Conto: Presente ao Médico

Quando me formei medico há mais de 40 anos, os jovens doutores viviam com entusiasmo o aguardo da licença no conselho regional de medicina, que oferecia ao novo médico o documento legal para o exercício da atividade em todo o país, possibilitando consolidar antigos e novos sonhos com legítima autonomia.

Foi grande minha expectativa em esperar alguns meses para receber o CRM definitivo e com ele o tão almejado carimbo médico. Nunca imaginei que daqui para frente minha vida seria totalmente diferente, agora tinha carimbo de médico, era independente, livre para arrojar na vida, poderia clinicar em qualquer lugar do país, era só usar o carimbo, realizar meu sonho como médico receber dinheiro, e desfrutar o restante da vida, talvez minha vivência nesta época refletia a tranquilidade de minha ignorância.

No início de minha carreira médica nas horas vagas quando não tinha nada para fazer, confesso que ficava imaginando como confeccionar meu carimbo médico, planejava qual seria a melhor letra, melhor disposição, qual a cor de tinta a ser usada, preta, azul, verde, tudo para demonstrar segurança conhecimento, elegância, dignidade, todos estes conceitos reunidos e resumidos em um simples e pequeno carimbo.

Ficava sonhando com o desempenho na profissão treinava carimbar, carimbava blocos de receita médica, rascunho, papel de embrulhar pão, em qualquer espaço que coubesse um carimbo, eu exercia o direto de carimbar. Com carimbo em mãos rumei para o litoral, o destino reservou-me estudar e formar-me médico no interior do estado de São Paulo e especializar-me e praticar medicina no litoral deste estado.

Na época estimava que no litoral, a prática médica seria igual ao interior, minha postura era talvez de ansiedade do desconhecido, teria que pôr em prática o que tinha apreendido, carimbar algumas receitas, e aproveitar a vida isto ficou claro quando trabalhei como médico alguns meses no interior já tinha ouvido muitas histórias sobre os presentes de gratidão que os pacientes ofereciam a seus médicos no interior, alguns pacientes davam a seus médicos novilhos eu achava que era o máximo do desempenho médico, um médico receber um boi como presente de seu paciente agradecido, vinha embutido no presente o conceito geral de médico com conhecimento científico notório, com grandeza de caráter, bem sucedido, existia o conceito popular que o médico tinha grande patrimônio, era possuidor de muitos bens, inclusive fazenda tudo conquistado com a pratica do exercício médico exemplar, o dinheiro em conseqüência do bom desempenho médico, sendo seu carimbo usado majestosamente. Nesta época trabalhei pouco tempo no interior e fui pago com meu digno e honroso salário e com gratidão, de alguns pacientes que me ofertavam presentes como, doces de leite, mandioca, jabuticabas, pano de prato, etc., cheguei a ganhar no interior várias galinhas vivas talvez por minha juventude, os pacientes supunham que o jovem médico estava iniciando a vida profissional, com experiencia limitada, talvez começando um pequeno poleiro de galinhas que futuramente se transformaria em uma fazenda de gado.

Quando optei por viver no litoral achava que era igual ao interior, ouvi história de médico bem sucedido no litoral que recebeu como presente, enorme quantidade de camarão grande (em média cinco unidades de camarões perfazendo 1 kg, isto é camarão grande) após atender uma paciente e usar com grande satisfação meu precioso carimbo médico, confeccionado com a mais precisa e sensível disposição de letras e cores qual minha surpresa, uma paciente me agraciou com uma fieira de caranguejos vivos “Doutor trouxe estes caranguejos todos muito bem escolhidos são bem graúdos”, quando olhei vi uma enorme fieira de crustáceos vivos com carapaça, suas patas peludas e presas pontiagudas em constante movimento, deparei-me com os olhos dos bichos saltitando e se recolhendo constantemente, pensei e agora o que faço, antes de refletir sobre o meu presente a paciente sugeriu uma receita para os animais, ”é só colocar em uma panela de água fervendo que eles vão ficar uma delícia e no tempero, use, cebola, alho, tomate, tem que ter uma pitada de cerveja”.

Imagine só a situação, início de carreira ainda jovem chegando em casa agradecido por usar muito bem meu carimbo e trazendo o mimo recebido da paciente em gratidão ao dia trabalhado, avisando minha mulher: “Querida trouxe alguma coisa para o nosso jantarzinho, hoje não vamos tomar vinho eu já trouxe cerveja, que podemos usar também no tempero destes dóceis caranguejos, é fácil de fazer, em uma panela grande deixe a água ferver por um bom tempo, após coloque os caranguejos vivinhos, se algum tentar fugir pelas bordas da panela com uma colher de pau empurre o animal água quente abaixo”.

Na realidade minha esposa chegava de um dia de trabalho exaustivo, cansada, provavelmente esperando uma refeição já pronta com enormes camarões, e não uma fieira de pobres caranguejos vivos que seriam submetidos a morte por afogamento, queimados vivos em água quente, toda esta tortura sendo realizada nos porões de nossa purificada cozinha.

Mas o litoral oferece soluções mágicas, próximo de minha residência tem um canal de águas fluviais construído pelo engenheiro e sanitarista Saturnino de Brito inspirado na luta de Osvaldo Cruz com intenção de erradicar as doenças infecto contagiosas predominantes na região no início do século passado o porto de Santos era conhecido como “porto maldito”, estes urbanistas lutaram pela defesa sanitária da cidade, solucionaram o problema drenando o mangue e agora quase no centenário de construção dos canais, no ano de sua comemoração descobri mais uma nova utilidade dada aos canais, a de salvar caranguejos que tinham como destino a água quente da panela, isto foi à porta da liberdade dos dignos animais.

Fiquei muito contente com o destino dado ao presente que ganhei, pois no pior cenário poderia ter recebido de presente duas dúzias de ostras, como ganhei em ano seguinte…, mas isto é outra história.
Ah… Quanta saudade do velho e bom interior aonde não existia nada disso, era tudo muito simples e tranquilo, com as galinhas que ganhava era só cortar o seu pescoço e tudo resolvido.

Autor: Vicente Tarricone Junior

Estudo aponta que a alimentação das crianças é mais saudável em casa e na escola

A má alimentação na infância e adolescência tem sido reconhecida como fator de risco para obesidade e condições associadas na vida adulta. O ambiente alimentar é um importante determinante do comportamento alimentar das crianças e, portanto, melhorias nas escolhas de onde levar as crianças para comer podem facilitar comportamentos alimentares mais saudáveis. Comer fora de casa tem sido associado ao consumo de alimentos pobres em nutrientes, também conhecidos como “alimentos não essenciais”.

Pesquisas no ambiente doméstico mostram uma maior ingestão de nutrientes desejáveis, como fibras, e menor consumo de alimentos não essenciais, com maior densidade calórica e com maior teor de gordura. No entanto, o lar também pode representar um cenário para o consumo de alimentos menos saudáveis, incluindo pizzas e bebidas energéticas compradas em lojas, alimentos de restaurantes fast-foode lanches, especialmente em jovens.

Para entender esse perfil alimentar, um estudo, conduzido por Ziauddeen N e colaboradores, foi realizado com o objetivo de fornecer uma análise abrangente dos padrões de consumo e ingestão nutricional por local de alimentação em crianças e adolescentes britânicos com idades entre 1.5 e 18 anos do UK National Diet and Nutrition Survey Rolling Program (2008-2014).

O principal local de alimentação, em todos os grupos etários, era em casa (69-79% das ocasiões de alimentação), com as maiores ingestões de energia. Um terço das crianças das famílias com menor poder aquisitivo consumia ≤25% das refeições em casa. Comer mais em casa foi associado com menor consumo de açúcar e comida para viagem. Ocasiões alimentares em locais de lazer, locais de alimentação e “em movimento” combinados aumentaram com a idade, de 5% (1,5-3 anos) para 7% (11-18 anos), com maior consumo de energia de alimentos não essenciais. O ambiente escolar estava associado a uma maior ingestão de alimentos básicos e a uma redução na ingestão de alimentos não essenciais em crianças de 4 a 10 anos de idade que consumiam alimentos na escola.

Como conclusão, os pesquisadores chegaram ao entendimento de que a alimentação no lar e na escola está associada a melhores escolhas alimentares. Iniciativas eficazes e sustentadas direcionadas a comportamentos e à melhoria do acesso a alimentos saudáveis em centros de lazer e restaurantes, incluindo alimentos vendidos para consumo, podem melhorar as escolhas alimentares. O lar continua a ser um importante alvo de intervenção por meio de campanhas de educação familiar e nutricional, divulgação e marketing social.

Fonte: ABRAN (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NUTROLOGIA)

Acupuntura baseada em evidências

Lin CA, Hsing WT, Pai HJ. Acupuntura: prática baseada em evidências. Rev Med (São Paulo). 2008 jul.-set.;87(3):162-5.

Prática milenar, fazendo parte da chamada Medicina Tradicional Chinesa, a Acupuntura tem experimentado um aumento expressivo de adeptos, tanto em números dos que praticam, como em número dos que se submetem ao seu tratamento.

Estudos, bem desenhados, apontam a eficácia da acupuntura.

Vickers et al (1), usando escala de escore para cefaléia e questionário de qualidade de vida SF 36, realizaram um estudo prospectivo, randomizado e controlado com 401 pacientes com queixa de cefaléia crônica (maioria enxaqueca), na rede de atenção primária na Inglaterra e no País de Gales. Ele testou a acupuntura (12 sessões em 3 meses) além de medicação consagrada para a cefaléia.

O grupo da acupuntura teve melhora mais acentuada na escala de sintomas. Acupuntura 34% de redução em sintomas e grupo controle 16% de redução em sintomas, diferença ajustada de 4,6, intervalo de confiança de 95% 2,2-7,5, p < 0,0002), teve 22 dias a menos de cefaléia (intervalo de confiança de 95% 8-38), usou 15% a menos de medicação (p=0,02), teve 25% a menos de visita a médico (p = 0,1), teve 15% a menos de ausência ao trabalho (p = 0,2).

Zhao e colaboradores (2), numa revisão, extende a indicação da acupuntura para outras cefaléias como tensional.

Witt et al (3) realizaram um estudo clínico randomizado e controlado (acupuntura versus grupo controle), com um braço de coorte não-randomizado e prospectivo, no tratamento de dor lombar.

Todos os grupos receberam medicação consagrada para dor lombar. Dos 11.600 pacientes, 1.549 foram randomizados para o grupo acupuntura, 1.544 foram para o grupo controle e 8.537 pacientes foram para o grupo não randomizado para o tratamento de acupuntura. Escala de funcionalidade da região dorsal (Hannover Functional Ability Questionnaire), escore de dor e qualidade de vida foram avaliados. Após 3 meses, a funcionalidade da região dorsal melhorou de 12,1 a 74,5, grupo controle melhorou de 2,7 a 65,1, diferença de 9,4 (intervalo de confiança 95% 8,3-10,5, p < 0,001). O grupo não randomizado começou com a funcionalidade pior, mas experimentou a melhora semelhante ao grupo da acupuntura.

Flachskampf et al(4) randomizaram 160 pacientes com hipertensão arterial sistêmica não complicada (dos quais 140 concluíram o estudo), para acupuntura real (72 pacientes) e acupuntura sham (placebo – 68 pacientes). Setenta e oito por cento tomavam medicação anti-hipertensivas, que não foram mudadas.

Foi avaliada: pressão arterial média de 24 horas, logo após o tratamento, 3 meses e 6 meses depois. A diferença de pressão arterial média de 24 horas entre os grupos acupuntura real e acupuntura sham foi 6,4 mmHg (intervalo de confiança 95% 3,5 a 9,2) e 3,7 mmHg, respectivamente sistólica e diastólica. No grupo acupuntura real, houve redução de pressão arterial média de 24 horas de 5,4 mmHg (intervalo de confiança 95% de 3,2 a 7,6) e 3,0 mmHg (intervalo de confiança 95% 1,5 a 4,6) , respectivamente sistólica e diastólica. Os níveis de pressão voltaram a níveis pré-tratamento aos 3 e 6 meses após o tratamento. Os autores concluíram que a acupuntura real e não sham, reduziam a pressão arterial média de 24 horas logo após o tratamento, cessando o efeito assim que cessa o tratamento.

Manheimer et al (5) realizaram uma metanálise, incluindo 1366 mulheres em tratamento para fertilização in vitro em 7 estudos clínicos.

Controles sem tratamento e acupuntura sham foram usados nestes estudos. A conclusão dos autores revela que a acupuntura contribui para a melhora clinicamente relevante da gravidez.

CONCLUSÃO

A breve revisão dos trabalhos recentes acima

realizada, aponta para uma direção diferente dos estudos realizados anteriormente.

É um cenário novo, a exigência no mercado de trabalho exercerá maior aperfeiçoamento dos novos médicos que exercerão a especialidade. Não obstante, os médicos de outras especialidades terão de se familiarizar com as novas indicações, contra-indicações e eficácia para tratamento de doenças que antes não faziam parte do escopo de doenças tratáveis por acupuntura.

REFERÊNCIAS

  1. Vickers AJ, Rees RW, Zollmman CE, McCarney R, Smith C, Ellis N, et al. Acupuncture for chronic headache in primary care; large, pragmatic, randomized trial. BMJ.

2004;328:744-50.

  1. Zhao CH, Stillman M, Rozen TD. Traditional and evidence-based acupuncture in headache managemente: theory, mevhanism and practice. Headache. 2005; 45(6):716-30.
  2. Witt CM, Jena S, Selim D, Brinkhaus B, Reinhold T, Wruck K, et al. Pragmatic randomized trial evaluating the clinical and economic effectiveness of acupuncture for chronic low back pain. Am J Epidemiol. 2006;164:487-96.
  3. Flachskampf FA, Gallasch J, Gefeller O, Gan J, Mao J,

Pfahlberg AB, et al. Randomized trial of acupuncture to lower

blood pressure. Circulation. 2007;115:3121-9.

  1. Manheimer E, Zhang G, Udoff L, Haramati A, Langenberg P, Berman B, et al. Effecs of acupuncture on rates of pregnancy and live birth among women undergoing in vitro

fertilization: systematic review and meta-analysis. BMJ.2008;336:545-9

Setembro Amarelo – mês mundial da prevenção do suicídio

O suicídio é um problema de saúde pública que mata pelo menos um brasileiro a cada 45 minutos, ou 32 atos ocorridos todos os dias, de acordo com o Ministério da Saúde. Estudos indicam que esta ação pode ser prevenida em 9 a cada 10 casos. O movimento Setembro Amarelo, mês mundial de prevenção do suicídio, iniciado em 2015, visa sensibilizar e conscientizar a população sobre a questão.

De acordo com o Centro de Valorização à Vida (CVV), uma das entidades mobilizadoras do Setembro Amarelo no Brasil, muitas vezes, as pessoas precisam de acompanhamento médico e psicológico e que o serviço do CVV atua em situações de crises como complemento a esse tratamento.

Empresas e demais pessoas podem promover ações na comunidade e também usar uma peça de roupa amarela ou usando uma fita com essa cor, levantando o tema em seus grupos e buscando informações confiáveis sobre o assunto. De acordo com a cartilha no site do Ministério da Saúde, a meta é reduzir em 10% a mortalidade por suicídio até 2020.

Síndrome da realimentação: pouco conhecida e fatal

Autora: Dra. Márcia Souza Carvalho
Diretora Científica Adjunta da APM Santos

Porque uma pessoa em jejum prolongado ao receber carboidratos pode evoluir ao óbito em poucos dias? Esta pergunta intrigou pesquisadores durante a II Guerra Mundial, quando os sobreviventes após períodos de jejum, ao serem realimentados, principalmente com carboidratos, apresentavam alterações laboratoriais, clínicas e em poucos dias evoluíam ao óbito (9). Este quadro foi denominado de Síndrome da Realimentação (SR) (1).

Embora todos os indivíduos com desnutrição crônica estejam em risco para desenvolver a SR, outros fatores foram identificados, como o abuso de álcool, idosos, doenças com má absorção e oncológicas. Na desnutrição encontramos níveis séricos baixos de glicose, eletrólitos, deficiência de vitaminas, com perda (ou desequilíbrio) de massa muscular e gordura (6). Quando ocorre ausência de alimentos por qualquer motivo (greve de fome, resgatados, inapetência, etc.) em qualquer lugar e de qualquer idade (3) observa-se alterações no metabolismo de gordura e glicose, estimulando e aumentando a captação de glicose, água e eletrólitos para dentro das células ocasionado um declínio maior dos níveis no sangue (5).

O jejum, mesmo em pessoas com taxas normais de insulina, desencadeia reações bioquímicas para se adaptar a fome, como glicogenólise, lipólise e aumento do catabolismo, com perda da massa muscular (8), até mesmo do diafragma e músculos intercostais, ocasionando insuficiência respiratória (3).

Na alimentação (ou administração) principalmente de carboidratos, ocorre alteração dos níveis de insulina (2) na homeostase da glicose, redução de eletrólitos (fósforo, magnésio e potássio). A hipofosfatemia surge em média próximo ao segundo dia da realimentação, o que podemos considerar um sinal de alerta precoce (2) (8).

Portanto, a SR se manifesta com hipo ou hiperglicemia, níveis baixos de vitaminas e eletrólitos, principalmente o fósforo com o encadeamento de situações clínicas comuns a qualquer doença, com rebaixamento do nível de consciência, dificuldade na respiração, edema, alteração da glicemia, diarreia ou obstipação, arritmia cardíaca e outros sintomas (2). Entre os pacientes críticos com mais de sete dias de internação, 36,8% apresentam SR. A principal causa de óbito é arritmia cardíaca (6)

Toda pessoa que está cronicamente adaptada a deficiência de nutrientes, que fica em jejum prolongado deve ser monitorada e a introdução de alimentos deve ser precoce, porém criteriosa. O tratamento da SR é constituído com adequada administração de vitaminas, minerais e eletrólitos antes da administração de carboidratos (7). A oferta carboidrato deve ser de 5 a 10 Kcal/kg/dia (máximo de 200 gr/dia), aumentando lentamente: 5 kcal/kg/dia em até 7 dias. Não há restrição de proteínas e lipídios (4).

Entretanto, tem sido observado pouco conhecimento e SR entre os profissionais de saúde, independente da experiência profissional e, como consequência disso, os pacientes em risco não são identificados e tratados. (1).

 

1. Caldas, AC; Alves, JTM. Síndrome de realimentação em pacientes hospitalizados: série de casos e revisão da literatura. Artigo Original. Internacional Journal of Nutrology. Mai / Ago 2015; v. 8, n.2, p. 22-29.
2. Caruso, L; Sousa, AB. Manual da equipe multidisciplinar de terapia nutricional (EMTN) – Hospital Universitário da Universidade de São Paulo – HU/USP [recurso eletrônico]. São Carlos. Editora Cubo, 2014; p. 41 – 43. Disponível em: <www.hu.usp.br/emtn-manual>. Acesso em 07/12/2017.
3. Castro, RCB. O que é e como identificar a síndrome de realimentação? 05 out. 2012. Disponível em: <http://www.nutritotal.com.br/mod/pergres/view.php?id=13726>. Acesso em 23/06/2016.
4. NICE. diretriz CG32 – Suporte nutricional para adultos: suporte à nutrição oral, alimentação por tubo enteral e nutrição parenteral. Publicação: 2006.
5. Obeid, AO; Hachem DH; Ayoub JJ. Refeeding and metabolic syndromes: two sides of the same coin. Jornal Nutrition & Diabates. Beirute. 2014; v. 4, n. 6, p. 1-16.
6. Olthof, LE et al. Impact of Caloric Intake in Critically Ill Patients With, and Without, Refeeding Syndrome: A Retrospective Study. Clinical Nutricion. Elsevier. 2017; XXX, p. 1-9.
7. Silva, JWM. Síndrome de Realimentação. International Journal of Nutrology. Ribeirão Preto, jan/abr 2013; v.6, n.1, p. 28-35.
8. Toledo, DO et al. The use of computed tomography images as a prognostic marker in critically ill cancer patients. Original article. Elsevier Clinical Nutrition ESPEN. Available online 4 April 2018. Disponível em:
< https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S240545771730476X> Acesso em 20/04/2018.
9. Viana, LA et. al. Síndrome de Reafectação: relevância clínica e nutricional. ABCD, São Paulo, março de 2012; v. 25, n. 1, p. 56-59.

Cine de Debate de Agosto – C.R.A.Z.Y

O filme do mês de agosto escolhido é “C.R.A.Z.Y – Loucos de Amor”

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Sinopse

No dia 25 de dezembro de 1960, Zachary Beaulieu vem ao mundo. É o 4º entre 5 irmãos, todos meninos. A infância de Zachary é marcada pelos aniversários natalinos em que seu pai (Michel Côté), invariavelmente, encerra a festa imitando Charles Aznavour. Sua adolescência traz a descoberta de uma sexualidade diferente e sua negação profunda para não decepcionar a família. E a maturidade, enfim, chega com uma libertadora viagem mística por Jerusalém, a cidade que sua mãe sempre sonhou conhecer.Vencedor de mais de 35 prêmios internacionais e considerado uma das grandes obras primas do cinema recente.

Diretor: Jean-Marc Vallée

Data/Local: 13 de agosto de 2016 às 16h, na APM Santos

Comentários: Eduardo Ricci (Cineasta e Jornalista), Juliana Picado Alvares Ribeiro dos Santos  (Psicanalista  -SBPSP/NPSR)

XXI Carnaval Liberal APM

Acontece dia 31/01 o XXI Carnaval Liberal da APM, a festa será na Barraca de Praia APM Santos, com horário das 12h00 às 17h00 e contará com a atração musical: Marquinhos Percussão e Banda.

Para retirada das camisetas na Secretaria da APM Santos, os associados devem levar uma lata ou pacote de leite em pó. Não perca!

 

 

SÍNDROME DE GUILLAIN-BARRÉ

Circular 03 (04/01/2016)

Anamarli Nucci

A Síndrome de Guillain-Barré (SGB) foi assim denominada por Draganescu e Claudian (1927), apos revisão sobre as paralisias agudas ascendentes, conhecidas desde relatos de Landry (1859) e Westphal (1876). Em1916, Guillain, Barré e Strohl salientaram o envolvimento radiculoneurítico na síndrome que leva seus nomes, assim como a hiperalbuminose no líquido cefalorraqueano (LCR), não associada à reação celular.

Inúmeras revisões permitiram identificar a SGB como cosmopolita, podendo afetar crianças, adultos e idosos em cerca 0.6 a 04 casos por 100.000 habitantes/ano. Em estudo com pacientes brasileiros abaixo dos 15 anos, Dias-Tosta e Kückelhaus identificaram uma incidência de 0,39 a 0,63 casos por 100.000 habitantes/ano.Na China, a SBG é mais prevalente em crianças e jovens. Nos países considerados livres da poliomielite, pela Organização Mundial da Saúde, a SGB é a causa mais comum de paralisia flácida.

A SGB caracteriza-se por polirradiculoneuropatia aguda imunomediada, através de anticorpos antigangliosídeos mais ou menos específicos aos seus váriossubtipos:polirradiculoneuropatia inflamatória aguda desmielinizante (AIDP, em inglês) e os subtipos axonais, axonal motora (AMAN, em inglês) e axonal sensitivo-motora (AMSAN, em inglês). As variantes, síndrome de Miller Fisher (expressa por ataxia, oftalmoplegia e arreflexia) e cérvico-faríngo-laríngea devemser também mencionadas.

Dentre os critérios de diagnóstico clínico são destaques obrigatóriosa paralisia progressiva, relativamente simétrica, associada à arreflexia, de instalação em até 04 semanas.A gravidade do déficit motor (proximal e distal)é variável, geralmente cotada pela escala Hughes, indo de leve paralisia a tetraplegia. Em cerca de 10% dos casos ocorre óbito, apesar de terapia adequada.Disautonomias, insuficiência ventilatória e paralisias em territórios de nervos cranianos motores, particularmente o VII e os bulbares, são fatores de agravo. Dor neuropática pode ocorrer em 50 a 80% do total de casos da SGB e merece atenção terapêutica.

Distinguem-se as seguintes fases na SGB: fase extenso-progressiva (início dos sintomas/sinaisao nadir), fase de platô, fase de convalescência. Sequelas graves ocorrem em aproximadamente 15% dos casos, especialmente nos pacientes com os subtipos axonais. Salienta-se que em cerca de dois terços dos casos, antecedendo de 10 a 20 dias do início dos sintomas/sinais, a história clínica registra antecedentes de infecção gastrointestinal ou respiratória, em maior frequência.Agentes conhecidos como associados à SGB: Campilobacter jejuni,Mycoplasma pneumoniae, Haemophilus influenzae, Citomegalovirus, Epstein-Barr virus, HIV. Recentemente, os vírus transmitidos pelo Aedes aegypti, Dengue, Chikungunya e Zika tem sido alvo de relatos de casos isolados.

Na fisiopatogenia da SGB, considera-se que epítopos gangliosídeos- similares do agente infeccioso, ao induzir uma resposta imune, levem a produção de autoanticorpos antigangliosídeos (mimetismo molecular) contra a mielina e/ou axolema, com consequente dano araízes e nervos periféricos. Portanto, a SGB geralmente tem evoluçãomonofásica, patogenia imunomediada, sendo pós-infecciosa.

O diagnóstico clínico tem papel soberano, porémé recomendável o exame do LCR para verificação da clássica dissociação proteíno-citológica, ou seja, hiperproteinorraquia e celularidade normal ou do tipo linfomonocitária < 30 células/mm3.Na primeira semana de evolução clínica o exame pode ser normal. A eletroneuromiografia tem interesse no diagnóstico do subtipo da SGB, na avaliação da gravidade do comprometimento periférico e, portanto, na estimativa de prognóstico. Pedidos de autoanticorpos específicos, como por exemplo, o GQ1b na síndrome de Miller Fisher,são de interesse prático apenas em casos atípicos.

O local ideal de internação para pacientes com SGB, no mínimo nos casos mais graves, deve ser a unidade de terapia intensiva. Tratamento para remoção de anticorpos (plasmaferese) ou sua neutralização (imunoglobulina intravenosa) deve ser considerado, a partir da dificuldade do paciente para andar 5 metros. O tratamento deve ser o mais precoce possível. Considera-se que a eficácia de ambos os tratamentos seja similar, entretanto, cada qual tem vantagens e desvantagens que devem ser consideradas, caso a caso. Não há evidência de maior eficáciaterapêutica no uso de ambas as terapias em único paciente.Além desses tratamentos, em fisiopatogênica, outros são recomendados: considerar necessidade de ventilação mecânica, momento da traqueostomia e extubação;cuidados de nutrição;profilaxia de trombose venosa profunda; terapia antiálgica; fisioterapia motora e respiratória; intervenções contra disautonomias e infecções (geralmente pneumonia); apoio psíquico e social e reabilitação.

Bibliografia recomendada:
Ali MI, Fernández-Pérez ER, Pendem S, Brown DR, Wijdicks EF, Gajic O. Mechanical ventilation in patients with Guillain-Barré syndrome. Respir Care 51(12):1403-7, 2006.
Bos Eyssen ME, van Doorn PA, Jacobs BC, Steyerberg EW, van der Voort PH, Zandstra DF, et al. Selective digestive tract decontamination decreases time on ventilator in Guillain-Barré syndrome. Neurocrit Care 15(1):128-33, 2011.
Damasceno A, França Jr MC, Pimenta DS, Deus-Silva Ld, Nucci A, Damasceno BP. Bickerstaff’s encephalitis, Guillain-Barré syndrome and idiopathic intracranial hypertension: are they related conditions?Arq Neuropsiquiatr. 2008;66(3B):744-6.

Dias-Tosta E, Kückelhaus CS. Guillain Barré syndrome in a population less than 15 years old in Brazil. Arq Neuropsiquiatr 60(2-B):367-73, 2002.
Fourrier F, Robriquet L, Hurtevent JF, Spagnolo S.A simple functional marker to predict the need for prolonged mechanical ventilation in patients with Guillain-Barré syndrome.Crit Care 15(1):R65, 2011.
França Jr MC, Deus-Silva L, de Castro R, Garibaldi SG, Pfeilsticker BH, Nucci A, Marques JF Jr. Guillain-Barré syndrome in the elderly: clinical, electrophysiological, therapeutic and outcome features.Arq Neuropsiquiatr. 2005;63(3B):772-5.

Gatherer D, Kohl A.Zika virus: a previously slow pandemic spreads rapidly through the Americas. J Gen Virol. 2015 Dec 18.doi: 10.1099/jgv.0.000381. [Epub ahead of print]

Gonçalves E. Acute inflammatory demyelinating polyradiculoneuropathy (Guillain-Barré syndrome) following dengue fever.Rev Inst Med Trop Sao Paulo. 2011;53(4):223-5.

Hughes RA, Wijdicks EF, Barohn R, Benson E, Cornblath DR, Hahn AF, et al. Practice parameter: Immunotherapy for Guillain–Barré syndrome – Report of the Quality Standards Subcommittee of the American Academy of Neurology. Neurology 61;736, 2003

Hughes RAC, Cornblath DR. Guillain-Barré syndrome. Lancet 366:1653–66, 2005.

Hughes RAC, Swan AV, van Doorn PA. Intravenous immunoglobulin for Guillain-Barré syndrome.Cochrane Database Syst Rev (6):CD002063, 2010.

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Kuwabara S. Guillain-Barré syndrome: epidemiology, pathophysiology and management. Drugs 64(6):597-610, 2004.
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Oehler E, Fournier E, Leparc-Goffart I, Larre P, Cubizolle S, Sookhareea C et al. Increase in cases of Guillain-Barré syndrome during a Chikungunya outbreak, French Polynesia, 2014 to 2015. Euro Surveill. 2015; 3:20(48).
Pfeiffer G, Schiller B, Kruse J, Netzer J. Indicators of dysautonomia in severe Guillain-Barré syndrome. J Neurol 246:1015–22, 1999.
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