Julho Amarelo – Hepatites Virais

Por: Dr. Ricardo Leite Hayden, Infectologista

As hepatites virais, em especial, Hepatite B e – mais recentemente – a Hepatite C, tem hoje medicamentos que bloqueiam a evolução, em especial, a da Hepatite B e curam 96-97% ou mais dos casos de Hepatite C.

Simbolicamente, o mês de julho, com a campanha Julho Amarelo, busca alavancar a atenção e as medidas de identificação das hepatites, notadamente da Hepatite C, ainda que também da B.

As cifras a respeito da Hepatite C são absolutamente superdimensionadas aqui em nosso país e não resistem à uma análise crítica baseadas nos estudos de prevalência disponíveis, embora isto não invalide as medidas de busca de novos casos, além das tradicionais “testagens abertas”.

Buscam-se estratégias mais dirigidas com a ajuda de certas especialidades como endocrinologia, dermatologia e ginecologia, pela interligação de doenças afeitas às especialidades referidas e cuja prevalência é maior em certas patologias como portadores de Diabetes tipo 2 e hipotireoidismo.

Temos como exemplo mais recente, a ênfase em contingentes populacionais específicos, tais como: usuários de drogas, HSH’s (homens que fazem sexo com homens) e, combinadas nestas populações mais vulneráveis, temos o aumento da detecção de novos casos.

Levando em conta desvios de exames funcionais hepáticos em quaisquer situações, também seria um bom foco em busca dos “pacientes perdidos”, mas a adesão de médicos de outras especialidades continua baixa e é difícil de obter os porquês dessa não-adesão ao oferecimento dos testes nessas condições.

Apesar dos esforços das ONG’s ligadas à luta contra as hepatites, os resultados têm sido pouco expressivos.

Mais recentemente ainda, trouxeram às testagens a importante e evidente ligação ao grupo de pessoas vivendo com o HIV, a qual deve ser metódica e constantemente testada e retestada, com evidente sucesso nesta difícil busca.
Isso tem sido adotado em vários países e deverá ser alvo de um programa à parte por aqui, embora eu e muitos infectos já o façam, isto não é uniforme.

Procurei neste texto não me ater ao tratamento em si, já muito bem avançado, eficaz e adotado em nosso país, mas sim, à testagem cotidiana focada, não àquela dispersiva e pouco eficaz mas sim, sobre a busca sistemática de novos pacientes.

Resta ainda esperar que o novo Ministério da Saúde reveja algumas dificuldades de logística num país enorme e diverso como o Brasil  e não permita descontinuidades como as que ocorreram a cerca de um ano atrás e que redundou numa fila de espera com consequências duras e desnecessárias.

A todos, um chamamento à reflexão e adoção conjunta a nós, infectos e gastro-hepatos, às políticas de testagem e busca de novos pacientes a serem tratados.