis, temos o aumento da detecção de novos casos.

Levando em conta desvios de exames funcionais hepáticos em quaisquer situações, também seria um bom foco em busca dos “pacientes perdidos”, mas a adesão de médicos de outras especialidades continua baixa e é difícil de obter os porquês dessa não-adesão ao oferecimento dos testes nessas condições.

Apesar dos esforços das ONG’s ligadas à luta contra as hepatites, os resultados têm sido pouco expressivos.

Mais recentemente ainda, trouxeram às testagens a importante e evidente ligação ao grupo de pessoas vivendo com o HIV, a qual deve ser metódica e constantemente testada e retestada, com evidente sucesso nesta difícil busca.
Isso tem sido adotado em vários países e deverá ser alvo de um programa à parte por aqui, embora eu e muitos infectos já o façam, isto não é uniforme.

Procurei neste texto não me ater ao tratamento em si, já muito bem avançado, eficaz e adotado em nosso país, mas sim, à testagem cotidiana focada, não àquela dispersiva e pouco eficaz mas sim, sobre a busca sistemática de novos pacientes.

Resta ainda esperar que o novo Ministério da Saúde reveja algumas dificuldades de logística num país enorme e diverso como o Brasil  e não permita descontinuidades como as que ocorreram a cerca de um ano atrás e que redundou numa fila de espera com consequências duras e desnecessárias.

A todos, um chamamento à reflexão e adoção conjunta a nós, infectos e gastro-hepatos, às políticas de testagem e busca de novos pacientes a serem tratados.

Os vírus estão no topo da cadeia alimentar

Considerado um dos maiores especialistas do mundo em vírus transmitidos por insetos (arbovírus) e pioneiro no estudo do zika no Brasil, o virologista Pedro Fernando da Costa Vasconcelos, do Instituto Evandro Chagas e da Universidade do Estado do Pará, alerta que pelo menos três vírus silvestres, hoje restritos a áreas rurais, ameaçam se espalhar pelo país.

Um deles é o mayaro, descoberto no território fluminense em maio pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ele tem sintomas semelhantes ao chicungunha – como intensas e incapacitantes dores nas articulações, que se prolongam por meses – e, segundo os pesquisadores, pode provocar uma epidemia no Sudeste. Não há vacina ou qualquer tratamento específico.

Quais os vírus silvestres com maior potencial hoje de causar epidemias nas cidades brasileiras?

Lembramos sempre do mayaro e do oropouche porque, embora sejam transmitidos por mosquitos silvestres (o haemagogo, no caso do mayaro, e o maruim, no do oropouche), em laboratório eles se mostraram transmissíveis pelo Aedes aegypti, o principal vetor de vírus em cidades. Por[em, destacaria o vírus da febre do Oeste do Nilo, que é transmitido pelo cúlex, o pernilongo comum. Ele já causou epidemias nos EUA e na Euripa. Já foi isolado aqui em seres humanos, Há um risco real. É um vírus muito perigosos, provoca encefalite, e uma epidemia seria mais difícil de controlar aqui.

Por quê?

Porque no Brasil as condições climáticas são muito mais favoráveis aos mosquitos. Além disso, nos EUA e na Europa a transmissão aconteceu fora de casa, em parques, jardins, onde é muito mais fácil de controlar o risco. Aqui, o mosquito está dentro das casas. Isso acontece devivod a uma série de fatores.

Quais?

Falta de saneamento, de hábitos de controle de focos, como evitar acúmulo de água. Há ainda a questão urbana, as lajes das comunidades, por exemplo, são focos em potencial. Temos muita gente vivendo em condições precárias, muito mosquito e um clima extremamente quente e favorável a eles. Além disso, as autoridades de saúde no Brasil fracassaram terrivelmente no controle das arboviroses, o que fica óbvio com as epidemias que temos sofrido.

Temos muitas florestas, elas são um risco para essas doenças?

Não. Ao contrário, elas ajudam a manter vírus potencialmente perigosos longe de nós, sob controle. O risco existe com o desmatamento e com as pessoas invadindo cada vez mais as matas. A floresta desaparece, mas os vírus e os mosquitos, não. Elas se adaptam e vão para as cidades. Além disso, ao penetrar nas matas, o ser humano ajuda a espalhar os vírus. Essa é a história da dengue, da febre amarela, do zika. O Brasil precisa aprender a conviver com suas florestas.

Qual o custo de desmatar?

É muito alto. Invadir as florestas é abrir caminho para novos vírus. Quase todas as doenças que têm nos afetado são zoonoses. São de animas e se adaptaram a nós. Os vírus estão no topo da cadeia alimentar. Temos a ilusão de que somos nós. Mas não, os vírus são nossos predadores.

Que outros vírus devem estar no radar da vigilância sanitária?

Além do vírus da Amazônia, como o mayaro e oropouche, já estrangeiros. Destaco o da encefalite japonesa, o mais terrível, altamente letal. Mata 10% das vitimas e deixa até 40% com sequelas. Ele está presente em China, Índia, Vietnã, Tailândia e Indonésia. Seu transmissor é o cúlex, o pernilongo. Há ainda os vírus das encefalites esquina e Saint Louis, estes dois presentes nas Américas.

Qual a solução para evitar epidemias?

Investir em vigilância sanitária. Houve um grande enfraquecimento no Brasil. Seja no cumprimento do programa de vacinação seja no controle de vetores. As prefeituras relaxaram demais nisso. E não adianta uma cidade ir bem se a vizinha não vai. Mosquitos e vírus ignoram fronteiras.

Estrogênio Protege Contra Sjögren

Não é um endosso para a terapia de reposição de estrogênio, no entanto, os pesquisadores alertam

A maior exposição cumulativa ao estrogênio foi inversamente associada ao risco de síndrome de Sjögren primária, sugerindo que uma exposição mais extensa ao hormônio sexual pode ser protetora contra o desenvolvimento dessa doença autoimune.

Em um grande estudo de caso-controle de mulheres inscritas na Aliança Clínica Colaborativa de Sjögren (SICCA), as mulheres que tiveram a maior exposição geral ao estrogênio devido a fatores como a menarca precoce tiveram apenas metade do risco de desenvolver a síndrome de Sjögren, tendo alguns sintomas do tipo sicca, com um odds ratio de 0,5 (IC 95% 0,30-0,86), de acordo com Sara McCoy, MD, da Universidade de Wisconsin, em Madison, e seus colegas.

E entre os controles da sicca, as mulheres com as maiores pontuações acumuladas de ciclos menstruais na menopausa tiveram uma redução de 24% na exposição aos hormônios sexuais, relataram os pesquisadores na Arthritis Care & Research .

Acredita-se que os hormônios sexuais desempenhem um papel na patogênese da síndrome de Sjögren, que é caracterizada por infiltração linfocitária das glândulas salivares e lacrimais e outras manifestações, como positividade de anticorpos e aumento de parótida.

Essa associação com hormônios sexuais tem sido suspeitada porque as mulheres são afetadas 10 vezes mais do que os homens, e a idade usual de início é na época da menopausa, com o rápido declínio dos hormônios sexuais femininos.

No entanto, poucos estudos examinaram essa associação em detalhes, então o grupo de McCoy analisou dados do SICCA, que é um registro internacional financiado pelo Instituto Nacional de Saúde que inscreveu pacientes com suspeita ou confirmação da síndrome de Sjögren de 2003 a 2012.

Pacientes que preencheram os critérios estabelecidos pelo Colégio Americano de Reumatologia / Liga Européia Contra o Reumatismo para a síndrome de Sjögren foram comparados com aqueles que tinham pelo menos um sinal objetivo sicca como fluxo salivar total não estimulado de 0,1 mL / min ou menos ou um resultado do teste de Schirmer abaixo de 5 mm / 5 min, mas não apresentava anticorpos antígeno-relacionados à síndrome de Sjögren (SSA) ou escore de foco de sialoadenite por biópsia de 1 ou superior.

Este grupo de pacientes foi referido como controles sicca.

Os escores compostos de estrogênio foram calculados a partir de variáveis ​​incluindo menarca precoce, alta paridade, histerectomia, uso de terapia hormonal e menopausa tardia, com escores variando de 0 a 5.

O ciclo menstrual cumulativo para mulheres na pré-menopausa foi calculado como a idade da mulher menos o número de anos desde o início do sintoma sicca, idade da menarca e tempo gasto grávida, enquanto para mulheres na pós-menopausa foi calculado como idade na menopausa ou início dos sintomas da seca na menarca e tempo gasto grávida.

A análise incluiu 1.320 mulheres com síndrome de Sjögren confirmada e 1.360 controles de sicca, cujas idades médias foram 52 e 54 anos, respectivamente.

A redução do risco para a síndrome de Sjögren entre os controles da sicca foi progressiva, com odds ratio de 0,81 (IC 95% 0,67-0,99) para aquelas com um escore de estrogênio composto de 1 e 0,74 (IC 95% 0,57-0,97) para uma pontuação de 2 , em seguida, diminuindo para 0,50 para aquelas com pontuação de 3 ou superior.

O padrão foi menos claro para os escores cumulativos do ciclo menstrual.

Entre as mulheres na pré-menopausa, aquelas no terceiro quartil para exposição tiveram odds ratio de 0,49 (IC 95% 0,30-0,80) para a síndrome de Sjögren, embora a significância estatística não tenha sido observada para aqueles no quartil superior (OR 0,69, IC 95% 0,38- 1,26).

Para as mulheres na pós-menopausa, o menor risco foi no quartil superior (OR 0,76, IC 95% 0,56-1,04).

Essa medida pode ser menos sensível para a detecção de riscos para a síndrome de Sjögren, porque não reflete outros fatores além da menstruação que podem influenciar a exposição aos hormônios, explicaram os pesquisadores.

Com relação aos fatores reprodutivos e menstruais individuais, os controles da sicca apresentaram menor probabilidade de histerectomia (OR 0,71, IC 95% 0,57-0,89, P <0,001), idade menor na menarca (12,8 vs 13,1 anos, P <0,001 ), e mais frequentemente estavam usando hormônios exógenos (21% vs 14%, P <0,001).

Uma análise mais aprofundada de pacientes com os maiores escores de estrogênio composto (mais de 3) encontrou riscos reduzidos dessas características típicas da síndrome de Sjögren:

• Pontuação de coloração ocular de 5 ou superior, OR 0,4 (IC 95% 0,2-0,7)

• Hipergamaglobulinemia, OR 0,3 (IC 95% 0,1-0,8)

• Positividade do fator reumatóide, OR 0,5 (IC 95% 0,2-0,9)

• Positividade anti-SSA, OR 0,5 (IC 95% 0,3-0,9)

“Nossas descobertas sugerem que a exposição cumulativa ao estrogênio pode ter um efeito modulador nos fatores que predispõem as mulheres à doença autoimune”, concluíram McCoy e seus colegas. “No caso da síndrome de Sjögren primária, a menor exposição cumulativa ao estrogênio parece aumentar a expressão clínica da doença.”

No entanto, ela não está sugerindo que as mulheres recebam terapia de reposição de estrogênio neste contexto, disse McCoy ao MedPage Today.

“Aquelas mulheres com síndrome de Sjögren completa tiveram menos exposição do que aquelas sem. Então você pode se abstrair dessa observação de que a exposição ao estrogênio a longo prazo pode ser protetora. Então o que fazemos a seguir é dizer, qual é o mecanismo por trás disso? algo que podemos aproveitar para entender melhor a doença e, no futuro, desenvolver novas terapias direcionadas “, disse ela.

“Eu não estou endossando o uso de terapia de reposição de estrogênio”, advertiu ela.

Uma limitação do estudo, segundo a equipe, foi o projeto de controle de caso, e estudos longitudinais adicionais serão necessários para confirmar essas observações.

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Nosso sistema imunológico deve nos defender de agentes infecciosos externos, mas, às vezes, algum fator faz com que ele ataque nosso próprio corpo e cause doenças conhecidas como “autoimunes”.

Os médicos já identificaram mais de 80 enfermidades desse tipo, como lúpus, esclerose múltipla, artrite reumatoide e Tireoidite de Hashimoto – e muitas delas são difíceis de identificar.

Elas também suscitam muitas perguntas, como, por exemplo, por que doenças autoimunes são mais comuns em mulheres do que em homens?

Nos Estados Unidos, por exemplo, cerca de 80% dos pacientes com esse tipo de doença são mulheres, segundo a Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins.

Não há consenso sobre as causas, mas em estudo publicado em junho na revista científica Trends in Genetics (Tendências da genética, em tradução livre), Melissa Wilson, bióloga evolutiva da Universidade do Estado do Arizona, e outros quatro pesquisadores apontam para “hipóteses da compensação pela gravidez” (PCH, em sigla do inglês).

Sinais da placenta

Durante a gestação, a placenta envia sinais ao sistema imunológico para que ele restrinja sua atividade e não identifique o feto como um corpo estranho a ser atacado.

Ao longo da história, o sistema imunológico das mulheres evoluiu para receber esses sinais e “facilitar a sobrevivência da gestante na presença de uma placenta invasiva e uma gravidez imunologicamente desafiadora”, escrevem os cientistas em seu estudo.

Ou seja, o sistema de defesa é “reprimido” para não atacar a placenta, mas, ao mesmo tempo, permanece alerta para continuar protegendo o corpo de agentes infecciosos.

Em cem anos, a taxa de gravidez caiu de uma faixa que variava entre 8 e 12 filhos por mulher para menos de uma criança em alguns países (no Brasil, segundo o IBGE, a taxa de fecundidade foi de 1,77 filho por mulher). Parte da queda é atribuída ao acesso crescente a métodos contraceptivos.

Mas o que acontece se o sistema imunológico permanecer anos esperando pelos sinais da placenta?

Sistema acelerado

A hipótese da equipe de pesquisadores é que, se a mulher não conceber ou desenvolver uma placenta que envie sinais, “o sistema imunológico pode se tornar agressivo demais, acelerado demais”, explica a revista Atlantic em um artigo sobre o estudo.

“Ele começa a procurar por coisas para atacar e que não sejam perigosas – essa é a maneira como as doenças autoimunes aparecem”, acrescenta.

Mas, segundo o estudo, a placenta ou a falta dela não são os únicos fatores que influenciam a incidência de doenças autoimunes.

A bióloga Melissa Wilson conta à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC, que chegou ao conceito da “compensação da gravidez” ao estudar os cromossomos X e Y (aqueles que diferenciam o sexo). Ela notou que eles evoluíram ao mesmo tempo que a placenta em animais mamíferos.

“Tenho me perguntado por muito tempo se eles estão relacionados diretamente”, disse.

Os seres humanos têm 23 pares de cromossomos. O par de número 23 nas mulheres é XX e, nos homens, XY.

“O cromossomo X é o mecanismo genético que permite que haja diferenças sexuais também nas funções imunológicas”, explica Wilson.

Por ter dois cromossomos X, as mulheres podem ter doses únicas moduladas (de genes relacionados à imunidade) em comparação aos homens, explica Wilson, o que permitiria que o sistema imunológico da mãe respondesse à placenta.

Ausência de fundamentação

Por outro lado, o cientista David Hafler, professor de neurologia na Escola de Medicina da Universidade Yale, nos EUA, afirma que a hipótese da compensação pela gravidez é promissora, mas ainda faltam dados que sustentem o conceito.

Wilson concorda com as lacunas apontadas. “Nossa hipótese é que mulheres que nunca engravidaram teriam um risco maior de sofrer de doenças autoimunes”, disse ela à BBC News Mundo. “E uma das coisas que gostaríamos de pesquisar, quando tivermos acesso aos dados, é se o número de gestações é usado para prever o risco de doenças autoimunes.”

Outro ponto da hipótese dos pesquisadores seria que as mulheres que não engravidam teriam um risco menor de ter câncer, “porque seus sistemas imunológicos permaneceriam altamente vigilantes ao esperarem pela placenta”.

De todo modo, ela afirma que a hipótese não implica que ter muitos filhos, como resultado da evolução, seja a melhor forma de agir. Segundo a bióloga, a pesquisa “não serve para nos dizer qual é o melhor caminho para uma mulher”, e sim para entender melhor as doenças autoimunes.